27/09/2005

paragem


"... preciso regressar à infância, ao silêncio, à distância... preciso regressar ao início como quem precisa de começar de novo... preciso regressar ao som da lembrança onde a minha mente se senta e descansa... preciso parar um pouco e largar esta tremenda ânsia de viver... deixar-me ficar, não ir, ser apenas e ouvir... o marulhar das ondas e o nevoeiro trazido pelo vento norte que varre a areia para sul e com ela leva a minha alma, lavada, límpida, calma... preciso regressar à minha paz, sentir-me liberto, atento e aberto a tudo o que o destino me traz... vou partir por uns tempos à procura de mim: voltarei quando me encontrar..."

26/09/2005

outra vez


segunda-feira?... Chiça!... De que é que me valeu ter passado o fim de semana de papo para o ar a tratar do bronze?... Perdi aquele pardal espertinho; tão bem que me teria sabido um pardalito no churrasco!... Bem, mas também não se pode ter tudo... E, olhem lá, já agora: alguém vos mandou acordar-me?...

25/09/2005

sorte


a minha este fim de semana o Kiko ter passado o tempo todo de barriga pró ar a bronzear-se; que alívio o meu, chiça!...

22/09/2005

equinócio do Outono


"...hoje começa uma nova estação, a do Outono... o cair da folha não significa a morte nem o fim... o cair da folha sobre a terra seca irá apodrecer com as primeiras chuvas e dessa forma fertilizar a terra-mãe que, assim adubada, fará crescer mais uma vez, as novas folhas que na próxima Primavera nos anunciarão um novo ciclo... na vida, tudo é assim... tudo é uma mudança, um contínuo crescer... um estar... um desejo de viver..."

21/09/2005

sentimentos


"...hoje não ía postar... sentia frio... e havia névoas... por outro lado não tinha inspiração e as musas não me estavam a ajudar... mas há sempre um mas e, por vezes, por razões que a própria razão não compreende mas que não deixa de ser uma razão, o óbvio surgiu e uma necessidade de paz veio pairar sobre mim... e bastou apenas uma verdade, por mais dolorosa que ela possa parecer ser ou mesmo até ser, para que essa paz surgisse através da razão... e, com amor e por amor, entendi que uma rosa branca foi, é e será sempre um sinal de pacificação..."

20/09/2005

determinismo


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"...tentei, com a minha mão quente, dar-lhe um sopro de vida mas ele já estava prisioneiro da morte... fez, assim, a sua última viagem... deve ter sonhado que a morte era uma mão quente a abraçá-lo com amor..."

19/09/2005

esconderijo


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"...na incerteza de um amor naufragado... nas mansas águas do teu rio revolto... em densas brumas de vontades ... ousei olhar a minha alma como dona da minha certeza... na efémera busca da eterna beleza... no olhar terno de teus lábios... ou no beijar ardente de teus olhos... deleitado na ânsia da posse... emparedei-me dentro do meu próprio ser... ousei usá-lo como armadura contra o meu medo... contra o medo desmedido de te perder... mas imbuído de todas as forças... descobri-me perto do teu corpo... e me lancei completo e sem cansaço... nos teus braços abertos ao abraço... que tanto busco como o meu único porto..."
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(photo from CurtisNeeley.com)

18/09/2005

pensamento


"...a imagem não é minha mas também não sei de onde ou de quem é... porém, espelha bem aquilo que às vezes eu penso sobre a inteligência animal... aquilo que eu vejo no meu Black ou no meu Kiko e esta foto faz-me lembrar aquela frase: "One penny for your thoughts"..."

17/09/2005

destino

"...e se essa noite tiver de chegar, olharei o céu e contarei as estrelas... no meio de todas elas, uma será minha: o meu destino!... abraçar-me-ei a mim mesmo num derradeiro abraço e olharei a minha nudez... vestirei o frio da noite como de uma túnica se tratasse e respirarei a sombra do luar... olharei à minha volta numa última busca de mim e direi adeus à minha paz... partirei nas asas do sonho que foi meu e deixar-me-ei vogar na certeza da chegada ao meu destino... se essa noite tiver de chegar, sei que nessa noite amarei uma última vez..."

