28/02/2005

efeito

"...em profundo desespero de causa...
lancei-me no vazio da origem...
não enfrentei qualquer consequência...
pairei sobre ti numa eterna pausa...
onde tudo tinha um único efeito...
o de fazer perdurar a minha demência..."

27/02/2005

tecto


...pormenor do tecto do Café onde se deu o ponto de encontro para o jantar de bloguistas na charmosa cidade de Coimbra... apesar do frio, o conjunto das pessoas aqueceu o ambiente com alegria e jovialidade... gostei... venham mais...

26/02/2005

jantar

...de bloguistas hoje, em Coimbra... aí vou eu também... o problema é se me aparece algum Capuchinho Vermelho; não responderei por mim...

25/02/2005

24/02/2005

sendo

"...amar, também é permitir ser e estar, tal qual o somos ou o desejamos ser, sem nada alterar a não ser a vontade de vencer, seja na dor, seja num olhar, num suave toque ou num dizer, numa palavra escrita, num saber ouvir e entender, num simples aceitar como sou e num simples viver com o que és..."

23/02/2005

22/02/2005

realidade

"...Gedeão dizia que o sonho comanda a vida; e um dia, alguém disse que a vida é um intervalo que a morte nos concede; é um curtíssimo intervalo esse no qual para além de o termos de viver ainda temos que o fazer a sonhar; sonhemos então, de forma a que esse intervalo seja algo pelo qual valha a pena adormecer, de forma a que esse intervalo seja, pelo menos...real..."

20/02/2005

votar

...ontem reflecti... hoje, votei... cumpri o meu dever de cidadão; nada mais simples; um pequeno passeio a pé até à mesa de voto, o colocar uma cruz no local que houvera já decidido há muito tempo não só por fidelidade como por convicção... e hoje, deixo aqui apenas estas palavras...

19/02/2005

18/02/2005

sorrir

"...abre-te ao mundo que te rodeia e sorri o mais que puderes... e, por mais lágrimas que tenhas, não as guardes, deita-as cá para fora, grita se disso precisares mas, no fim de cada choro, mesmo assim, resplandece-te com um sorriso..."

16/02/2005

pleno

"...com um pouco de loucura, viajo dentro de mim, olhando o meio em que me enleio, adicionando à vida um pouco de ternura, e parto à procura do dia em que me encontre pleno de mim mesmo, sem culpas nem perdões, apenas com laços de paz e bons e apertados abraços de solidões presentes nestes eternos momentos de carinhos ausentes..."

15/02/2005

albis


...de repente ao olhar esta beleza lembrei-me de uma marca de vinho; como havemos de entender a mente humana?... talvez, profana?...

14/02/2005

eternizar

"...Os meus olhos pousam em ti e todos os meus sentidos te olham num delirar mútuo de atenção... Vejo o teu corpo e deleito-me na tua alvura... Cheiro o teu cheiro e aspiro a tranquilidade da tua paz... Ouço o teu respirar lento, como um lamento que não lamento... As minhas mãos tocam os teus cabelos e envolvem-se neles... Acerco-me de ti e te toco... Te sinto global e ali inteira frente a mim... Beijo a tua boca e tudo se torna como num festim de doces carícias e sabor a sal... Estou inteiro no teu corpo inteiro e me sinto nele como sinto o teu corpo em mim... É apenas um abraço, um enlace de braços que apertam sem apertar, sentindo apenas o teu respirar... Minhas mãos percorrem a tua pele acetinada linda... Fecho os olhos procurando apenas sentir... E sinto o desejo crescer em mim e o teu arfar sobe de tom... Como é bom... A minha boca se cola na tua boca e a minha língua se funde dentro dela como se da tua se tratasse... É apenas mais um enlace... Sinto o teu peito quente junto ao meu e beijo teus mamilos num acto de procura da loucura... Loucura que me invade lentamente, premente ali presente ou então como se tudo mais estivesse ausente... Meus braços te envolvem e se descobrem momento a momento como se fosse a primeira vez que no teu corpo se movem... Sinto o cálido odor do teu corpo quente de amor, oferecendo-se como numa espécie de orgia sem pudor... Minhas mãos tacteiam centímetro a centímetro toda a tua pele, todos os recantos de teus encantos e se encontram, de repente, sobre o teu ventre quente, dolente... Afago tuas coxas e as tuas ancas e as aperto contra mim... Procuro o teu sexo e o acaricio... Beijo-te completamente num único beijo e me torno desejo do teu próprio desejo... Te envolvo num abraço mais e te penetro... És tu que me possuis... Não te tenho, és tu que me tens... Movimentos se entrelaçam como se não fossemos dois mas um só... Os nossos corpos se fundem num arfar profundo de loucura... Já não sei o que sou, apenas em ti estou... Eu sou tu e tu és eu numa fusão de ser e estar... Na verdade és tu que me possuis, eu não te tenho, és tu que me tens, em ti eu me dou...E em ti me eternizo..."
.
.
(republicação dedicada, no dia dos namorados, a todos os que verdadeiramente se amam e tentam eternizar esse amar para além do corpo e para aquém da alma)

13/02/2005

escolha

"...o que nos muda, o que nos faz mudar, crendo na mudança do querer mudar, é a vontade de ser feliz, a decisão de ser feliz, a decisão de amar, descobrindo que não temos o direito de nos perder e que temos sempre o direito e a capacidade de escolher..."

12/02/2005

10/02/2005

vento



...hoje apeteceu-me falar do vento como se fosse apenas um lamento de um velho Admastor prisioneiro de um poema já sem rima nem cor...

09/02/2005

pele

"...estou cansado de ser quem sou. Preciso mudar. Deixar de ser um e passar a ser outro. Mas quem? E, porquê este desejo? Não sei. Não me reconheço. Estou cansado de mim. Quero renascer em ti. Mas tu, quem és? Que fazes aí? Porque olhas assim para mim? Achas que devo mudar, é? Mas, diz-me ao menos para quê? De que me serve mudar? Se mudando não mudo a minha alma? De que serve mudar se voltar a ficar cansado da mudança? Porque entendes que deve existir mudança? Não posso ficar aqui? Onde sou? Como estou? Para que vim? Para onde queres que eu vá? Diz-me. Faz-se tarde e a viagem tem de ser iniciada de novo. Já nada do ontem levarei comigo. Fica tudo ali onde fui eu, onde estive e me despi da pele que me cobre a alma agora desnuda. Levarei tão somente o que me vieres a dar. De mãos vazias te seguirei. Sim, irei. Estou cansado de mim. Preciso adormecer o meu ser. Não quero mais acordar aqui. Quero ir. Leva-me..."

08/02/2005

luminosidade



...em Terça-Feira Gorda, tirar uma fotografia ao Sol, sem filtros, não é fácil; saíu assim e com um ponto de exclamação invertido...

07/02/2005

cinzas

"...Agonizo lentamente no beijo que não me deste; estremeço no desejo de o ter tido eterno!... Apenas sinto dor na carícia que me retiras quando penso que não há Verão em qualquer Inverno. Agonizo lentamente no abraço que me faz falta; estremeço no profundo anseio de o ter sentido forte!... E apenas diviso lágrimas na imensa loucura quando caminho em direcção à tua morte. Agonizo serenamente na dor que me cobre; estremeço de frio no túmulo da tua jazida, apenas limpando a dor da profunda desventurada e desdita corrida que fizeste contra a vida..."

