21/05/2005

desejo

"...desespero na minha esperança de te ver doce e acre no meu ser... desespero na minha esperança de te ter bela e pura no meu coração... de luzes brilhando na minha escuridão, de perfumes banhada no meu mar, de anseios tantos que já não sei contar... como te espero tanto! Porque não vens? Porque não apareces na minha visão de luzes brilhando num manto de solidão. Porque não apareces na minha mente sedenta e nua do teu ventre como mãe surgida do nada do meu querer... porque não apareces na névoa quente do dia que passou ou do dia que virá? Porquê ? Desespero na minha esperança de te ver doce e acre no meu viver. Vem até mim Ninfa, Sereia... Todo eu, manto de plena areia, pronto a receber a alva espuma do teu espraiar... vem até mim Ninfa, Sereia de todo o meu mar!... Como te espero, como te quero... Vem..."

20/05/2005

azul


...hoje apeteceu-me postar um azul sobre o meu azul para lembrar o nosso azul de ontem...

19/05/2005

tudo

"...hoje não me apetece dizer-vos o que quer que seja... apetece-me apenas recordar o dia que passou rápido por mim... apetece-me recordar os momentos agradáveis... e somente isso, nada mais... nada mais vos dizer do que apenas o que acaba de ser dito, assim directo, simples mas tão cheio de tudo o que desejei..."

18/05/2005

17/05/2005

silêncio

"...O silêncio está em vias de extinção... Parece ser um mundo perdido, exilado, depurado da sua sensualidade.. Por isso ainda vai havendo gente (afortunada?) que se refugia no resto que ainda resta do silêncio, reconstrói uma casa abandonada num sítio onde uma"civilização", ainda incipiente... espreita. Um sítio ainda sem caos, sem o fulgor dos hipermercados, sem as notícias a correr. E transforma uma eira abandonada num jardim de rosmaninhos e flores de alfazema. Um sítio que pode ser aqui, nesta cidade, num recanto qualquer... Reconstruir o silêncio, num vaso à janela, num passeio á beira rio, numa história que se conta... no prazer duma noite reencontrada... Vamos dar força ao silêncio? Como se ele nos levasse ao encontro de nós? O silêncio... que nos permita sentir, sentir, pensar, meditar... O silêncio... que nos permita contemplar, com surpresa e júbilo... O silêncio... que nos faça sentir a presença de alguém... O silêncio... que nos transforme os gestos... O silencio que nos murmure... O silêncio... que nos permita falar sem falar... O silêncio... que nos dê a presença de alguém, algures ao longe... O silêncio... do nosso encantamento. Precisamos de nos encantar... Projectar em nós, por entre cinzas e lágrimas, a forma mágica de ousar sentir, de ousar ser, sem limites... sendo apenas nós, mesmo em tardes de sol quando se está triste e o limite parece aquém do horizonte. Precisamos de sermos imaginados, com encantamento, por alguém... Alguém que nos aconchegue ao mundo, discretamente, e que entre o burburinho dos gestos vazios, nos escute... e seja o fulgor magnífico do nosso próprio silêncio... Alguém... Nós, tu. Somente alguém. Talvez apenas esse silêncio.
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(texto de autoria devidamente identificada)

16/05/2005

colorida


...não sou vegetariano, mas gostei tanto da cor que me atirei a ela; à salada, claro...

15/05/2005

relaxando


...ouvindo o som do silêncio de mansas águas...
...neste Domingo, ao fundo, a Barra de Aveiro...

14/05/2005

o "Almirante"


...chamavam-lhe "O Almirante" pelo seu porte altivo, pela sua nobreza, pelo seu carácter, pela sua soberba figura de gigante; nos seus 2,10 m. de estatura; assim era o pai do meu pai; ainda me lembro dele e da sua voz grave; ainda me lembro da sua agonia no leito onde suspirou pela última vez; foi há mais de 55 anos; hoje lembrei-me dele apesar de todos os dias passar pela parede onde ele se encontra emoldurado nesta foto; diziam que ele era especial; diziam que o meu pai, já casado, ainda levou uma estalada dele; era apenas um simples funcionário alfandegário, no entanto, tratavam-no por "Almirante"!...

13/05/2005

antítese

"...Porque te sentas de pernas cruzadas sobre a nudez do teu silêncio? Para te ouvires desejando não ouvir o que não és capaz de pensar? Porque te sentas de costas voltadas à treva se da treva vem a luz que te cega? Para não olhares, para não veres o que sempre desejaste ver? Porque me dizes que sim quando do teu peito sai um gritante não? Para não teres de balbuciar um talvez? Porque pensas que pensas o que não pensas? Para pensares no que eu penso que tu pensas? Não, o melhor é mesmo não pensares. Porque sentes que a vida te foge por entre os dedos se as tuas mãos estão presas e cheias de dúvidas? Porque desejas libertação se o que intimamente queres é estar quieto na bonomia do turbilhão? Porque calas o teu grito se do fundo da tua mansarda revelas a negrura da alma que te compõe o sentir? Porque não mentes se é tão doce mentir? Porque não calcas a doçura do mel? Porque não espezinhas a palavra calada? Porque não escreves o nada que temos para dizer? Que te disse eu que tu já não soubesses? Aprendeste algo mais para além daquilo que já não sabias? Que sabes tu da ignorância que te cerca se a certeza de saber é apenas uma incógnita que nos abala a consciência de nada sabermos, ou apenas de sabermos que nada sabemos? Para que viemos aqui? Para que é que estamos aqui? Para dizermos tudo quando apenas dizemos nada?..."