16/09/2005

insano

"...não sei ser loucura mas hei-de tentar rir quando todos esperarem que chore... tentar chorar quando todos esperarem que ria feliz... tentar pasmar com as coisas mais simples... tentar galgar tudo o que seja mais complexo... e principalmente, nascer no tempo de morrer...!

15/09/2005

permite


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"...imaginar-te apenas que num qualquer momento do dia de hoje eu te dou um abraço com ternura…"

14/09/2005

flutuar

"...há alturas na vida em que penso na hipótese de poder voar... tal como nos meus sonhos tão belos e recorrentes... sensação tão suave e deliciosa porque tão real; a realidade que o sonho nos dá e nos proporciona vivenciar algo que nunca vivemos... há uma sensação de levitação na vertical e o meu corpo sobe; depois, paira sobre tudo o que me rodeia; segue-se um voltear sobre mim mesmo e então deitado de bruços e de braços abertos o meu corpo plana sobre as ruas, as árvores, os campos, os terraços... lentamente, sem nunca ter havido algo de diferente nesses meus sonhos, o corpo volta à terra na mesma posição vertical em que iniciou a levitação... é algo incomparável pois não conheço coisa que se lhe assemelhe... hoje, esta noite, não tive nenhum desses sonhos mas ao olhar para esta minha rosa, lembrei-me do seu aroma, do leve cheiro que se evola no ar, no mesmo ar em que eu às vezes me sinto a flutuar..."

13/09/2005

postar

“…não escrevo para ti nem para mim, nem para vós nem para quem quer que seja… escrevo para uma cor branca onde vejo estas letras serem desenhadas… não espero o que quer que seja delas nem tão pouco anseio pelo fim da própria escrita… são apenas os dedos que batem aqui e ali ou acolá, nestas teclas pretas que sinto vibrarem dentro de mim, sim, as teclas é que vibram dentro de mim porque elas representam palavras, sentimentos para sentir, gritos para silenciar, silêncios para gritar, lágrimas para secar ou mesmo sorrisos para brilhar nos lábios de quem escreve ou de quem lê… não espero nada de quem as vê… um pálido correr da visão pelas letras que formam esta mera ilusão de escrever quando não se sabe o que dizer… mas são palavras que estavam dentro de mim… já não estão… já não são minhas… são meras letras espalhadas pelo ecrã deste monitor… letras de prazer mas também de dor… o dilema, sempre o dilema do escritor…”

12/09/2005

requiem


"...quando eu morrer, enterrem-me sob um campo de rosas... deixem que meu corpo se desfaça no aroma que elas exalam... deixem que meu espírito se misture nas cores que sempre me encantaram, num doce bailar de êxtase e delírio... deixem que sinta a certeza da doçura e da leveza da textura fazer parte do meu último ser e estar neste pedaço... que a sua sombra me embale na viagem para junto das estrelas... enterrem-me sob um campo de rosas, sejam elas brancas, douradas, vermelhas ou cor de rosas... deixem-me sentir a beleza uma última vez..."

10/09/2005

jantar do Murcon


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"...este era o centro da mesa durante o evento realizado hoje e que ficou conhecido pelo jantar do murcon já que o mesmo surgiu da vontade dos participantes do blog pertença do Prof. Júlio Machado Vaz; porém, foram as pessoas que lá estiveram, as tais pessoas bonitas (como eu lhes costumo chamar) que iluminaram o encontro e deram ao mesmo aquilo a que já nos começámos a habituar, o sentido da pura e simples amizade que vai para além deste tremendo mundo virtual... a minha gratidão pessoal a todos por me terem feito sentir parte do todo..."

04/09/2005

ouro


...quase ou mesmo nada possuo... porém, quase sempre, o meu oeste me brinda com beleza e isso me basta... é isso que hoje vos posso oferecer: o meu dourado fim de tarde...

03/09/2005

emoções

"...Com tanta impulsividade, tanta forma diferente de se ser e de se estar... onde está, afinal, o que nos atrai numa pessoa?... Onde estão os "doces" que julgámos ver?... Onde está a ternura?... O gesto?... A fala?... O carinho?... Ficamos a pensar que nos podemos enganar... Serão assim tão diferentes?... Terão apenas essas formas de se ser e de se estar quando o objecto é outro que não nós mesmos?... Ser-se digno de um amor não é mesurável nem previsivel... Porque o amor constrói-se momento a momento e de uma forma muito simples: encontrando as formas diferentes de se ser e de se estar como desafios a vencer e, etapa a etapa, ir aceitando essa mesma diferença... e, os enganos, não existem mas mesmo que eles possam ser reais, aprende-se a dissipar a neblina e procura-se ver para além dela o que ela mesma esconde... e, às vezes, o segredo está num simples sorriso..."