05/02/2005

coexistir

"Amar é dar"
"Amor é partilha"


"...não há semente que se entregue à terra e que esta não a devolva em forma de flor - e é nisto que reside o amor..."

04/02/2005

Porto

...R. Sta. Catarina, hoje, 15.45 h....



...R. dos Clérigos, hoje, 16.00 h....



...vê-se mesmo que é Sexta-feira, fim de semana à vista...

03/02/2005

cativar

Não, não fui ao dicionário ver o significado da palavra do título deste post; nem vou. Tenho uma ideia e julgo não estar muito longe da verdade ao pensar que ela quer dizer "prender sem prisão". Ficar cativo de algo é ficar "preso" sem se estar "preso"; é apenas a noção de se sentir bem por algo que provoca essa sensação.
Existem nesta blogosfera (nome pomposo para designar o conjunto de blogs nesta esfera de acção que é a internet) blogs que cativam e blogs que não nos dizem nada; há blogs individuais e blogs colectivos; há blogs com aceitação de comentários e blogs que não os aceitam; há blogs de poesia, de prosa, de imagem, de tudo um pouco criando um universo interessante e novo neste novo mundo que temos à nossa frente e que nos abre as portas e a quem abrimos as portas.
Existem blogs que nunca visitarei pela simples razão da sua imensidão! São tantos que nunca chegarei a ter tempo para os visitar; são um pouco como os livros: nunca os lerei todos mesmo que nada mais fizesse na vida.
Existem blogs que visito diariamente, uma vintena, penso e depois com mais vagar visito outros e ainda faço a navegação de link em link na procura de algo que ainda não saiba. E tanta e tanta coisa que não sabemos!
Este mundo é maravilhoso, mas perigoso!... Tentador mas gostoso!... Traidor mas venturoso!... Feito com amor mas doloroso!...
Fiquei cativo de quase todos eles.
Gostaria de cativar alguns.

01/02/2005

incompleto

"...Enfrento o espelho e me abro. Olho-me e me sinto inteiro. Por dentro e por fora; noto defeitos e falhas; claro, não sou perfeito. Mas vejo-me diferente para além disso. Mas não sei porquê. Procuro a razão de tal sentir. Conto-me pedaço a pedaço: Tenho cabeça, pescoço e um braço; do outro lado um braço mais, um peito, um tronco, uma bacia, um pénis, dois membros inferiores e um pé de cada lado. Tenho cabelos, barba, pêlos, púbis, impressões digitais, testículos e tudo o mais. Tenho unhas roídas eu sei e tenho olhos, boca, dentes, orelhas e nariz. Sinto um coração a bater um estômago a roer; um intestino a doer e uma bexiga a gemer; pulmões a encherem-se de ar e tudo o mais que não consigo ver. Tenho dedos. Não vejo nada de grave; mas algo me diz que há um entrave. Sinto uma falha. Não estou completo. Olho à volta e em nada reparo que me possa dizer o que me faz sentir ser um ser incompleto; está tudo funcional... Então está tudo bem! Nada está mal... Mas o que é que falta que me provoca esta sensação de vazio, de nada, de tudo…? Repentinamente sinto frio. O espelho fica baço. Olho e é tão simples: Apenas me falta um abraço!..."

30/01/2005

tudo



...neste final de tarde queria ter tudo para tudo te oferecer; neste final de dia a sério que queria; mas nada tenho; então, busco no nada e aqui venho, com todo o carinho, oferecer-te mais uma das minhas rosas, daquelas que fazem parte do meu próprio caminho...

29/01/2005

ausente

"...não existe o teu corpo, mas estás aqui... Não olho teus olhos, mas te leio a alma... Não toco nos teus cabelos, mas me envolvo neles... Não te sinto palpitar, mas te oiço respirar; é um som leve, lento mas ritmado, quente, arfado e dolente... Não existe o teu corpo, mas estás aqui, bem perto de mim... É algo que não tem fim e não posso olvidar... Como deixar de o amar? Pergunta que me enlouquece... Desígnios divinos que questiono e morro lentamente neste corpo dormente que não vive mas sente..."

28/01/2005

27/01/2005

destino

"...Vou partir definitivamente. Vou deixá-lo de vez para que ele siga o seu destino. Já cumpri o que me fora dado ser no seu corpo. Não estou aqui a dar-te uma satisfação mas apenas a cumprir um desígnio. Esta é a minha última acção com o seu corpo físico. Eu não te amei; eu nunca te amei, mas ele sim. Foi ele que, desesperadamente, te amou sem nunca ter sabido que estava a ser usado para te despertar para o conhecimento. A minha missão foi cumprida com um certo êxito ainda que tenha terminado duma forma que não estava prevista; mas, na verdade, o livre arbítrio assim o determinou. Penso também que tenhas intuído a verdade e que tenhas vislumbrado (como, não me foi dado saber) algo que ele nunca soube nem nunca irá saber. Tu, talvez sim. Escolhi finalmente, para ti, o amor..."

25/01/2005

carta

“Não, não me pediste, meu filho, para nascer, não. Foi apenas um desejo meu, um desejo muito antigo, daqueles desejos de me tornar num Homem plantando uma árvore, escrevendo um livro e fazendo um filho… sim, foi um desses desejos íntimos que, na companhia da mulher que te deu à luz, eu te dei vida, uma vida desejada e acompanhada até aos mais ínfimos pormenores. É verdade, foste desejado com muito carinho e muito amor; não amor carnal para gerar um filho mas amor de pai que pretende ser pai… mas tu não foste ouvido, não o podias ser… mas sempre pensei que a vida nasce sem que a gente a provoque, ela nasce pela simples razão de que tem de ser…

E num determinado dia, rasgando as carnes de tua mãe, vieste beijar a luz deste mundo que tão diferente é daquele em que, durante 9 meses, te escudaste das maldades que nos rodeiam e nos provocam náuseas por não sabermos como evitar tais momentos…

Esses 9 meses de gestação prodigiosa que somente Deus pode conceber e permitir, foram meses de acalentadas esperanças pelo dia tão ansiosamente esperado; 9 meses de fortuna espiritual por te saber ali, por te saber vivente e prodigiosamente sobrevivente num mundo perfeito que somente se conhece mas não se sente pois não nos lembramos nunca de como se passaram esses momentos “lá dentro”…

E quando, então, rasgaste as carnes maternas eu chorei de alegria por saber que eras algo meu, algo vivo, materializado, que tinha vindo de mim e se transformado dentro do ventre materno; sim, chorei de alegria por te saber ali a meu lado e por saber que estava a teu lado…

Mal te pude pegar, pois tinha medo de te magoar; não queria macular com as minhas mãos aquilo que estava imaculado, pois naquele momento nenhum pecado poderias ter cometido pois estavas ali por vontade suprema de Deus Pai e que ninguém me diga, que ninguém me ouse dizer que um recém-nascido vem maculado por qualquer tipo de pecado… Deus te criou por meu intermédio no ventre de tua mãe; nasceste por vontade Dele, logo não cometeste qualquer pecado e abençoados todos os que nascem por vontade única de Deus Pai.