11/05/2005

testemunho de amor e dor

...apenas porque conheço a autora deste texto; apenas porque conheço a sua dor; apenas porque sei quão grande mulher e mãe ela é; apenas em homenagem viva num grito de admiração, eu atrevo-me a copiar para esta minha humilde casa, o seu grito de amor/dor...
...um abraço enorme minha amiga e aceita este meu acto como oferta da paz que precisas...
...perdoa-me por este abuso:
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"…vou falar de AMOR. Há muito que não o faço… Faz agora um ano. As saudades do cheiro e de te ouvir aumentam. Continuo a acordar de noite e pensar que ainda te posso olhar nos olhos e dizer que te amo e saber que acalmas até para poderes respirar melhor. Reconheceres a minha voz, o meu cheiro, o meu toque e acabares por adormecer no meu colo. Continuo a sonhar…Acordar na realidade no meio disto dói e fico vazia, tu não estás cá, não estás mais cá. Há quem escreva uma música “Tears in Heaven” de Eric Clapton, há quem escreva um livro “Paula” de Isabelle Allende, eu grito por dentro, eu choro para mim, por ti, pelo meu egoísmo, porque sei que estás em paz, que finalmente dormes um sono verdadeiramente descansado. Todos me dizem: “Vai lá, vai vê-lo…” VER o quê? Pergunto!!! Uma pedra em que gravaram parvoíces, hipocrisias! Não consigo… Tu estás ali, mas não estás, não és tu! Fico zangada quando vou, zangada por ler, zangada porque até isso me conseguiram roubar, tiraram-me a última palavra. Bem sei que tu estás sempre comigo, continuas a ser a minha dor, apesar de saber que não haverias de gostar de me ver triste todos os dias. A tua irmã continua a ser o meu Sol, mas é por ti que continua a doer-me o coração, é em ti que penso desde o nascer do sol até ao pôr-do-sol. Desculpa, não consigo deixar-te ir, marcaste bem a tua passagem. Nasceste no dia de anos de teu pai e eu enterrei-te no dia dos meus… Só isto diz tudo… Este ano dei-te os parabéns, comprei-te uma prenda que nunca vais desembrulhar. Hoje deixo-te estas palavras aqui, porquê? Porque no sítio onde estás não é onde deverias de estar, porque fecho os olhos e vejo-te a seres levado para longe, estás frio e sempre quente dentro de mim. É contraditório eu sei. Deixo-te estas palavras aqui porque não vou escrever um livro, nem compor uma música. Porque quis gritar bem alto a minha dor, porque eu amo-te muito meu filho!..."
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(from: wingsofdesire in A&C Fóruns do Sapo)

09/05/2005

poema

"...eu hoje queria compor um poema para ti... queria dedicar-te, amor, a mais bela poesia que exprimisse a nostalgia das horas longe de ti... queria dizer-te quão triste é o ciúme que persiste e em minh` alma penetra!... oh... se eu fosse poeta!... quereria cantar o suavíssimo calor do teu olhar, e depois... depois rimar o nosso amor!... se eu fosse poeta, em estrofes dir-te-ia que és o sonho, és a magia que meu coração desperta... e cantaria no final um grande amor sem igual que em sonhos flutua!... e, com ternura e com paixão dar-te-ia meu coração, amando-te com todo o ardor, pois tu és tu, minha e meu amor!..."

07/05/2005

transmitir

“…não sei se alguma vez te disse o que sinto quando penso em ti… também não sei como descrever, como dizer?... é algo que, se calhar, não pode ser descrito; é só sentir, está dito!... Porém, também não sei se alguma vez te conseguirei dizer o que sinto quando penso em ti… às tantas, de tanto sentir, ficarei incapaz de o dizer, porque sentir é algo apenas e muito de cada um de nós… como é que será possível transmitir o que estamos a sentir dentro de nós?... Como fazer o outro “viver” a nossa forma de sentir?... Não sei, acho que não conseguirei nunca dizer o que sinto quando penso em ti, mas se calhar, é quanto baste, dizer apenas que sinto e ficares a saber que sim, que sinto algo que não consigo descrever quando penso em ti… por isso, olha, no mínimo tenta sentir que há algo que eu sinto e, se sentires é porque eu te consegui transmitir… e isso será muito bom…”

06/05/2005

05/05/2005

saldo

"...nunca estranho o sabor de uma derrota
...apenas pelo facto de já a ter combatido;
...não estranho, pela razão de que ele de mim brota
...em pequenos traços de um pincel combalido
...de pêlos de crina de algum cavalo um dia alado
...ou mesmo daqueles que cavalgam na vinda e na ida...
...é o sabor da derrota que me dá o gosto da vitória
...quando a alcanço no dia a dia em que debito a memória
...e na minha alma credito o saldo da minha vida..."

03/05/2005

acordei 3 (última carta)

“…já é habitual eu acordar a meio da noite; é sempre naqueles intervalos entre o efeito das drogas que me dão; aproveitei sempre esses momentos para te escrever, meu amor; porém, estou convencida que esta será a minha última carta e, sinceramente, não sei o que te quero dizer… meu amado, meu bem, meu doce, meu tudo, meu ser, minha alma, minha única razão de existir: não sei sequer se irás ler estas minhas palavras; como é hábito e tu sabes, devem ser 4 da manhã; está na hora de mais uma dose e a enfermeira deve estar a chegar; restam-me poucos minutos e estas serão as últimas que vou poder te escrever; as outras cartas que te enviei, onde recordava tudo o que de belo e bom tivemos durante os tempos em que estivemos juntos, também não sei se foram parar às tuas doces mãos, (tão doces de todas as carícias que me levaram ao êxtase e ao delírio, tão suaves que eram, meu amor, tão doces que as sentia em mim como se minhas fossem, como se me pertencessem desde sempre); não sei se te disseram como estou, não sei se sabes no que me tornei… mas, há cerca de meia dúzia de dias (como se contam os dias aqui?... não me perguntes porque não te sei responder…) ouvi-os dizer que já não havia nada a fazer e que a única forma era o isolamento total e final… vão, pois, privar-me da única coisa que tinha vinda do exterior: a luz da lua nas noites frias porque sem ti e da luz do sol gelado porque não a teu lado; tiram-me também o bater das gotas da chuva que me faziam contar os segundos em que olhava o tecto e recordava tudo o que fomos… vão, portanto, enviar-me para longe de mim mesma, encharcar-me de drogas e mais drogas para que eu não possa reagir e gritar como tenho gritado estes últimos anos; gritado por ti, meu amor, gritado pela tua ausência, pelo amor que tivemos, por tudo de bom que passámos, por tudo o que está gravado na minha alma, na minha pele, no meu ser, na minha totalidade… como dizer-lhes que não estou louca, como dizer-lhes que o que sou é apenas o resultado do que fomos; como dizer-lhes que nada tenho porque apenas e só tu me faltas e que nada mais desejo que não seja o que um dia fomos… queria, antes de ir, antes (eu sei) de morrer de falta de ti, olhar-te apenas mais uma vez; fixar teus olhos e sorrir no teu sorriso; tocar teus lábios e tornar-me num beijo; sentir tuas mãos nos meus seios e ser eu mesma esse toque; sentir teu sexo me penetrar e ser eu mesma a penetração… meu amor, apenas uma última vez e eu ficaria curada… mas tenho consciência (sabes aquela consciência que nos resta no intervalo curto entre as injecções) de que tal não vai acontecer e sei que o meu túmulo estará naquelas 4 paredes sem grades porque sem janelas; já tinha ouvido falar delas quando cá entrei… ouço passos; deve ser a enfermeira do turno da noite; deve ser a próxima toma de mais um calmante… o habitual, a norma, o gesto, o ritual, a morte em ensaio… sei que já não vou ter mais tempo; o tempo terminou… vou levar comigo todas as recordações que me restam porque nada mais tenho nem nada mais quero: quero apenas que não me tirem a recordação do som do teu riso, o sabor do teu toque, o brilho do teu olhar… isso eles não me conseguem tirar… é isso o que vou levar comigo… quando partir para sempre deste corpo físico que já nada sente, irás dentro da minha alma e serei sempre feliz para onde quer que eu vá, tu estarás lá… eu sei, meu amor, eu sei… me despeço para todo o sempre… deixo-te a minha paz, a paz que obtive na loucura do nosso amor, a paz que me toca ao de leve enquanto sonho contigo… nada mais resta… perdoa-me por te ter amado tanto; perdoa-me por não conseguir deixar de te amar; perdoa-me por te levar comigo no meu coração… adeus, meu amor
…a tua Maria