01/09/2005

planar

"...acordei nas asas dos teus sonhos e mirei-me nas águas tranquilas do teu mar... senti-me afagado pela ternura dos teus olhos e deixei-me planar no aroma do teu beijo... voei forte do meu norte para o teu colo e sorri vendo teus braços abertos numa espera sedenta de vida... afoguei-me em ti e deixei-me morrer no teu sentir..."

31/08/2005

30/08/2005

pertencer

"...sentir que somos ou fazemos parte de um todo ou de parte de alguém... sentir que somos ou fazemos parte de um pouco que é também nossa parte e que resta a nosso lado como se de nós mesmos se tratasse... sentir que não estamos sós nem pretendemos que a outra parte de nós se sinta só, sem a nossa presença... sentir que estamos lá e somos aqui ao mesmo tempo, sem divisão de tempos nem de espaços... sentir que não há, em lado algum, duas partes que não possam formar uma só entidade... sentir que sentimos o mesmo que a outra parte sente... isso é o ser e o estar, a forma mais pura de se ser um ser vivo que ama e deseja ser amado..."

28/08/2005

desejo

"...desejava estar aí, a teu lado, a olhar-te, a sentir os teus lábios, a ouvir o teu respirar, e penetrar o teu ser e a ser parte dele e tu parte de mim... desejava sentir o calor da tua pele junto à minha num esgar de loucura e de procura da sanidade... permitir sorrir onde houvesse uma face... permitir ver onde houvesse um olhar... permitir sentir onde houvesse um abraço... desejava ser o próprio desejo e não apenas desejar..."

27/08/2005

camoniano


"...o meu Black, desde que lhe extrairam o olhito esquerdo, ficou assim, mais triste, mais sereno; porém, não deixa de me acompanhar nas minhas caminhadas; apenas tem necessidade de voltar mais vezes o focinho todo para a esquerda para me visionar quando caminha a meu lado; todavia, sinto-o mais deprimido, mais caseiro, já não tão vivo como era há uns meses atrás; agora, na brincadeira saudável, chamo-lhe "Camões" apesar de não saber poesia... mas sabe outra coisa, sabe o que é a amizade, a ternura e a alegria que sente quando todos os seus amigos humanos lhe dedicam um chamamento, uma carícia, um falar com ele... toda a gente das minhas redondezas conhece o Black e eu olho para a grande maioria dessas pessoas e eu não as conheço... coisas que não se explicam... aceitam-se com um sorriso..."

26/08/2005

nova alma

“…É este o momento... Somos convidados a passar do namoro para o amor, do romance para o verdadeiro amor, de relações que são uma iniciativa da personalidade para uniões iluminadas pela Alma... Somos instados a amadurecer na nossa verdadeira totalidade, como seres humanos que são de facto Almas divinas eternas, e somos convidados a fazê-lo numa relação... A mesma jornada que iniciámos como personalidades, pede-nos que terminemos como Almas... Isto significa muitas coisas:
Primeirodesistir da ideia de que a relação será perfeita;
Segundomuito provavelmente, ter mais do que uma relação significativa na vida;
Terceirodesligarmo-nos das formas que conhecemos anteriormente;
Quartoamar mais, de maneiras diferentes, com uma convergência talvez menos pessoal e seguramente menos auto envolvente;
Quinto actuar segundo princípios espirituais em cada dia nas nossas relações
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(From: Daphne Rose Kingma)

25/08/2005

alma


"...Vou tentar terminar este mês de Agosto com um olhar para tudo o que ficou, para tudo o que já faz parte de mim, para tudo o que existe, para tudo o que ainda é, para tudo o que virá, para tudo o que não é passado, nem presente, nem futuro, mas sim para tudo o que será o devir!..."