Os anos que se seguiram foram anos de alegria e anos de espanto pelas habilidades que davas a conhecer aos que te rodeavam de amor e carinho…

E numa criança te tornaste e como criança cresceste para o mundo; percorreste todos os caminhos normais e habituais que qualquer criança costuma percorrer: os trambolhões, os choros, as maleitas, a escola… a entrada pela porta da vida prática de qualquer ser humano…

E muito cedo num homem te tornaste, pelo abandono forçado que tive de te proporcionar por razões que não te diziam respeito e das quais não eras responsável nem sequer tinhas nada com elas… então, porque razão haverias de sofrer pelos erros cometidos pelos outros, especialmente pelos dos teus progenitores? Que pecado cometeras tu para pagares pelos erros dos outros? Que mal fizeras ao mundo para ele te responder dessa maneira? Que tinhas tu a ver com as agruras da vida de teus pais se não eras a origem desse mal? Por que haverias de pagar por erros não cometidos?

Não te sei responder, meu filho.

Mas que pagaste…e bem…lá isso pagaste.

E esse preço faz parte da minha dívida para contigo; dívida que jamais poderei pagar, pois por mais que te ame, jamais te pagarei o sofrimento que te provoquei…

E esse preço faz parte da minha angústia para o resto da minha vida, pois por mais que te ame, jamais aliviarei a dor que sinto no meu peito…

E esse preço faz parte integrante do meu dia a dia, pois por mais que te ame, jamais sairá do meu peito a dor da dor que te dei…

Não te peço perdão pois não sou digno dele; não te peço que me releves todas as minhas faltas; não te peço que me compreendas; não te peço sequer que entendas…

Peço-te apenas que acredites na dor que vive comigo…”

Teu pai.

22/01/2005

fica

...Porque me persegue o desespero da espera que se esvai num grito de angústia que do peito ferido me sai?... Porque me persegue o desespero da fuga do grito que abafo no peito dorido como num forte abraço de dores sentidas e muitas vezes fingidas?... Pintadas de espaços vazios em salas desertas de amores perdidos e de certezas incertas; de fugas para a frente em direcção ao passado de um futuro que não vejo nem antevejo, nem anseio, nem prevejo e nem mesmo assim o receio...

Porque me persegue o desespero da espera que se esvai num grito de fúria incontida que de um peito ferido me sai?... Porque me persegue? Porque me segue? Porque vem?
Fica, deixa-te ficar... Não venhas ter comigo nem que seja apenas para sonhar...

20/01/2005

eu



...vivo comigo num acto de amor para comigo mesmo, ou seja, se não existir dentro de mim algo ou alguém que me diga "eu estou aqui a teu lado, contigo, para o que der e vier", então mais vale morrer pois a vida não terá sentido...

18/01/2005

nego

...nego a minha existência... porque não a entendo... apenas a pretendo... não sendo... sendo... o que sou que não compreendo... nego a minha existência... dependente de ser um ser... dependente de não ser o que sou... dependente de ter... de não ter... uma consciência que ainda não me deixou... nego a minha existência... porque ainda aqui estou... não estando... neste momento... versejando... eu não sou... eu não fico... eu vou... nego a minha existência... porque não sinto... a fisicalidade desta aparência... e a mim mesmo eu minto... como sendo uma miragem... da minha própria imagem... sem consciência... da minha própria ausência!...

15/01/2005

verso

…Deixem-me ser um poema!... Deixem-me ser todo eu um livro; queria ser todo eu algo escrito, algo para dizer ou ser dito!... Queria ser todo eu um poema para num livro à tua cabeceira pousar, sentir-me ser lido e nas tuas mãos versejar. Deixem-me ser um poema!... Se o livro que desejo ser, em livro um dia se tornar, que seja o livro do livro lido por todos os que precisam de amar... Sou assim, o poema desta manhã, as palavras desta tarde e os sons desta noite; sou a manhã deste poema e a tarde destas mesmas palavras, a noite dos sons do fogo que arde... Sinto assim a sua fragrância, numa ânsia de palavra dita ou mesmo de palavra escrita... Sinto o odor do poema versejado, ouvido, relido, mirado, querido ou até mesmo odiado... Sinto o cheiro da palavra que escrevo ou da palavra que leio... Sinto o poema dentro de mim com a manhã a nascer em ti ouvindo a tarde adormecer na noite do teu sonho de prazer... Sinto-me poema... Sinto-me palavra... Sinto-me viver... Deixa-me ouvir... Deixa-me ler, porque não quero sentir a dureza do insulto que o silêncio em mim provoca... Não quero ouvir os gritos lancinantes dum silêncio que tanto me choca; quero ouvir as palavras ditas; quero ler as palavras escritas; quero ouvir os sons que elas me trazem; quero ler as tonalidades que elas fazem; quero sentir o impacto do dito; quero sentir o embate do grito... Não quero ler a palavra não escrita... Não quero ouvir o silêncio do livro vazio... Não quero escutar o silêncio do dito não dito; quero sentir a pureza da voz que a palavra escrita me traz; quero sentir o estrondo do grito que a palavra dita me faz... Quero sentir que és; quero sentir que estás... Quero sentir as palavras e quero os livros com elas gravadas!... Deixem-me ser um poema!... Escrevo assim o poema desta manhã com as palavras da tua tarde e os sons da nossa noite e, se a noite chegar, sem que a manhã tenha surgido, não tenhas receio, não tenhas medo, porque mesmo assim eu te leio...

14/01/2005

abertura



"...na palma da mão vos recebo

...em orgias plenas de ternura

...sem remédio nem placebo

...apenas em simples textura

...sem elmo nem armadura..."

12/01/2005

o meu avô Nogueira

(...Viveu uma vida plena: cheia de valores morais do mais elevado que eu já conheci; viveu no seio da sua família que defendeu até ao último dos seus dias; viveu a harmonia do bem em companhia com a doçura da paz, mas ao mesmo tempo da ordem e do respeito por si próprio e pelos outros; homem com H grande, respeitador dos seus deveres e dos seus direitos, nunca ofendeu e nunca se sentiu ofendido; sempre perdoou e talvez também tenha sido perdoado se de algum pecado o tivessem acusado...
Viveu conforme a vida que lhe foi proporcionada e aceitou que a mesma tivesse tido o bom e o mau que ele soube enfrentar e dar de si próprio na defesa do bem comum nomeadamente na defesa de todos os que dele dependiam.
Hoje, mais de 45 anos passados da data do seu último dia neste mundo, ainda sinto uma enorme saudade daquele que foi meu "amigo" muito especial, um amigo daqueles que nunca se perdem, daqueles que estão e para sempre ficam na nossa memória, daqueles que recordamos com muito amor e carinho, daqueles que lembramos com orgulho por terem sido "dos nossos" !
Hoje, ao vir aqui lembrar a sua existência, apenas quero prestar a homenagem que nunca lhe prestei, a homenagem de vos dizer o quanto gostei daquele homem que soube sempre indicar-me qual o caminho a seguir e qual o caminho a evitar; nunca me proibiu de fazer isto ou aquilo, apenas me dizia que pensava ser melhor para mim se eu o fizesse daquela determinada maneira: teve sempre razão, pois ainda hoje sigo os seus eternos conselhos. Ao vir aqui lembrar, não o seu nome, pois não o conheceram e portanto o seu nome não interessa, mas sim a sua memória, pretendo apenas relembrar com amor aquele que representou para mim algo de muito especial, na medida em que tive o privilégio de assistir ao momento crucial da sua partida, ao momento muito especial em que ele deixou de existir fisicamente para passar a existir, para todo o sempre, na nossa memória, na memória que nunca nos deixará também até ao último dos nossos dias...)