01/05/2005

destino

"...Ontem, inesperadamente, rompeste a chorar... De há dias para cá, que a melancolia te anda a torturar sem verdadeiro motivo, ou talvez mesmo conhecendo tu a razão... E´ talvez a tua verdade a tomar consciência do teu destino... Uma infinidade de pequenas coisas obscuras contribuíram para formar essa angústia que te oprime e te faz sofrer... E o coração, em tumulto, quisera gritar o desespero que os lábios não sabem exprimir... Pois bem, o teu pranto é semelhante à chuva de Abril que torna mais verdejante o jardim... Talvez, pelo contrário, não consigas chorar, e semelhante angústia sacode-te com violência e abala-te o coração, a ponto de desejares morrer... Somente os olhos reflectem a tempestade interior e buscam em vão um pouco de azul... E tens a sensação de que, se pudesses chorar, te sentirias liberta... Mas não és capaz, e nem sequer podes falar... Sim, a tua angústia é semelhante a um céu fechado, que um dia se abrirá para fazer triunfar o sol... Porventura a tristeza que sentes é já um presságio... Talvez uma oferta inconsciente de amor para com tudo e para com todos... Talvez e apenas o teu simples destino de mulher..."

30/04/2005

Beltane


...logo à noite, em meia lua, o fogo me rodeará e me irá levar para as legendárias paragens onde o amor que fecunda a terra, torna real a lenda que tanto encanta...
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(photo from druidry.org)

29/04/2005

abraço

“…queria expor a totalidade do meu ser no teu corpo; deitar-me nele e descansar… esperar a manhã seguinte sem alterar a forma de sentir… vibrar apenas com o facto de me saber em ti pousado ao de leve, de mansinho, como se lá não estivesse… delirar com os teus movimentos e sentir o meu corpo mover-se ao som dos teus… olhar-te os seios e sorrir nos teus mamilos… ver teu ventre quieto, dolente, ali à minha frente… tua sedosa pele em cheiros de jasmim ou de rosa pétala… deixar-me levar pelo teu sonho e pelo teu respirar… ondular… marear… vogar… fluir, ser e estar… e quando do sono o teu ser acordar eu olhar teus olhos matinais e neles me afogar… suster a respiração e desfalecer nos teus braços…”

28/04/2005

27/04/2005

subscritas

"...Gosto de ti não só por causa de quem és, mas também por causa de quem sou quando estou contigo... Nenhum homem e nenhuma mulher é digno/a das tuas lágrimas, e aquele ou
aquela que o é, não te fará chorar... Apenas porque alguém não te ama da maneira que gostarias, isso não significa que ele ou ela não te ame com tudo o que têm... Um/a verdadeiro/a amigo/a é aquele/a que procura segurar a tua mão quando cais e te toca no coração... A pior maneira de sentir a falta de alguém é estar sentada exactamente a seu lado sabendo que não a podemos ter... Nunca franzas o sobrolho, mesmo quando estiveres triste, porque nunca sabes quem se pode estar a apaixonar pelo teu sorriso... Para o mundo todo podes ser apenas uma pessoa, mas para uma pessoa podes ser o mundo todo... Não gastes o teu tempo num homem ou numa mulher que não esteja disposta a gastar o seu tempo contigo... Talvez Deus queira que nós encontremos algumas pessoas erradas antes de encontrar a certa, para que quando encontremos a certa saibamos ser gratos... Não chores porque acabou, sorri porque aconteceu... Sempre haverá pessoas que te magoem, por isso o que tens de fazer é continuar a confiar e ser apenas mais cuidadoso acerca de quem confias para a próxima... Faz de ti uma pessoa melhor e procura conhecer-te antes de procurares conhecer outra pessoa e esperares que ela saiba quem tu és... Não tentes tanto, as melhores coisas acontecem quando não estás à espera delas... Lembra-te que tudo o que acontece, acontece por uma razão... Descobre-a..."
(lido algures por aí)

25/04/2005

touch

"...Queria dizer-te tanta coisa. Que o tempo era pouco. Que me sentia feliz ao teu lado. Que queria que o relógio parasse. Que contei as horas até ao nosso encontro. Que disfarcei a ansiedade numa falsa desenvoltura. Num riso confiante. E fui-te escutando. Com atenção. Com interesse. Com curiosidade. Senti-te mais perto. Senti-me tua. Queria tocar-te. Mais do que toquei. Muito mais. E senti que tu também querias. As nossas mãos procuravam-se em gestos aparentemente casuais. Distraídos. Até que não resistimos. Alheios ao que nos rodeava, abraçámo-nos. Naturalmente. Puxaste-me para o calor do teu peito. E, com uma ternura imensa, beijaste-me os lábios, ao de leve. Foi um gesto breve, furtivo, mas que resumiu, na sua intensidade, todas as emoções, contidas, que sentíramos até então. Estou a escrever o que sinto agora. Já com o distanciamento de tempo e local. Não sei o que fazer a estas palavras que acabo de escrever. O que quer que lhes faça, uma certeza tenho: a nossa história pode nunca ser escrita mas o que vivi naquela tarde jamais esquecerei..."