23/08/2005

corporizar

"... Não existe o teu corpo... Mas estás aqui... Não olho teus olhos... Mas te leio a alma... Não toco nos teus cabelos... Mas me envolvo neles... Não te sinto palpitar... Mas te oiço respirar... É um som leve... Lento mas ritmado... Quente... Arfado... Dolente... Não existe o teu corpo... Mas estás aqui... Bem perto de mim... É algo que não tem fim... Como olvidar... Como deixar de te amar... Pergunta que me enlouquece... Desígnios divinos que questiono... E morro lentamente... Neste corpo dormente... Que não vive... Mas sente..."

21/08/2005

descanso

...hoje segui o exemplo do Black e do Kiko: passei o dia estirado (não ao Sol) a descansar... (e, sonhei, sonhei baixinho, como quem não quer a coisa mas a deseja muito)... foi bom...

20/08/2005

kika


...é a foto esbatida da gata que em 1995 dormia todas as noites por cima da minha cabeça, aninhada na cabeceira do sofá cama onde eu adormecia com o seu suave e meigo ronronar...

17/08/2005

terra

"...por vezes (em alguns casos, em muitas vezes...) sentimo-nos perdidos no meio do oceano da vida... um mar encapelado com ondas gigantescas e onde não divisamos terra; somente água, água e mais água... caímos no seu seio e (por vezes) sentimo-nos a afogar... vamos retendo a respiração para sentirmos a leveza da água percorrer o corpo enquanto caímos no abismo... mas, sempre no derradeiro momento, os pulmões soltam uma lufada forte e voltamos a sentir o ar, ora frio, ora quente, reentrar nos nossos pulmões... é nesses momentos que divisamos terra, ou o chamado porto seguro... mas, na verdade, nunca sabemos se ele existe ou onde ele está; sabemos apenas que ele está lá à nossa espera... e de uma coisa não temos mesmo a menor dúvida: como desejamos tanto esse pedaço de terra!..."

14/08/2005

desejo

...um bom fim de semana para todos (no mínimo, que seja idêntico ao que desejei para mim)...

13/08/2005

vasco


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...meu primeiro neto, que hoje faz 11 anos; deixo-te aqui um abraço muito apertado e um beijo com um voto de muitas felicidades e que o futuro te sorria como tu mesmo sorris nesta pose...

12/08/2005

agradecer

"... obrigado pelas vossas visitas ao meu "covil"... eu sei que estou em falta... sou um perfeito "malandro" que não cumpre com as suas obrigações de boa educação para retribuir os mimos que me dão; mas nem tudo é como queremos que as coisas sejam; a vida é um mar encapelado de muitas coisas e há sempre, a todo o momento, que fazer escolhas, que tomar opções... às vezes, não ir onde devemos ir é uma opção como pode ser uma opção ir onde não devemos... bem, depois é sentirmos a pergunta bailar no nosso espírito: "será que fiz bem, será que fiz mal?"... é para não ter de fazer essa pergunta a mim mesmo que eu não "cumpro regras" e deixo-me guiar pelo meu instinto, pelo meu repentismo, pela lucidez da loucura e então apenas faço o que, no momento, sinto "precisão" de fazer... muitas vezes o não fazer uma certa coisa é estar a fazê-la de outro ponto de vista... por isso, desculpem-me, não aparecer as vezes que eu desejaria aparecer mas nem sempre o caminho que percorro passa pelas estações com paragem; então, não posso descer em todas e falho algumas; perco momentos e ganho outros... é o equilíbrio da minha vida num mar ondulado de forças e vontades que não controlo… mas estar aqui é saber-vos aqui e isso me basta… o meu obrigado, mais uma vez…”

11/08/2005

10/08/2005

pureza

"...hoje a chuva miúda, uma chuvinha tímida, bela, começou a cair à minha volta... corri para ela e abracei-a com sofreguidão... olhei-a bem fundo nos seus olhos e mirei-a de alto a baixo... era ela, gota a gota, suave, fria e quente ao mesmo tempo... despi-me de preconceitos e entreguei-me completo e nú ao seu abraço... senti seu suave toque nos meus lábios primeiro, depois na face, nos cabelos, nos braços, no tronco, nas pernas... apertei com suavidade aquele enlace entre a minha alma e a natureza... gotas de chuva... suaves, simples e com alguma pureza..."