...Tinha eu treze anos quando ele acamou com uma dessas doenças que não perdoam, mas que ele aceitou, consciente da sua pequenez neste mundo, consciente que aquela era a vontade de alguém mais forte que toda a força desta vida, para aquém e para além desta que temos. Durante dois anos houve momentos de dor e houve momentos de paz; nesses momentos mais felizes de paz, lá ia eu de mão dada com ele passear um pouco para aliviar a carga psicológica que ele sabia carregar e aguentar firme como uma rocha; pequeno de estatura, e magro para além da magreza da própria doença, ele dava aqueles passos com a firmeza de um homem que nada tinha a temer e tudo tinha a enfrentar; ele dava aqueles passos com a firmeza de um homem que não tem medo de nada, nem daquilo que ele já sabia ter de enfrentar um dia.
Os seus passos pequenos, mas firmes, faziam compasso com os meus, ainda pequenos também pela idade ainda de criança, mas sentia-me como que o guardião daquele homem que naqueles momentos estava à minha responsabilidade e isso dava-me uma grande felicidade por estar a seu lado; também eu tinha consciência da doença que o minava pouco a pouco, também eu tinha forças para enfrentar aquela estranha harmonia de paz que nos rodeava aos dois; uma paz diferente, um bem estar compartilhado e interligado pelas duas mãos que se davam uma na outra, como dois cúmplices conscientes do "crime" que estavam a cometer a bem da harmonia e da paz de espírito, pois era carinho o que nos rodeava e envolvia.
Mas o dia da partida (ou da chegada como ele dizia às vezes por brincadeira) estava próximo. E quando esse dia surgiu ele teve consciência desse facto e soube-o enfrentar com uma dignidade que ainda hoje respeito e sempre respeitarei.
Deitado na sua cama e eu sentado a seus pés ele me olhou: os seus lábios já muito finos, mas firmes, disseram: "Vai chamar a tua Avó". Corri pelo corredor e fui chamar a minha Avó que, como sempre (toda a sua vida), estava agarrada aos tachos no fogão de lenha; na cozinha pairava um cheirinho a sopa quente (Meu Deus, que saudades !).
-"Bó.. o vô chamou-a."Ela largou o fogão, limpou as mãos ao seu avental e dirigiu-se para o quarto onde ele estava; segui-a logo. Ela entrou no quarto e eu fiquei à porta vendo.
Naquele momento, todo ele se transformou: na sua frente estava a sua Maria de todo o sempre, a Maria que sempre o acompanhou e que lhe deu as quatro filhas que ele tanto amou, a Maria que tantas vezes ele arreliou e ela perdoou. Na ombreira da porta eu assisti: a sua face pálida ganhou cor, os seus olhos pequeninos brilharam de plena felicidade e a sua boca se abriu com um enorme sorriso ( o maior e mais bonito sorriso de felicidade que eu já vi em toda a minha vida !) e disse: " Maria, senta-te aqui."Minha Avó se sentou à cabeceira da cama e ele com o mesmo sorriso disse já numa voz mais apagada: -" Abraça-me."... Minha Avó o entrelaçou e eu vi os seus olhos pequeninos fecharem-se para todo o sempre, acompanhado com aquele sorriso lindo de felicidade !...

10/01/2005

acordei 2 (segunda carta)

"...continuo a acordar todas as noites... não há forma de o evitar... a tua ausência incendeia-me os sentidos... a tua falta provoca-me esta ânsia de te sentir presente... sofro neste sofrimento sofrido de dor e solidão...já não sei quem sou... também não interessa... lembras-te da última carta que te escrevi... sim, daquela em que acordei às 3 e 15 da manhã? Essa...sim, quando senti a tua falta e me acariciei como se fosses tu que o estivesses a fazer... oh meu amor, como sinto a tua falta!...
Não, não sei que horas são... até o relógio me tiraram deste sepulcro... olho pelas frinchas da janela e vejo luar... não sei a quantos estamos... mas isso tem importância? Que valor terá o dia em que me encontro se não te encontro num só momento? Desespero neste tormento de sentir a tua falta e não te sentir a presença... Como poderia sentir se tudo o que sinto é dor? Todos os nossos momentos me passam pela memória e esta lembrança chora, chora como se fosse ela a minha própria alma e eu não existisse...
Aqui onde estou não me lembro do que sou, só me lembro de ti e de todos os momentos em que estive contigo e contigo vivi... Sim, agora não vivo, apenas recordo... Dizem que recordar é viver... oh meu amor como pode ser viver se cada vez que me lembro, sinto que estou a morrer... as tuas mãos estão aqui no meu peito apertando-me os seios como tu tanto gostavas de fazer... a tua boca na minha boca e a humidade da tua língua na minha língua... o doce beijo nos meus mamilos e como as tuas mãos me penetravam com doçura e força ao mesmo tempo... oh meu bem, como te amo tanto... como te quero tanto... oh meu bem que lágrimas tão amargas estas que broto a todo o momento... olha, devem ser 4 da manhã... vem aí a enfermeira com a injecção do costume... continuam a dizer que esta minha loucura não tem cura... eu sei que não tem, como poderia ter? Como me posso curar da tua ausência? Como posso viver nesta minha morte? Não sei meu amor, não sei.
A enfermeira me aconchegou os cobertores... sabes, está frio e sinto frio dentro de mim... já não consigo falar... apenas olho no vazio... neste vazio que me preenche... Mas não preciso de mais nada, basta-me a lembrança dos momentos que vivemos... basta-me esta dor que vive comigo... bastam-me estas lágrimas... o meu pão de cada dia... o meu alimento neste vazio... sinto os olhos pesados... sei que vou dormir mais um pouco mas estou feliz pois vou dormir contigo nos meus braços, nestes braços que não te sentindo te lembram, te tocam, te apertam contra mim... lembras-te de quando adormecíamos assim? Como era bom acordar a meio da noite com os braços dormentes e sentir o calor do teu corpo abrasar este meu ser que de tanto te querer te perdeu... oh meu amor, como te amo... como sinto a tua ausência... vou dormir... até mais logo... lembra-te de mim como me lembro de ti... um resto de noite feliz, meu amor...
a tua Maria..."