23/04/2005

forma

- Como se ama?... perguntou-me ele com aquele olhar tímido
- É simples; primeiro é preciso querer amar; depois, ama-se, respondi-lhe
- Como assim?... notei-lhe incredulidade no olhar
- Só se ama quando queremos isso; nunca conseguiremos amar se não o quisermos; por muito que se teime em fazer uma dada tarefa, se não acreditarmos no que estamos a fazer e se não a quisermos fazer, a tarefa jamais termina, ou se termina, não sairá perfeita. Com o "amar" é a mesma coisa: temos que querer amar e então, sabendo que queremos "isso", é fácil amar
- Fácil?... interrogou
- Sim, fácil porque estarás a fazer algo que queres; se não quiseres amar não o vais conseguir
- Pois... olhou para o chão e perguntou novamente: - Disseste que primeiro era preciso querer; isso quer dizer que há mais alguma condição?
- Claro, respondi-lhe com um sorriso; segundo, é preciso crer!...
- Como assim?
- Tal como disse: querer amar e crer nessa forma de amar
- Bolas!... Assim é muito dificil...
- Claro que é!... Quem te disse que amar era fácil?
...olhou para mim, sorriu e correu escadas abaixo... espreitei pela janela; no pátio, a Teresinha (a amiguinha dele) esperava-o com um brilho no olhar! ...Limitei-me a sorrir!...

22/04/2005

21/04/2005

sorriso

"...ainda cheguei a tempo de postar... estava a ver que não conseguia... mas agora, a esta hora (não é meu costume) o que é que vou escrever?... que dizer-vos?... bem, foi um dia muito bonito para mim, foi um dia para eu sorrir... sei lá que dizer mais!?... olhem: hoje, fui feliz!..."

20/04/2005

19/04/2005

saber

"...em Dezembro vou fazer 60... o meu filho mais velho vai fazer 35 em Maio... já vivi bastante (apesar de ainda querer viver muito mais) e sempre que passa um novo dia, entendo que acabo de "encher" o meu saco da sabedoria... "saco" esse que não sabia existir nos meus 2o`s e 30`s anos... nessa altura nada tinha valor para mim a não ser aquilo que eu "era" naquele momento... a idade dos velhotes ainda estava longe de ser atingida... mas que mania os meus velhotes tinham de saberem tudo?!... até que... de repente... olhei para mim e disse: (Pôrra, man... já tens 50"... foi a partir daí que comecei a aprender a saber viver... foi a partir daí que comecei a entender o que é viver... foi a partir daí que comecei a entender o que é a vida e como é que ela deve ser vivida... estar aqui, neste momento, aqui e agora, olhando para mim, a caminho dos 60 e pensar: éh pá, como foi que tão rapidamente aqui chegaste, sem dar por isso; como o tempo passou tão depressa; o que foi que fizeste nesse tempo todo que nem deste conta que ele passava por ti?)
...considero-me ser "dono" dum "saber", duma "sabedoria" que não aceito que os "novos" a tenham... considero-me ser "dono" de algo que os novos irão ter quando "lá" chegarem... (eu pensei da mesma forma que eles agora ainda pensam)... o conhecimento não é saber... a sabedoria é a acumulação de saberes e de sabores... a sabedoria é o tempo acumulado no nosso corpo e na nossa alma... a sabedoria nada mais é do que o hoje que já não é ontem e que não sabemos se será amanhã... a sabedoria é o estar aqui e saber olhar para trás com um sorriso e rir um pouco da inocência de tão inocentes que nós éramos... e não precisei nunca de ser o que não quis ser; apenas cresci e fui aprendendo e apreendendo... não me interessou nunca mas mesmo nunca saber qual o caminho; apenas tentei (e ainda tento) tão somente caminhar... a todos vós, jovens que vos julgais possuidores de uma verdade: não a nego: sois donos da vossa verdade; não abdiqueis nunca dela; mas, por favor, dai-lhe o espaço necessário à introdução de novos saberes; eles irão cimentar a vossa sabedoria "final"..."

18/04/2005

17/04/2005

fusão

"...por muito que sintas que nada faz sentido; por muito que julgues que já nada vale a pena; por muito que penses que tudo é em vão... lembra-te: no mínimo, estás a sentir, a julgar e a pensar. No mínimo estás aí, no teu posto, na tua guarita, na tua torre, no teu próprio altar... qualquer que ele seja, ele é apenas teu e de mais ninguém... olha por ele, olha para ele e funde-te nele; torna-te parte do teu problema, torna-te parte da tua angústia, torna-te parte da tua perda e, com isso, ganha o saber de haveres conquistado essa meta..."

15/04/2005

ilusão

"...naquele dia tudo me parecia especial; estava tudo calmo e o sol banhava a lisura da aragem que se sentia leve na face... perguntei-me porquê?... porque razão tudo estava tão bem quando eu sabia perfeitamente que não; dentro de mim, uma luta tremenda de afirmativa força e de pesado esforço; sentia-me esmorecer e, no entanto, tudo me parecia estar bem... olhei bem à minha volta e não havia dúvida: estava um dia lindo. Porém, a noite batia no meu peito e a dor perfurava a minha alma. De que me adiantava aquela ilusória calma?... Senti as lágrimas na minha face e os lábios começaram a tremer; de repente, sem explicação, um choro convulso me fez estremecer o corpo como num delírio febril... Então, de repente, como que por encanto, um vento forte, frio e de norte, abanou o meu corpo e os olhos secaram naquela nova aragem; olhei o céu que se começou a toldar de cinzento escuro e repentinamente umas pingas grossas bateram na minha cara... o choro convulso parou... para que me entristecer se o céu começara a chorar na minha vez?... Dei por mim a correr para dentro do carro e a sair da plataforma do penhasco que estivera á minha frente... a ilusão de que ali resolveria o meu problema, desvaneceu-se... fugi dali tão somente para a vida..."