08/08/2005

incentivo

"...Li apenas hoje estas tuas palavras. Sobre o teu livro, aplaudo de pé pois também eu tenho um, meu, a meio caminho de pronto. Sinto urgência em fazê-lo nascer, a mesma urgência que sinto em ti, em relação ao teu; somos nós, é a nossa história a nossa vida. Ao ler-te hoje, tinha de escrever, tinha de dizer-te que, tudo na nossa vida valeu e vale a pena, mesmo o que nos fez sofrer e chorar, mesmo o que, por instantes, nos possa ter feito odiar alguém ou deixar de acreditar no amor e na confiança que depositávamos nos outros. A vida, e o dom maravilhoso que todos possuímos de a fazer brotar, são as coisas mais maravilhosas do mundo; há uns dias atrás escrevi aqui, que havia recuperado a minha paz e a minha felicidade. É verdade, e isso aconteceu porque, sarei dentro de mim todas as dores, todas as feridas que ainda sangravam e perdoei - a todos sem excepção - deixei de lamentar o que não aconteceu, acreditando que tudo na nossa vida acontece, apenas quando tem de acontecer; nada é ao acaso, tudo tem uma explicação, tudo é maravilhosamente coordenado por esse maestro fantástico que rege o universo. Aplaudo a tua decisão e estou contigo sem nunca na realidade ter estado; assim estava escrito que seria mas, nas linhas dos astros está escrito também, que a minha alma será sempre companheira da tua nos ideais, nas verdades e nas crenças. Os nossos uivos serão eternos lobito, e estarão sempre juntos no universo.As minhas mãos estarão em prece prontas a receber esse livro, essa história de vida que só os teus dedos saberão escrever..."
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(from a comment in my July 28.th post)

02/08/2005

zeca

...farias hoje 76... melhor, fazes hoje 76 pois estás "vivo" em nós...
...
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem-vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

01/08/2005

póstumo

"...como sabem, decidira fazer um intervalo nas minhas andanças pelo meu blog e pelo dos outros por razões então apontadas; por outro lado, porém, também disse que não abandonaria este meu livro de retalhos; e aqui venho eu mas pelas piores razões: lembrar a "partida de vez" de uma Amiga Bloguista que nunca conheci, Fátima de nome, 46 de vida... Esta rosa é para ela, a "nossa" amiga Circe (e que a luz e a paz sejam tuas eternas companheiras)..."
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28/07/2005

intervalo

"...cheguei à conclusão que tenho necessidade de fazer uma pequena pausa... uma leve paragem no caminho... apenas como quem pára numa estação de serviço de uma auto estrada para relaxar os membros e encher o peito de ar... uma espécie de lufada de ar fresco para o interior de mim mesmo... uma espécie de reflexão... não, não me vou candidatar à presidência; não é esse tipo de reflexão, é mais uma necessidade quase física de parar por uns tempos... pode ser um dia, uns dias, não sei ainda... mas preciso parar... fixei há tempos atrás um projecto meu para este ano que está a decorrer: iniciar o meu livro... e, hoje, tomei essa decisão, a de começar a elaborar o projecto, a dar-lhe a forma... vai ser uma tarefa árdua pois tratar-se-á de uma auto biografia e isso não é nada fácil de fazer... os "protagonistas" são reais e não inventados e isso é algo que não pode ser delineado levianamente... vou, pois, conceder a mim mesmo um pequeno intervalo para reflectir... no entanto, não vos abandonarei nem tão pouco abandonarei este meu pequeno livro de retalhos..."

27/07/2005

momentos

"...serei o teu relógio... dizia-te eu , há pouco... o relógio da tua alma e do teu próprio corpo... o relógio do teu sabor e do meu sentir... do meu riso... da minha voz... incendiando os teus desejos... serei o teu relógio... dizia-te eu, há pouco... o relógio da fruição sonora ecoando dentro de ti... não te fazendo esperar como os minutos desta hora deste relógio que há em mim... ecoando em ti... numa ânsia de libertação de desejos apaixonados... numa líbido mental em constante crescendo... serei o teu relógio... dizia-te eu, há pouco... o relógio das horas alucinadas e felizes dos encontros esperados e desesperados... duma espera na ânsia de que o relógio pare... e os nossos corpos se encontrem num momento eterno de paixão... dizia-te eu, há pouco..."