09/01/2005

vontade



...palavra maldita que de bem dita se torna altiva, serena postura de quem diz que quer e ao mesmo tempo não sabe se quer; de quem sente e não sabe se sente; de quem corre quieto em espaços-tempos delineados no esquecimento da lembrança, do saber-me aqui sem prazo nem limite até ao termo concedido de ser e olhar e... não ver nem saber...
(photofrom:middlearthits)


08/01/2005

impotência



...há muito tempo que não vos falava dos meus pardais... hoje, tive o prazer de contar uma dezena deles na varanda da minha cozinha (local onde lá vão procurar os bagos de arroz que lhes dou) e consegui ser feliz ao vê-los ali mais uma vez... foi, no entanto, uma forma de me recordar daquele dia em que "segurei" a vida de um deles, durante algum tempo, na minha mão e no habitual acto de impotência que o Homem tem de "segurar" a vida, sentir também o último bater daquele coração...


06/01/2005

brotado

...abre-se este espaço para escrevermos algo que precisemos de brotar de bem dentro de nós para cá para fora, ao fim e ao cabo, dirigido a todos vós, a todos os que nos lêem, a todos os que, com uma certa dose de curiosidade ou de paciência, procuram uma razão (um valor) naquilo que foi escrito, ou simplesmente deixado aqui dito...
...é isso, a maior parte das vezes, aquilo que faço; vir aqui dizer ainda aquilo que não sei que dizer, esperando apenas que as palavras surjam dos meus dedos que batem nestas teclas; mas isto já todos sabem porque já o afirmei muitas vezes que não elaboro os meus textos; deixo-os ir à deriva pelo espaço que este espaço permite; por vezes, surge uma paragem para retocar um caractér que foi mal teclado ou para colocar um acento (que às vezes nem sabemos se estará ou não correcto; já passei por muitas alterações ortográficas que agora nem me preocupo com isso; porém, tento escrever as palavras com a lógica que elas me provocam) agudo ou grave numa palavra, por ventura, sem acento mas que, às tantas, assenta bem naquele sítio, naquela frase ou naquele dito... escrevo então o que a mim próprio dito, seja bem ou mal dito!...

04/01/2005

medir

...um dia, há milénios passados, perguntei se amar tinha medida, ou peso, ou tamanho; nessa altura, a minha caminhada ainda era prematura e ainda muito "verde" nos caminhos da vida; e nunca ninguém me soube responder e eu, ainda que repetindo a pergunta muitas vezes, nunca sabia "como" amar; se amar deste tamanho, se amar com este peso, se amar de determinada forma ou feitio; se amar tivesse medida eu queria amar com o máximo que ela tivesse...
...um dia, há milénios passados, deixei de me preocupar com a forma, com a medida do Amor; pela simples razão de que, durante toda a minha demanda, jamais houvera encontrado essa mesma bitola, essa fita métrica ou essa balança...
...e foi nesse momento, quando deixei de procurar como é que deveria Amar, de que forma é que deveria "usar" o Amor (como que fosse um componente para se fazer um bolo), que eu descobri que o Amor não tem medida...
...o Amor jamais se pode medir, o Amor apenas, é...
...é amando, é dando-nos completamente numa entrega absoluta, que se consegue amar...
...e quem o conseguir fazer, para além de tudo que possa transmitir aos outros, será ele mesmo, uma pessoa inteiramente feliz...
...não, não amo muito... não, não amo com todas as forças da minha alma... não, não enlouqueço...
...amo, apenas...

03/01/2005

02/01/2005

mutantes



...de braços erguidos ao alto, desesperadamente desnudados, aguardam pacientemente a vinda da Primavera para que de novo se tornem vivas...

01/01/2005

escolho

...escolho não possuir o que quer que seja, nem sequer o dom de suportar a dor nem o pecado da inveja dos que a suportam...
...escolho não possuir o que quer que seja, nem o dom de iluminar as trevas nem o pecado da inveja dos que a iluminam...
...escolho nada possuir mas escolho saber que nesse nada que possuo, cabe tudo o que me vai na Alma e a firme vontade de sorrir a todos vós e crer (querer) dizer-vos:
..."Vão em frente!..."

30/12/2004

natureza



...em finais de ano, a morte marcou presença no oriente (como marca todos os dias em toda a parte do mundo...) duma forma devastadora... que esta "imagem" simples, que de tão simples se torna complexa, assinale tão somente a certeza de que o Homem continua "verde" sentado num "chão" duro que não consegue dominar; porém, que o verde da maçã seja e possa continuar a ser o símbolo da esperança e que a madeira possa simbolizar o espírito que, apesar de todas as vicissitudes, não vergará nunca ao desejo de manter essa mesma esperança no cimo de todos os seus ideais...

29/12/2004

gostaria

Gostaria de vos dizer que tudo vai bem. Gostaria de vos dizer que tudo corre às mil maravilhas. Gostaria de vos dizer que o Homem vive feliz. Gostaria de vos dizer que a Humanidade está vivendo momentos de grandeza tanto física com intelectual ou mesmo espiritual. Gostaria de vos dizer que finalmente a fome acabou no Mundo. Gostaria de vos dizer que não há mais crianças chorando. Gostaria de vos dizer que não há mais pessoas sofrendo o isolamento. Gostaria de vos dizer que os homens de idade um pouco mais avançada sorriem. Gostaria de vos dizer que finalmente os governantes deste Mundo chegaram a acordo e que todos se uniram para desenvolver a paz, a ciência, o bem comum, a democracia, o abraço fraterno. Gostaria de vos dizer que a ONU engloba todos os Países do planeta. Gostaria de vos dizer que já não há guerra no Iraque. Gostaria de vos dizer que já não há fome. Gostaria de vos dizer que já não há barracas nos arrabaldes das grandes cidades. Gostaria de vos dizer que já não se vê mãos estendidas a pedir esmola. Gostaria de vos dizer que a Sida acabou, que a ciência irradicou para sempre a doença, que já não há necessidade de Hospitais. Gostaria de vos dizer que já não há prisões, que o crime acabou, que os homens já não precisam de roubar porque possuem bens. Gostaria de vos dizer que tudo o que nos rodeia é limpo, é ecológico, não faz mal à saúde. Gostaria de vos dizer que já não se matam focas, nem baleias, nem renas, nem ursos brancos, nem leões, nem tigres, nem homens. Gostaria de vos dizer que os rios já não estão poluídos e que as praias não estão sujas. Gostaria de vos dizer que se acabaram as discussões, e que o consenso é geral. Gostaria de vos dizer que já não há droga das escolas. Gostaria de vos dizer que os brinquedos não incluem os que podem induzir à violência. Gostaria de vos dizer que acabaram os assaltos, os raptos, as violações. Gostaria de vos dizer isto tudo mesmo sabendo que seria uma utopia... Gostaria.

Mas... não posso !

28/12/2004

time



...somewhere in this blog, a simple but mysterious "M.", wrote: "...Late in time but in nothing more..."

26/12/2004

realidade

...ainda há bem pouco tempo, há minutos, aterrei em mim mesmo e confirmei a minha "nudez" de tudo... indaguei o porquê das coisas e ainda me senti mais "vazio"; menos cheio de tudo e mais vazio de nada... o que ao fim e ao cabo nos faz estar na "terra" são os momentos em que sonhamos que não pertencemos aqui: - é nesses momentos que na verdade somos totalmente felizes...