14/04/2005

13/04/2005

elo literário


O testemunho foi-me passado pela Mitsou do (http://tijolices.blogspot.com) e pela Cris do (http://osorrisodalua.blogspot.com) a quem agradeço imenso.
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Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
O próprio "Fahrenheit 451" que não ardeu.
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Não, eu já sou apanhado de todo.
Qual foi o último livro que compraste?
“Eragon” de Christopher Paolini.
Que livros estás a ler?
“Eragon”
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
“Manual de sobrevivência”
“As plantas comestíveis”
"Aprenda a pescar"
"Aprenda a caçar"
"Aprenda a cozinhar sem cozinha"
(...sou muito prático, não sou?...)
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
100nada (http://100nada.weblog.com.pt/) Por ser o primeiro link da minha lista de links
123de4 (http://123de4.blogs.sapo.pt/) Por ser o segundo link da minha lista de links
4R (http://quartarepublica.blogspot.com/) Por ser o terceiro link da minha lista de links
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(é uma razão como outra qualquer, não?...)
(desculpem ter levado isto a brincar mas preciso de passar a vida a sorrir)

11/04/2005

escrevendo

"...neste momento são cerca de 11,30 da manhã desta segunda feira... por volta das 10 iniciei a minha habitual marcha pedestre; a necessidade de fazer circular mais activamente o sangue pelas veias e artérias deste corpo (ainda jovem, diga-se de passagem, mas com as marcas derivadas de uma vida sendentária de escritórios e ao volante de carros... 2 milhões de quilómetros percorridos ao volante dão uma idéia do tempo que passei em posição errada...), fazem com que cardio-vasculares-entendidos opinem nesse sentido... por isso o meu caminhar físico é nesse sentido e não o faço como gostaria de fazer que seria à beira mar, descalço, com os pés metidos água adentro e forçar a marcha ao longo da costa soprada pelo habitual vento norte de que tanto gosto sentir na face... porém, caminho mais no sentido metafórico, na contínua demanda de uma resposta que não encontro; claro que sim, claro que já encontrei muitas resposta mas há sempre uma outra e depois mais outra e ainda mais outra: é essa procura, essa busca que me dá o sal, o picante da vida e não a vida em si mesma... anos e anos vividos em intensa labuta e intenso prazer; vida que me presenteou e me multou... pagamos sempre um determinado preço por tudo o que nos é concedido e, acreditem, que nada nos é "dado" de borla; tudo tem de ser "pago"... existe apenas uma forma de enfrentar esse determinismo: é saber aceitar e continuar a caminhada... procuro encontrar as respostas que sei estão em algum lugar, provavelmente bem dentro de mim; mas a caminhada também é feita dentro e de dentro não podemos sair mas também não temos a obrigação de ficar... temos, então, de arriscar... de deambular... de escutar... de experimentar... de olhar... de tocar... de usar tudo o que somos na procura do que ainda não somos... caminho pelas ruas e ruelas das minhas ruas, dos meus cantos... passos curtos mas contínuos numa marcha cadenciada... comigo, ao lado, por vezes olhando para trás, vai o meu Black (o ser que mais invejo se inveja ter me é permitido), o simbolo da liberdade, o simbolo da amizade, o simbolo da fraternidade, o simbolo de todas as virtudes que seriam normal o ser humano possuir e apenas as vejo neste ser que me entende mais do que eu o entendo a ele; neste ser que mesmo com um olhito à Camões não deixa de sorrir para mim sempre que o chamo, sempre que o toco... infância passada (muito tempo) nas praias saudosas duma Foz antiga, do eléctrico "flechinha" como lhe chamavamos ao um que ia para Matosinhos, à ainda idêntica senhora da luz, às rochas com os mexilhões, ao passear até ao castelo do queijo e as idas a fugir até a um matosinhos de tascas e tasquinhas... a cerveja na cuf ali na Galiza... porto sentido da minha criança, da criança que ainda habita em mim e nunca deixará de existir... por isso, há sempre busca, há sempre a necessidade de entender... passear à beira rio é um bom passeio; o cheiro característico da ribeira... o passeio por massarelos, os pescadores debaixo da arrábida... por onde passeio eu?... pela vida, pela vida... tão doce e tão amarga... tão cheia e tão vazia... tão pura e tão impura... tão dual... e... tão única..."

09/04/2005

combóios


...para lá da velhinha e saudosa Ponte de D. Maria, a Ponte S. João... no seu dorso, o Alfa Pendular segue a sua viagem...

08/04/2005

receita

...republicação:
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"...Não penses que sabes tudo ou que sabes que podes tudo saber; nada se consegue saber apenas com a aprendizagem; é preciso buscar, é preciso viver, é preciso sentir, ser e estar; nada se consegue saber apenas com o olhar; é preciso ouvir, tocar, cheirar… Usa todos os meios ao teu alcance para que um lampejo de sabedoria surja perante ti, mesmo os meios que não possuis, ou seja, usando a sabedoria dos outros, daqueles que têm algo para te dizer, para te contar, para te oferecer. Depois, lança esse conhecimento no teu ser; cozinha-o com todos os ingredientes que possas arranjar, tenta um lume brando e usa teu instinto. O produto final será teu e de mais ninguém; foste tu que o obtiveste com o teu trabalho, com a tua busca, com o teu empenho e não só com o que te deram. Depois, prova esse produto e digere-o com prudência e com lentidão. Porém, sempre que possas, usa um pouco de loucura, dá-lhe um toque final, impõe-lhe a tua marca e oferece-o a quem o procura.
Não o retenhas pois de nada te serve guardado no sótão da tua memória. Areja-o e reparte-o com os outros. A seguir, procura novo saber. E repete o processo...."

06/04/2005

postar

...às vezes as páginas em branco assustam-nos e não sabemos o que escrever...
...um dia deram-me um livro que tinha algumas páginas em branco e pediram-me para lá deixar uma mensagem...
...assustei-me porque tinha espaço demais para escrever uma mensagem, mas escrevi...
...o que escrevi foi assim:
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"...Que dizer perante duas páginas em branco? Que dizer em frente do nada que me domina e me arrasta a escrita para duas páginas em branco... Dizer que sinto as palavras que me transportam para além da vontade de escrever... Para além da vontade de dizer o que sinto na presença de duas páginas em branco... Dizer que penso e não actuo ou que actuo e não penso... Dizer que procuro e não encontro a não ser duas páginas em branco... Mas elas se preenchem com as letras que me saiem lenta e pausadamente do meu ser e do meu estar perante estas duas páginas em branco... Que me dizem elas, sejam elas o que quer que sejam, senão que as duas páginas em branco estão a acabar... O espaço escasseia e o tempo passa e nada mais me sai da mente para escrever nestas duas páginas em branco... Um branco de luz, de paz, e de muito amor...Quim..."
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...e as duas páginas em branco deixaram de estar em branco...
...a escrita surgiu apenas na necessidade de encher o vazio...
...será que comunicamos por sentir que existe esse vazio?