25/07/2005

renascer

___"...Porque é que eu hei-de negar?... Porque é que eu hei-de fugir?... Se acordo de um longo sono de inverno... Renasço e aprendo a ser e a olhar..."

23/07/2005

vivo


"...Prostitui-me no teu doce corpo
Sedento de beijos suaves

De prazer impuro
Sexo, sede, fome, amor duro
No âmago da carne
Num espírito de fogo ardente
Lento e rápido
Forte e demente
Explodindo tudo
Numa implosão desmedida…
Diz-me tu, oh musa divina
Se fique, se me quede,
Se me vá de partida
Diz-me tu, oh musa divina
Se agarre, se me abandone
Se vá vivo em tua vida…"

21/07/2005

origem

"...Veio de ti e do Universo inteiro esta força imensa que hoje brilha dentro de mim imparável e pura, doce, chama-lhe vontade, criatividade, harmonia... talvez, Amor..."

19/07/2005

amor de lobos

"...seriam cerca das 3 da madrugada quando na esquina da velha igreja daquela velha aldeia lá muito ao norte, quase a perder de vista a sua própria existência, se juntaram em silêncio 4 esbeltas mulheres de longos cabelos à solta, todas elas vestidas de branco... um branco alvo, como vestidas de noivas, sem véus nem grinaldas mas de branco... sentia-se um vento meio gélido naquele campo verde que se estendia para além das traseiras daquela velha igreja daquela velha aldeia... mas não se notou qualquer tremor de frio em nenhuma daquelas 4 esbeltas mulheres... a cor dos seus corpos roçava a cor do leite que, momentos antes haviam bebido dum mesmo canado... seus olhos negros, profundos, brilhavam quando os raios do luar daquela lua cheia lhes batiam nas faces em todo o seu fulgor... era uma lua grande, de prata, brilhando num brilho baço mas ao mesmo tempo ofuscante... deram-se as mãos umas às outras e continuaram o seu caminho... para trás ficava tão-somente um cheiro a flores... seus pés estavam nus e pareciam caminhar por sobre a erva daninha daquele campo verde... lá ao longe, um pouco mais para cima, divisava-se um morro e no cimo desse morro uma frondosa árvore, erguia os seus ramos numa espécie de posicionamento de espera e de aceitação... como que esperando por elas e pronta a abraçá-las... o silêncio era total e entre elas não se ouvia um único som... quem as visse de longe para cá daquela velha igreja daquela velha aldeia, pensaria que as 4 visões voavam ou pelo menos deslizavam... cada uma das que ficavam na ponta levava um cesto de verga coberto por pano branco de linho feito... e eis que chegaram aos pés da árvore... pousaram os 2 cestos de verga no chão e deram-se as mãos num círculo que abraçou o tronco da árvore frondosa e num misto de magia a árvore como que se baixou sobre elas como que as cobrindo num acto fálico enquanto as suas folhas roçavam os seus corpos... dos cestos, depois de terem desfeito o círculo, tiraram algo que não era visível aos olhos dos outros seres humanos e que não era possível descrever... entretanto, algures, num outro ponto daquela aldeia, deitado numa cama de doces sonhos, um homem alto, bem constituído fisicamente, com o corpo nu coberto de pelos negros, dormia e via-se que estava possuído por algum sonho de lascívio prazer, pois notava-se através da roupa da cama que o cobria que o seu sexo estava excitado e algumas gotas de suor lhe cobriam o peito forte... repentinamente, num passe de feitiço, esse "sonho" transportou-o para os pés daquela árvore frondosa onde se encontravam as 4 mulheres lindas vestidas de branco... ele olhou para ele mesmo e viu-se nu, tal como viera ao mundo e ao ver aquelas mulheres instintivamente levou as mãos numa tentativa de tapar o seu sexo erecto... a partir desse momento aquele homem entrou num espanto e seus olhos não queriam crer naquilo que estavam a ver... elas se começaram a despir e apenas tinham aquele vestido branco sobre as suas peles acetinadas cor de leite... e ele olhava... elas começaram a sorrir e os seus sorrisos eram como um convite ao sonho... daqueles cestos retiraram uns frascos que continham vários fluidos e começaram a untar os seus corpos... e ele olhava e começava a compreender o que via... elas o fizeram ver... uma se untava de mel, uma outra de untava de leite puro de ovelha uma outra de água salgada do mar e a outra de um creme que cheirava a jasmim... e ele não resistiu e o sexo se tornou novamente erecto e o seu corpo parou de tremer... aqueles corpos untados cintilavam quando os raios da lua cheia lhes batia na pele e elas continuaram com o ritual... todo o seu corpo foi untado incluindo os seios, o pescoço, as pernas,... apenas os cabelos soltos ficaram secos... então, elas se aproximaram daquele homem e se roçaram por ele de tal forma que o corpo dele ficou totalmente embebido daquela mistura de fluidos...apenas as mãos dele ficaram secas... e num acto quase que instintivo elas se deitaram no chão sobre os vestidos brancos que faziam de leito, o leito do Amor, o leito da procura do Amor, o leito da descoberta do Amor... e ele se misturou com elas e começou a possuí-las, uma a uma, e também numa mistura arbitrária de escolha... o seu corpo confundia-se agora com o corpo delas e já não existiam 4 mulheres ali... apenas existia uma única mulher onde ele se fundia numa escolha impossível... os ventres juntavam-se e os costados também... ele as tomou por detrás agarrando-se aos cabelos delas com as suas mãos possantes e puxava as cabeças delas num misto de prazer e dor, de agonia e êxtase, como se tudo se pudesse perder num só instante, numa avidez de gozo indescritível ... de repente ele sentiu os diversos odores que o cercavam e aos poucos foi deixando uma a uma até que ficou olhando aquela que cheirava a mar... e, nesse momento, algo de mágico se passou: um raio de luar atingiu-o e ele numa nova forma de sentir, viu lentamente o seu corpo transformar-se em lobo, um corpo coberto de pelo sedoso negro e brilhante ao mesmo tempo que a mulher que cheirava a mar se posicionava como fêmea do lobo... e ele a agarrou pelos cabelos puxando a sua cabeça para o seu peito e com firmeza a penetrou fundo num acto de posse total, num acto de prazer inimaginável onde a fusão foi possível tão-somente por magia... o seu corpo ofegou e o instinto animal veio ao de cima e, no mesmo momento em que lambia todo aquele mar, ele, num último uivo lancinante de prazer, espalhou sobre ela todo o fruto do seu Amor... então os corpos se misturaram e apenas se divisava um casal de lobos fazendo Amor... os seus corpos não conseguiam parar e num espasmo final ela se transformou em maresia, como que alva espuma misturada com o fluído dele... então, naquele silêncio de corpos se amando, um último uivo, não o dele mas o dela, se fez ouvir por aquela encosta abaixo, no preciso momento em que os primeiros raios de sol começavam ao longe, bem perto daquela velha igreja daquela velha aldeia, a despontar... nesse momento, o homem acordou de repente na sua cama e olhou e viu: uma mulher linda, vestida de branco, dormia profundamente ao seu lado..."