22/12/2004

natividade



...este é o meu presépio... singelo... o suficiente para vos desejar a Todos, do fundo do meu coração, um FELIZ NATAL cheio de amor, porque Amar foi, é e será sempre o caminho...

19/12/2004

acordei 1 (primeira carta)

“...acordei por volta das 3 e 15 da manhã... sim, era isso... olhei para o relógio da mesinha de cabeceira e marcava 3 e 15... é um relógio daqueles de ponteiros luminosos. Olhei para o tecto sem saber porque razão acordara, mas lembro-me que talvez tenha ouvido a porta de um carro, lá fora, a bater ao fechar-se... olhei de seguida para os buraquinhos das frinchas da persiana da janela e divisei a luz da noite... a rua tem candeeiros e vê-se essa luz ainda que difusa mas vê-se. Senti o corpo morno e passei a minha mão pelos meus seios acariciando os bicos do peito. Deixei a minha mão descer pela barriga até sentir o meu sexo e desejei ter-te ali comigo... a minha mão acariciou os pelos púbicos e lentamente introduzi um dedo na minha vagina. Deixei-me estar assim durante uns momentos e lembrei-me de ti... lembrei-me de todos os momentos que te tive e que a meu lado te senti... Sabes, quando me abraçavas e me sentia pequenina, dessa forma mágica que tens de me abraçar... quando me beijavas e me sentia desfalecer ao sentir a humidade dos teus lábios... sabes, não sabes? Sei que sim. Lembras-te daquele dia em que nos encontramos pela primeira vez? O dia em que nos olhamos e os nossos corações bateram? Aquele dia mágico que marcou o resto dos outros nossos dias?
...Acordei sem saber por razão acordava mas penso que a saudade marca o sonho e, se calhar, estaria a sonhar contigo. Lembras-te daquele dia em que estavas sentado no sofá da nossa sala e me ajoelhei a teus pés? Lembras-te de termos feito amor na mesa da cozinha? Lembras-te daquelas férias que tivemos na montanha e lembras-te de certeza de termos feito amor deitados naquele chão branco de neve... lembras-te de, no fim, teres lavado o teu sexo com a fria neve que estava ao nosso lado? Lembras-te como ele ficou pequenino por causa do frio? Lembras-te como nos rimos às gargalhadas? E daquele dia que fizemos amor no carro? A meio deste um grito porque te aleijaste numa perna no travão de mão? Sim, porque não te haverias de lembrar, se eu me lembro tão bem... e daquela outra vez na praia, escondidos numa duna, quando eu fiquei cheia de areia...
...Acordei às 3 e 15 e já são 3 e 40!... 25 minutos a pensar nisto... sinto-te em mim, meu amor e não estás aqui presente... mas sinto-te... sei que sou eu que me acaricio mas é como se fosses tu... sinto como se fossem as tuas mãos, o teu corpo quente, o teu hálito a maçã que costumavas comer a toda a hora... eras doido por maçãs... nunca soube porquê... nunca considerei isso importante mas era importante para ti, não era? Os teus beijos quentes e húmidos num saltitar constante entre os meus mamilos e a minha boca. Como beijavas tão bem... mas sei que mesmo que beijasses mal, para mim era sempre bom, doce, quente, por vezes abrasador... como eu costumava dizer que acendias em mim o fogo da lareira sempre acesa... eu sei que fui sempre “louca” por ti mas tu sempre gostaste de mim assim... eu sei que sim... eu sentia que tu gostavas de mim assim... tu também eras louco, sabias? Sim, a tua loucura me incendiava e quando nos rebolávamos na cama parecia que tudo se partia e a cama chiava... como nós nos riamos disso... coisas giras e loucas, não eram? Meu bem, como me lembro de ti assim? Porque acordei eu a pensar em ti? Porque é que ainda penso em ti ou porque é que estou sempre a pensar em ti? Sabes que não há um único momento da minha vida que não pense em ti?
...Eu sei, eu sei que dizem que estou louca... mas eles não sabem que já não estou louca, já estive, sim já estive louca por ti... agora já não estou... estou feliz, triste mas feliz e tu sabes porquê, não sabes? Sabes, eu sei que sabes.
...Já são 4 da manhã. Acho que vou dormir um pouco. Penso que vou sonhar contigo e depois... depois voltar a acordar para pensar mais uma vez nos nossos dias felizes, nos dias que passamos juntos, naqueles dias em que a loucura era permitida e nada mais interessava... até ao dia em que te foste. Nunca soube porquê, porque me deixaste, porque não me quiseste mais... porquê, meu amor? O sono está a regressar... sabes, deram-me mais uma injecção e vou ter de dormir, sim? Eu vou dormir mais um pouco, meu amor... mais um pouco... mais um pouco... como ainda te amo... sim, serei sempre a tua Maria, meu amor... tua para sempre... para sempre...
a tua Maria..."

desejo



...desejo forte de um dia assim quando, neste Domingo cinzento, apenas olho para a chuva que cai aqui bem perto (e também dentro) de mim...

18/12/2004

completo

...no meu ventre não escondo nada... nem a noite nem a madrugada... no meu ventre guardo a mágoa... deste meu peito raso de água... no meu ventre explode o amor... que solto ao vento, se esvai... e em pélagos de sangue... no meu rosto ele cai... no meu ventre explode o amor... sentido, dorido, sofrido... amor passado, presente e futuro... no meu ventre escondo tudo... e com ele expludo... em míriades de estrelas... que vagueando pelos céus... enchem os olhos teus... no meu ventre escondo palavras... do meu ventre dou à luz as palavras... do meu ventre... de bem dentro de mim... me dou completo

não



...não é o Metro do Porto... mas gosto do "tom cinza" da foto...

17/12/2004

boletim clínico

...não foi possível salvar o olhito do Black... assim, ontem à tarde foi operado para se proceder à extracção do mesmo...
...encontra-se bem e em recuperação... ele agradece todas as vossas mensagens de apoio e carinho e envia-vos um sorriso de gratidão...