04/04/2005

exprimir

"...teremos alguma vez na vida, um pouquinho de tempo que seja, para dizermos ao outro o que nos vai cá dentro?... Teremos alguma vez na vida, a coragem suficiente para ouvirmos do outro o que haja para ser ouvido?... Teremos alguma vez na vida, o saber profundo de não misturar o que queremos dizer e o que devemos ouvir?... Teremos alguma vez na vida o sentir do momento certo para no momento exacto estarmos perto (ou ainda que distante) e sabermos que não dizer é o mesmo que gritar?... Não sei!... Questiono-me imensas vezes sobre a possibilidade de estar certo e não o saber ou de o saber e não estar certo o que penso que sei... Indago a mim mesmo se o que sinto deve ser dito ou se deve ser guardado no infinito... Pergunto-me se quero ou se não quero, se devo ou se não devo... É então, nesses momentos de angústia, que decido o que fazer da minha vida (será que ela me pertence?...): Tomo a decisão de escolher... E assumir a minha escolha e aceitar as consequências e sorrir ao advir sem constrangimentos nem sentimentos de culpa... afinal, nada me consegue fazer parar porque cada vez mais tenho a certeza que o caminho é somente aquele que nos permite amar... é por aí que eu irei..."

03/04/2005

encontro


...foi aqui que se encontraram cerca de 45 bloguistas para em conjunto festejarem o aniversário da Pandora`s Box... cada vez mais, a empatia é maior e o sentimento de amizade se fortalece entre pessoas "fechadas" no mundo do seu blog num espírito aberto aos afectos... mais uma vez gostei de estar com todos vós; mais uma vez senti que as palavras que trocamos uns com os outros nos comentários e por outras formas neste mundo virtual, mais não são do que uma única realidade, a realidade de que a amizade ainda é um sentimento muito forte... vos amo a todos...

02/04/2005

jantar

...de bloguistas hoje, em Lisboa, em honra da Pandora... aí vou eu também... o problema é se me aparece pelo caminho algum Capuchinho Vermelho; não responderei por mim...

01/04/2005

coexistência


...um conceito de amizade que às vezes nem o Homem consegue...
(...e lá por ser o dia das mentiras, esta não é uma foto-montagem)

31/03/2005

simples

"...é simples e ao mesmo tempo complicado estar deste lado; olhamos para o outro lado e não o entendemos... porque deste lado somos matéria e do outro lado somos espírito, consciência... não somos ainda capazes de nos convencermos que a nossa verdadeira identidade é eterna, a nossa verdadeira essência é etérea e não material... vivenciamos apenas aqui e agora, neste espaço-tempo que nos foi concedido, o estado bruto da materialidade e habituamo-nos desde pequeninos a sermos "donos"; queremos possuir; queremos ter; agarramo-nos ao corpo e a morte passa a ser tabú; a matéria pesa porque física e não damos, por isso, conta do espírito... é simples e ao mesmo tempo complicado estar deste lado; olhamos para o outro lado e não o entendemos... e, no entanto, é tão simples: basta aceitar que a morte é apenas um renascer!..."

30/03/2005

29/03/2005

lavar

...Senti-me também muito só e a sesta não foi pacífica; a habitual taquicardia não me deixou descansar; saí do sofá; olhei o tempo; ventava e chovia em força; preciso de lavar a minha alma, pensei!... Vesti umas roupas grandes e umas calças grossas; peguei no pequeno guarda-chuva e enfrentei-a vinda de sul; rumei, em passos fortes e grandes bem como apressados, para norte com a chuva batendo-me nas costas e o vento me empurrando; caminhei assim uns 15 minutos e parei abrigando-me e descansando o peito que arfava; o descanso foi o suficiente para virar rumo ao sul e enfrentar de frente a chuva e o vento forte; o guarda-chuva pouco adiantava; rumei de novo em passo mais lento mas na mesma apressado; a chuva me batendo de frente e o vento me sabendo bem; percorri o mesmo caminho em sentido contrário e penso que 20 minutos chegaram; aqui cheguei; despi-me e senti-me lavado; com uma toalha grossa me limpei e nova roupa vesti; sentei-me agora aqui de alma lavada e sentindo um saboroso calor me percorrer o corpo; há dias cinzentos que sabem bem. É só saber dar-lhes a volta!

28/03/2005

27/03/2005

ressurreição

...no seu blog, o Prof. Júlio Machado Vaz, colocou hoje um post do qual destaco em itálico a sua parte final, com a qual estou inteiramente de acordo:
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"...Não quero simplesmente estar vivo, mas ter uma vida. Aceito, com gratidão!, todas as máquinas e artifícios terapêuticos que me ajudem a gozá-la, esculpi-la, vivê-la. Mas não quero ser um mero apêndice de visores, tubos e agulhas. O progresso da tecnologia não deve beliscar o respeito pela dignidade de cada um, defendida e decidida pelo próprio e não sujeita à ditadura de outros. Seguramente bem intencionados, mas impondo uma visão das nossas pequenas vidas decorrente da sua ideologia sobre "A Vida". A minha vida pertence-me. Tentarei vivê-la de cabeça levantada e costas direitas até ao último instante, mesmo que para tal deva antecipá-lo. Já o disse e escrevi muitas vezes: tenho horror à hipótese de sobreviver a mim próprio. Afinal, à minha vida humana..."
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...numa situação de doença grave terminal dolorosa e onde eu não possa dispor da minha "vida", prefiro um fim digno e, quem sabe, se não glorioso, do que estar sujeito à maquina que me torna num vegetal mesquinho...
...não se trata de um "direito" a matar quem quer que seja; trata-se se um direito individual de dispôr da sua qualidade de vida, trata-se, em última análise, do direito a morrer...
...e para quem se refugia nos dogmas da catolocidade, eu diria que Jesus (filho de deus) Escolheu morrer e se Ele teve o "direito" a escolher o momento da Sua morte, porque não terei eu, Seu filho, o mesmo direito?...
...apêlo à possibilidade do mero suicídio? Não, de maneira alguma; apêlo apenas ao direito de uma morte com dignidade...
...serei capaz de a pedir para mim; mas, na verdade, não sei se serei capaz de a conceder a outrém... que os homens que têm acesso às leis e às máquinas, que os homens que têm acesso ao julgamento dos direitos e dos deveres, não julguem os outros mas coloquem-se somente no lugar do doente em dor terminal...
...em dia de Ressurreição, falou-se de Morte...
...talvez a Morte seja um novo Nascimento para algo que ainda não queremos admitir poder existir...
...talvez a Vida seja a própria Morte e esta nos conceda de quando em vez um intervalo para cá estarmos neste corpo a viver uma experiência para acumularmos os conhecimentos a caminho da sabedoria, a caminho da perfeição...