18/07/2005

centro


...este era o "sol" no centro da mesa durante o jantar do passado Sábado; porém, foram as pessoas que lá estiveram, as tais pessoas bonitas (como eu lhes costumo chamar) que iluminaram o encontro e deram ao mesmo aquilo a que já nos começámos a habituar, o sentido da pura e simples amizade que vai para além deste tremendo mundo virtual...

17/07/2005

descanso

... aproveitei o belo jantar de ontem em Carnaxide para ficar este Domingo na capital... foi um óptimo Domingo (e, sinceramente, não tenho nada mais para acrescentar ao que acabei de dizer... mainada!...)...

16/07/2005

jantar de bloguistas


...já ía a meio, este delicioso prato de carne de porco assado com castanhas, quando me lembrei de o fixar antes de entrar nas minhas entranhas... foi mais um encontro óptimo de óptimos amigos e amigas... foi mais um convívio de 41 pessoas, reunidas no Restaurante O Alfredo, em Carnaxide... uma deliciosa organização do Fernando do Fraternidades... mais um abraço daqui de mim para ele e para todos os demais... venha o próximo que já apetece...

14/07/2005

sentido

"...brincando com o tempo, esse tempo sem tempo nem idade, apenas com uma imensa vontade de viver e sentir que o amor ainda é, na realidade, a única razão de existir!... E... esse outro lado que tanta falta nos faz, esse mesmo, o do amor (o único lado que dá sentido), está à nossa volta, no que nos rodeia...na vida que nos envolve e também um pouco no que está dentro de nós..."