16/12/2004

inteligência pura

...tal como vos havia contado, no passado dia 20 de Setembro, o meu amigo Black foi atropelado por um outro animal que nem sequer parou apesar de ter dado pelo evento; na altura, e como existe aqui ao lado uma Clínica Veterinária, o Black foi lá internado e bem tratado; aos poucos lá foi recuperando e passado um mesito voltou ele novamente à "brincadeira" preferida que é andar a ladrar aos carros que passam; é um cão conhecido de toda a gente e todos gostam dele porque ele gosta de todos...
...ontem, de manhã (eu não estava em casa mas minha mãe me contou e depois vim a saber o resto) o Black surge aflito na cozinha aqui de casa, muito cansado, língua de fora e a pingar sangue; minha Mãe aflita gritou por ele mas ele deve-se ter assustado e então fez o seguinte:
- desceu as escadas, rumou ao portão, saiu para a rua e dirigiu-se à Clínica; subiu as escadas desta, entrou na sala de espera, entrou pelo corredor adentro e entrou na sala de consultas onde se encontrava a Médica de serviço; já junto dela, com a pata chamou-lhe a atenção e ela viu de imediato que o animal estava ferido!...
...ainda lá está em observação...
...falei agora com o Médico, o Dr. João, que me disse que provavelmente o Black vai ter de ser operado para extração do olhito traumatizado...
...o Black não pode ser preso a uma corrente; o Black é o espírito da liberdade e eu não o farei nunca; por outro lado, o próprio Médico diz que prefere ver o Black morrer atropelado, mas feliz, do que morrer aprisionado e infeliz...
...não conheço (nem os Veterinários conhecem) caso algum em que um animal tenha recorrido por si mesmo ao "seu" médico para ser tratado!...
...digam-me se isto não é um puro exemplo de pura inteligência...
...digam-me se não é motivo para amar ainda mais os animais...
...para todos vós, um sorriso do Black (porque apesar de tudo, ele está lá com um sorriso no focinho)

15/12/2004

beatriz



...e porque hoje, a minha netinha, faz 8 anos, como não podia deixar de ser, lhe deixo aqui um beijo enorme e uma das minhas preferidas rosas, a dourada, porque dourados são os seus cabelos...

13/12/2004

universos

…tenho “defendido” há já alguns anos, a ideia de que o Universo não é aquilo que nos dizem que ele é mas sim aquilo que eu digo que é! Isto nada tem a ver com presunção, tem a ver com a realidade que cada um de nós “fabrica”…Não és tu ou ele que me diz o que é a minha realidade ou a minha verdade, da mesma forma que ninguém me diz o que é ou como é o Universo; sou eu que “faço” o meu e cada um de nós “fabrica” o seu próprio Universo…O conhecimento que cada um de nós possui da realidade que nos cerca, é um “saber” individual (ainda que possua saberes colectivos) pois ele é obtido através dos nossos sentidos que transmitem ao nosso cérebro o que nos rodeia…Nada mais “objectivo” do que se afirmar que um invisual não “vê” e por muito que se lhe diga o que é a Lua, ele fará sempre um ideia por ele “fabricada” e nunca conceberá a “minha” Lua…A Lua que eu vejo não é a mesma que ele “vê”…Daí que, não existe um Universo único igual para todos; existem biliões de Universos, um para cada um de nós, um para cada ser que o vê, o cheira, o ouve, o saboreia e o sente…Não é difícil “provar” esta “tese”; parece que numa forma primária a simplista, todos estarão de acordo comigo, já que cada um tem a sua própria verdade, ainda que existam verdades universais (sei lá, por exemplo, o sol é uma estrela e está quieto, sendo os planetas que giram à volta dele…) elas não se “cimentam” universalmente na medida em que esse “saber” não é possuído por todos os seres humanos…Geneticamente trago comigo a memória dos genes de meu pai e de minha mãe; trago comigo alguns saberes mas outros foram adquiridos por mim e não por eles; criei os meus “dados”, elaborei as minhas “listagens”, fiz os meus “mapas”, etc., em tudo de uma forma muito diversa dos deles…Assim eu tenho o meu Universo e minha mãe, por exemplo, com quem vivo num mesmo espaço e num mesmo tempo, tem o Universo dela…O meu Universo tem galáxias; o Universo de minha mãe não tem…O meu Universo tem um satélite que gira à volta do meu planeta, que recebe a luz do sol e a reflecte para a terra; o Universo de minha mãe tem uma lua que vai crescendo e que tem luz à noite e que depois desaparece mingando aos poucos…O meu Universo tem sistemas estelares a milhares de anos-luz; o Universo de minha mãe tem pontinhos brilhantes que se acendem à noite e que estão ali em cima…O meu Universo tem o sentido da perspectiva; o Universo de minha mãe não tem…O meu Universo tem coisas imensas que não existem no Universo de minha mãe…Então, como pode ser?…O grande “problema” é que os nossos dois universos não se complementam nem interagem; pura e simplesmente não coexistem por serem diferentes; desta forma, pergunto como posso existir num Universo onde minha mãe não existe e, da mesma forma, como pode ela existir no meu?!...A que se deve então a existência de dois universos distintos se ambos possuímos idênticos sentidos? A resposta deverá estar, por certo, na aculturação de cada um de nós ou no acumular de conhecimento que cada um foi adquirindo… A pergunta seguinte será saber se o Universo é uma “forma” de conhecimento ou uma verdade universal?...

12/12/2004

mãe



...e porque hoje, minha mãe faz 89 anos, lhe ofereço uma rosa porque rosada ainda é a sua face; e ela fez questão de referir que uma das prendas que recebeu foi a vitória do seu amado F. C. Porto com a conquista da Taça Intercontinental...

10/12/2004

anil

"...no desespero da minha impotência febril duma vida gasta no mundo que me rodeia, eu vejo a tristeza estampada em teus olhos, cor de anil, azulados pelas mágoas sofridas num mundo perdido na dor que odeias; pela razão do existir, sem poder deixar de permitir que a vida dite as vindas e as idas nas lágrimas dum olhar pendentes, de certezas gastas e de vazios esgares...
...por não haver pão, nem ceias, nem lares...
...e aqui estou, febril de medo e de raiva, por não ter força, nem poder para o mal afastar, desaparecer...
...e aqueles teus olhos de anil olhar, fugidios de um afago, dum apelo, dum sorrir, quem sabe se dum dar, perseguem-me no perto do aqui estar, no longe do não saber partir e me ver ficar...
...sem nada fazer para aquela cor de anil, mudar..."

09/12/2004

obrigado

...um obrigado do fundo do coração a todas as pessoas que, duma forma ou de outra, por aqui, por mensagens ou por telefonemas, se associaram ao meu aniversário e me deram a alegria de me saber acompanhado, no mínimo, em espírito...

...para toda a gente o meu habitual terno e eterno abraço...

08/12/2004

birthday



...e porque hoje comemoro mais um ano de vida, venho aqui referir esse facto na expectativa de me ir lembrando sempre que ela, a vida, mais não é do que o que dela fizermos, o que dela quisermos e principalmente o que para ela escolhermos!... O meu terno e eterno agradecimento pela vossa habitual presença...

07/12/2004

ser

"...meditar um pouco, ainda que no bulício da vida ou no deambular dos silêncios que me cercam; meditar um pouco, mesmo que o vazio me preencha e nada me faça sentir que estou; meditar um pouco, ainda que o nada seja o tudo que procuro..."