26/03/2005

25/03/2005

erguido

...E as palavras me foram ditas num tom velado e misterioso; nada tinham de estranho mas não as entendia de todo... o tom quase que em melodia tocado por algo que não ouvia mas sentia... o sabor era doce e o travo não existia. E as palavras me foram ditas num sopro de alento e não, mas mesmo nunca, num lamento:
"...Não tenhas medo nem nada receies apesar do caminho ir ser doloroso; terá pedras em bico que te cortarão a alma e o corpo; mas não desistas porque no final encontrarás o que procuras; é lá, onde não sabes onde, que está a resposta. Caminha apenas e verás que num amanhecer ou num sol posto, mais nenhuma lágrima te cobrirá o rosto. Vai, vai sem medo porque tens em ti o suficiente para enfrentares qualquer desgosto..."
...E as palavras me foram ditas uma única vez; nunca mais as ouvi dizer... provavelmente não era suposto ouvir repetir tal sentença que viera de onde eu não sabia onde... como, não sei, mas ainda caminho de cabeça erguida e a sentir o vento afagar-me o rosto...

23/03/2005

certeza

"...tivesse eu a certeza de tudo e não estaria aqui; tivesse eu essa certeza que a incerteza não nos permite possuir e eu não estaria aqui... possuiria o dom da sabedoria do quando, do como, do onde e também do porquê e ainda do para quê... tivesse eu essa certeza que a incerteza não nos permite obter e eu estaria em ti e não em mim... possuiria o dom do ser e do estar onde me fosse dado querer e estaria no teu olhar; perder-me-ia no teu corpo e deixaria de me querer voltar a encontrar... labirinto fosses e eu palmilharia a eternidade sem me preocupar com a saída; fosse eu apenas uma centelha da tua respiração e tudo no mundo caberia na minha mão; fosse eu apenas o pulsar do teu pensamento e voltaria a ser apenas o vento... o vento sem lamento, o vento que me traria o sabor do aroma do teu corpo a ondular em mim, mesmo que fosse como um tormento, um doce tormento... tivesse eu a certeza de tudo e não estaria aqui... seria como a luz que como a uma borboleta tanto seduz... seria o tudo e o nada na totalidade absoluta do ser, seria isso tudo mesmo que não te pudesse ter..."

22/03/2005

flecha


...resta-me apenas esta seta que aponto para ti... estico o arco com elegância e um certo sabor a vitória... aponto-a ao teu coração... voa seta... e o alvo não demora... tem sim, tem uma história, um saber passado em direcção a um futuro incógnito... voa seta... mesmo para um alvo indómito... voa seta... voa rápida e em linha recta... explode-te no alvo... mas atinge-me a meta!...

21/03/2005

a saudável inveja

...escrevo em muitos lados e, felizmente, tenho amigos em muitos lados; conversamos e, às vezes, até nos encontramos e damos abraços uns aos outros entre palavras, risos e com os talheres à mistura numa mesa de um qualquer restaurante... eu amo todos estes meus amigos até mesmo aqueles que me invejam tão saudavelmente como, por exemplo, da forma que o M. se expressou:
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"...É verdade Quim. Invejo-te a entrega quando falas de ti próprio. Invejo-te a entrega quando falas dos outros, nós incluídos. Invejo-te a serenidade com que falas de amores passados. Invejo-te o entusiasmo por amores que virão. Invejo-te talvez por veres o mundo e a vida de uma forma que eu gostaria de ser capaz de ver e, talvez, nunca venha a consegui-lo. Invejo-te, portanto. O busílis disto é que, toda a vida me ensinaram que "invejar é feio" e lixa-me não ser capaz de responder cabalmente que, é mentira, há invejas que se devem ter!..."
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...um abração enorme para ti Miguel

19/03/2005

carta ao meu pai

"...breve, vais fazer 19 anos que já não estás cá, que já não estás a meu lado mas também não podes, não é ?... Estás noutro local, um local para onde foste já há algum tempo, um local de sossego, de paz, não é ?... Tenho saudades tuas, pai !... Lembras-te do dia em que partiste, do dia em que nos disseste até breve ?... Lembras-te dos dias em que sempre estiveste a nosso lado, lembras-te de tudo de bom que se passou antes de ires, lembras-te de tudo de mau que se passou antes de ires ?... Recordas o dia em que eu nasci, recordas o dia em que passaste ao estatuto de pai ?... Sei perfeitamente que te recordas e que só por isso te valeu a pena viveres; sei que viveste em função dos teus, daqueles que faziam parte da tua própria vida, daqueles que eram a razão da tua existência!... Sei muito bem o quanto sofreste por mim e por todos os teus; sei perfeitamente o quanto lutaste para que nada me faltasse, para que tudo estivesse sempre bem... Lembras-te do dia em que te faltou algo para que eu não sentisse essa falta ?... Lembras-te do dia em que não comeste para que eu tivesse comida ?... Lembras-te do dia em que poupaste nos cigarritos para que tivesse dinheiro para o meu tabaco ?... Lembras-te do dia em que tiveste de pedir a um amigo para teres dinheiro para mim ?... Lembras-te do dia, de todos os dias da tua vida em que passaste mal para que em todos os dias da minha vida eu passasse bem ?... Lembras-te ?... Vai fazer 19 anos que partiste... Hoje, dia 19 de Março é o dia do pai; o dia em que os filhos dão prendas aos pais; o dia em que os filhos beijam os pais com amor e carinho e lhe oferecem uma lembrança para lhes lembrarem que são pais e que só por essa razão vale a pena viver !... Hoje ainda é o teu dia, pai; só que nunca na vida te dei uma lembrança, meu pai; só que na vida que contigo e a teu lado vivi, eu nunca te dei uma prenda... E o meu remorso é a única prenda que hoje dia 19 te posso dar; o meu sentimento de desespero por nunca o ter feito, especialmente , pai , porque nunca tive a coragem de te dizer o quanto te amei !... E neste dia em que mais uma vez deveria ser eu a dar-te uma prenda, mais uma vez és tu a dar-me algo que sempre te pedi: o teu perdão!... Obrigado pai!..."

teu filho

17/03/2005

aragem

"...apenas tinha a veleidade de olhar, se assim se pudera chamar ao desejo de te ver ali... a luz que sobre ti incidia, nada distorcia nem a sombra nem a aura que te envolvia... apenas te tocava ao de leve, numa carícia... a porta aberta do quarto permitia ouvir o teu respirar lento, como se de uma leve aragem se tratasse onde mesmo não houvesse vento... desejei entrar e em ti me envolver, mesmo sem te ter... tentei tocar o intocável... estava ali e não consegui... fiquei pela dor da sensação de não sentir e restou-me apenas a veleidade de olhar e respirar o teu suave respirar..."

15/03/2005

14/03/2005

ansiedade

...8 anitos deitados numa cama do hospital; o soro corre pelas veias; diz que está com fomita mas está também calma; aguarda a entrada na sala de operações; garganta, nariz e ouvidos; tudo muito simples mas ao mesmo tempo é sempre complicado; os pais vão fumando os nervos; aqui, o avô está ansioso mas sereno... vai correr tudo bem...

13/03/2005

coisas pequenas

Como quase todos sabem, vivo só, há cerca de 2 anos, em casa de minha mãe (que vai a caminho dos 90 anos) tomando conta dela; já antes, de 2003 a 2004 havia tratado de uma tia acamada com 92 anos; fui uma espécie de enfermeiro a 24 horas por dia e não foi nada fácil pois foi logo a seguir a um período grave da minha saúde por cirurgia à próstata... o tempo passa com as lides a que muitos não sabem o que são mas que também outros percebem o que quero dizer... é nos tempos em que não se tem essas lides que venho até aqui, ler, escrever, desabafar, sorrir e por vezes, (porque não?) chorar... não são lágrimas líquidas (que essas teimam em não sair), são mais aquele género de rio que se vai formando na Alma e que um dia, provavelmente, explodirá e uma cascata de qualquer coisa se formará... aprendi, ao longo da vida a "tentar" saber aceitar mas não é fácil... por isso, sorrio com os meus pardais, com o meu Black, com o meu gato, com as minhas rosas, com as palavras, com as palavras dos amigos... os filhos e os netos têm as suas vidas e de quando em vez lá nos encontrámos, ou numa festa de anos, ou num outro evento desse estilo... mas às vezes há pequenas coisas, coisas pequenas, muitas vezes uns breves minutos, que nos dão a razão de existirmos: e, como digo muitas vezes, o abraço é uma dessas pequenas coisas que dão sentido à vida... foi ontem ao fim da tardinha, estava eu aqui, quando de repente a casa é literalmente invadida pelos meus filhos, pelos meus netos e pelo meu genro e nora... não é muita gente, são apenas 7 (um número bonito) mas foram 7 abraços que me encheram de paz e me deram a alegria, por alguns minutos, de saber que, de vez em quando o silêncio deste local fica abalado pela contagiante balbúrdia da malta que é do nosso sangue!...
Quase nada tenho ou possuo porque como digo muitas vezes, não somos "donos" de nada; porém, e na verdade, eles são os "meus" filhos e os "meus" netos... Afinal de contas, sempre sou dono de coisas boas!...

11/03/2005

homenagear a vida

...lembrando o 11 de Março...
...porque a guerra nunca trará a paz...
...ficam as esperanças mutiladas...
...centelhas de vida apagadas...
...rosas cravadas pelo espinho...
...que não exista jamais o ódio...
...apenas porque amar é o caminho...

09/03/2005

aroma

"...encostei a minha cabeça em teu ombro e enlacei-te com os meus braços; deixei-te apenas um leve beijo na face; senti teus cabelos sedosos e o perfume da tua pele; inspirei o aroma do amor que havíamos feito e deixo-me num lento adormecer... jamais acordar... e ficar assim para todo o sempre..."

07/03/2005

06/03/2005

sentir

"...sentir em mim o que sentes em ti... sentir em mim o que sentes por mim... sentires em ti o que sinto em mim... numa simbiose perfeita de fusão sem pragmatismo ou ilusão... apenas e só um saber que se sente, que se está, que se é... em perfeita consonância com o que somos no único desejo de sermos exactamente o que já fomos... num jogo de sabores e saberes; num jogo sem dores nem rancores mas de simples e tão somente ternos amores..."

05/03/2005

04/03/2005

não

"...Não me disseste o que querias da vida e eu não pude dar-te o que pretendias. Não me disseste que o amor era tudo o que querias e eu que tão pouco dele sabia. Não me disseste que apenas querias carinho e não pude dar-te o que pretendias. Não me disseste que carinho era tudo o que querias e eu que tão pouco dele conhecia. Não me disseste que somente te bastava dar e não pude receber o que continhas. Não me disseste que te bastava amar e eu que tanto dele soubera apenas guardar. Não me disseste que te bastava sonhar e eu não te soube nos meus braços adormecer. Não me disseste que sentias tanta dor e eu que tanto tinha aprendido a sofrer. Não me disseste que te bastava um olhar meu e não te pude dirigir a luz dos meus olhos. Não me disseste que a luz te bastava e eu que tanto e tanto te amava. Não me disseste o que querias da vida e da vida eu nada te soube dar. Restou-nos a tristeza do adeus e as lágrimas dos nossos olhos a chorar..."

02/03/2005

peregrinar

"...amei, amo e amarei com garra, com força, com dor, com riso, com lágrima, com a palma da mão, com o doce beijo da alma e o calor do coração; amei, amo e amarei com o espírito, com fogo, com ar, com terra, com mar, com chão, com chuva torrencial, lama, vento ou mesmo num estado demencial; amei, amo e amarei com tudo o que fui, com tudo o que sou e com tudo o que serei, dentro de mim, sendo eu ou quem me habita, como quem grita, em ti, aí ou aqui..."