06/12/2004

diurno

...queria tanto ser o mar... Para te sentir dentro de mim a nadar, esbracejando vigorosa e forte em longas braçadas de vida e respiração molhada... Para te sentir a pele gotejada da minha maresia em total contorno da tua existência e contínua persistência... Para teus lábios beijar com o sal ardente deste meu ser em contínuo movimento que de doirado e sedento se move para dentro... Para teu corpo desejar e em ondas te tornar e à minha volta te jorrar quando na cálida areia me espraiar... Para sentir o calor intenso do sol me banhar, aquecendo-me para que teu corpo não tremesse de frio ao em mim penetrar... Para teus seios ondular na massa informe do meu ser que de moldável e suave permite a ternura em mim nascer... Para sentir tuas fortes pernas afastar-me e em desenhos lindos e simétricos vencer a maleabilidade do meu ventre, para sempre... Para em gotículas me espalhar na tua vida em crescendo quando nua na praia secas teu corpo ao vento num lânguido movimento... Para te chamar e te ver correr para mim, a saltar, como gazela fugindo num monte de alguém que a quer caçar... Para te chamar e te sentir mergulhar de braços estendidos e de cabeça defendida, numa entrada sulcando meus sentidos... Para te aconchegar dentro de mim e com ternura te abraçar num longo e eterno movimento de loucura... Para viver o instante do meu único momento insano na procura do ser que me fizesse ver que mais não sou que o desejo de te ter...

...e retomado do fim de tanto prazer, depositar-te na areia doce e quedar-me duma vez por todas, ali, parado, para te ver!...

...Como eu queria ser o mar...

05/12/2004

leito



...ali em baixo, num outro comentário, Betânia pergunta porque razão a minha paixão por Tomar; que melhor razão poderá haver na que nos apraz tão somente recordar locais por onde a nossa "caminhada" prosseguiu um rumo, por onde os sons do passado ressoam ainda nos nossos corpos e nas nossas almas, por onde os sentidos remontam a milénios de vida, de vivências sofridas?... Para além disso tudo, Tomar contém "história", Tomar contém "magia" e sobremaneira, memória!...

04/12/2004

nocturno

...Em frente ao espelho da cómoda do teu quarto, sentada num banquinho forrado a tecido de cortinado vermelho, penteavas os teus cabelos, num ritual que funciona mesmo sem dares por isso... a escova passava ora uma, ora duas vezes, de cima para baixo e alisava os teus cabelos sedosos, cor de mel e de marfim... brilhavam no espelho e te revias momento a momento numa expectativa de mudança, o que não acontecia pois não podias ficar mais bela do que aquilo que já eras... a beleza em ti não residia nem morava ... era!... A tua camisa de noite, acetinada bege, de rendas sobre o peito alvo de seios firmes e redondos, deixava transparecer a cor da tua pele suave e doce ao olhar sem ser preciso tocar... a tua cama de lençóis de prata, aguardava o teu corpo numa ânsia lasciva de quem à noite, só, te espera num desespero de intocabilidade... e tu, demoravas... da cómoda tiraste um frasquinho de perfuma e te ungiste com ele o que provocou um agradável respirar a todos os móveis que te rodeavam... e a tua cama, ansiava pela tua presença... e o teu corpo demorava a conceder-lhe esse desejo... levantaste-te de frente do espelho e te miraste novamente de corpo inteiro e gostaste da tua imagem alva e bela naquele quarto iluminado pela tua presença... olhaste de soslaio e sorriste... sentaste-te na beira da cama e esta suspirou docemente perante a antevisão de que breve te possuiria.
Tiraste os teus pézinhos leves de dentro dos chinelos de cetim vermelho, levantaste um pouco o lençol e te entregaste total e lentamente ao prazer de estender do teu corpo e da entrega final ao teu leito... a tua cama nem sequer se moveu... aquietou-se para não te perturbar, para que não te arrependesses daquilo que acabaras de fazer, com medo que te levantasses e ela te voltasse a perder... a tua cama inspirou baixinho a fragrância do cheiro da tua pele e deixou-se ficar aguardando o teu próximo movimento... deitada de bruços te deixaste finalmente ficar e tua cabeça leve pousada de mansinho na almofada, arfava lentamente o teu respirar de prazer por mais uma noite de descanso e de sonhos...
Teus olhos semicerrados viram a lâmpada acesa e teu braço se estendeu ao interruptor da mesinha de cabeceira para a desligar; os teus movimentos eram propositadamente lentos para que o tempo demorasse ainda mais do que aquele que já existia... e a tua cama sentia... na obscuridade do teu quarto, teus olhos semicerrados olharam o tecto e se fixaram na sua alva cor que permitia uma réstia de luz no meio da escuridão... olhaste a janela e pelas frinchas da persiana, divisaste a luz cinzenta duma lua crescente... avizinhava-se uma noite de lua cheia e teu corpo descansou por um momento... a tua cama então suspirou e te abraçou fortemente... em suas mãos te acabavas de entregar... e o sono chegou.... adormeceste... não sei mais o que se passou... a noite decorreu, teu corpo diversas vezes se moveu... a tua cama não se movia, com receio de te acordar; abraçava-te sempre para não te deixar fugir... sentia-te sua e possuía-te num sonho imenso de impossibilidade, de impotência, de raiva, por não te conseguir ter tendo-te ali... tua mente adormecida, movia-se e sabia-se que sonhavas... a tua cama te tinha ali, indefesa, sozinha... sonhavas e eu aqui, nada mais te pedia... nada mais desejava...
Queria apenas ser o teu sonho...

03/12/2004

Tomar



...a pedido do Alexandre Narciso, mais uma vista daquela bela cidade...

mudar

Querer (crer) a mudança. Crer (querer) e mudar. Palavras que nos impõem posturas de altivez perante a vida. Quero, posso e mando! Logo, mudo! Porque quero. Porque creio. Mudar. Mas, mudar como? Apenas crendo (querendo)? Basta querer (crer)? É assim tão simples e tão fácil? O desejo deve superar tudo e todos? O nosso querer (crer) sobrepõe-se ao crer (querer) dos outros? Não, não creio (mas quero). Anseio. Desejo poder crer (querer). Desejo poder querer (crer) mudar. Mas a luta é dura, demasiadamente dura. As pedras do caminho derretem-nos a vontade de avançar. E apenas, lentamente, muito lentamente se consegue (querendo) crendo, ir. Apenas continuamos a perguntar: ir para onde? Se não sabemos o caminho?!... A resposta é sim fácil de dar: Basta caminhar! É isso que faço, não porque queira (creia) mas porque o tenho de fazer. Não posso parar, não quero parar; quero caminhar; não porque creia que caminhar deva ser feito mas porque quero caminhar; não porque queira caminhar mas porque creio que devo caminhar. E é esta duplicidade dentro de mim que me está destruindo: o querer (crer) e o não crer (querer); o ir e o ficar; o ser e o não ser. Dilema terrível que destrói. Magoa. Mata. Corrói. E, no entanto, amar é preciso. E, no entanto, sorrir é dever. E, no entanto, caminhar é crer (bolas, nunca querer!). Caminho porque creio. Sei-o!.

02/12/2004

aqui

...as pessoas crescem "suavemente" e "pragmaticamente"...

...disto eu não tenho dúvidas pois tudo o que cresci eu não notei...

...só agora noto e descubro que, apenas, cresci...

...não me senti crescer...


...não senti o tempo passar...

...não peguei no esqueleto e não reconstruí o corpo...

...apenas e tão simplesmente...

...aconteceu...

...estou aqui...

...no outro lado do esqueleto...

01/12/2004

espírito



...começou o espírito natalício, o espiríto de família, a paz que se deseja...