12/07/2005

adágio

Oh lógica da beleza...
Oh verdade infinita
Criança cristalina
Soluçando nos meus ouvidos
Como soluços doces e divinos....
Oh bela e pura melodia
Que por entre a fragrância do ritmo
Te revejo no infinito
Do meu ser interior
De sonhos perdidos
Em sonhos de amor...
Oh lógica bendita
De som belo e de cor azul...

Tão bonita!...

11/07/2005

10/07/2005

tempos

…tempos que passam por nós ou nós que passamos pelo tempo
…tempos em que não se aprende e tempos em que se aprende
…tempos em que não se cresce e tempos em que crescemos
…tempos que se quer esquecer e tempos que não esquecem
...tempos que se procuram e tempos que tardam em chegar
...tempos que se auguram e tempos que desejamos segurar
...tempos que se olham com fé e tempos que com fé se agarram
...tempos que se esperam sejam tempos para não mais esperar

08/07/2005

rigidez

“... sou como quem não existe na realidade, como o sonho de um caminhante intranquilo... assumo a rigidez da estrada lisa, a força da ausência de obstáculos... os escolhos bem arrumados no chão da apetecida erva húmida... um caminho fresco no deserto escaldante, um instante deslocado no tempo, numa estrada que mantém impressa cada passo dado sem nunca ter tentado impor-lhes uma paragem mais permanente... estrada onde se pernoita protegido da tempestade, estrada aqui e ali asfaltada pela dor de alguns passos ausentes… mas… transportando sempre a intranquilidade que me enche de torpor e de cansaço…”
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(autoria desconhecida)

06/07/2005

silêncio

"...Há um silêncio absoluto aqui até mesmo dentro de mim... Estou só, acompanhado apenas da minha solidão; por isso, não estou sozinho; estou acompanhado, logo não estou só... Estranho...
O silêncio penetra dentro de mim sem pedir licença; também não sou capaz de lhe impedir a entrada; ele é tão livre quanto eu e eu, possuidor dessa liberdade, deixo-o entrar e sinto que a excitação que ele me provoca é sinal de prazer... Um prazer proveniente da paz que ele, o silêncio, alberga... Com ele, vem apenas o som da deslocação do ar quando ele chega sem avisar... É que, de repente, só (estando só) o sinto quando ouço o silêncio da sua chegada... Senta-se aqui ao meu lado e vejo perfeitamente que ele me olha de soslaio; mas não lhe ligo importância; quem se julga ele? Alguém de muito especial? Devo-lhe alguma deferência?... Não... Não lhe franqueio sempre a entrada? Então, que mais ele quer? Que lhe dirija a palavra? Não! Mil vezes não! Se o deixo penetrar-me é porque assim o desejo e o quero, em silêncio, em paz, ouvindo-o sem o ouvir; sabendo apenas que ele está aqui... A solidão, por seu lado, essa não se importa muito pela presença dele; já está habituada... Olha-o com desdém como se ele, o calado silêncio, fosse ninguém... Sabe muito bem que ele não me faz mossa; sabe perfeitamente que ela, a solidão, é que é a minha amante preferida, hoje cinzenta (pode ser) mas amanhã, quem sabe, se colorida... É apenas a paz que me traz sereno e me faz sentir o seu frio ameno; é que o silêncio tem temperatura, ora é doce e quente, ora azedo e frio; mas já reparei imensas vezes que quando é azedo se sente um frio ameno; não enregela nem me estremece o corpo; amorna-me a alma e deixo-me ficar na mordomia da sua presença... É tudo apenas um estado de solidão a sós com o silêncio que me faz companhia... Por isso, não esfria... Deixa-me estar como quero... E ele se queda também e fica... Não incomoda... Sabe que a qualquer momento que eu queira, o mando embora; sabe que um grito forte pode, num ápice, cortar o ar que ele deslocou ao chegar... Ele sabe isso e por isso não se preocupa comigo... Mantém apenas um vago olhar... Como quem não sabe se parta ou se deve ficar... Depende apenas e só do meu grito; se este, o grito, do meu peito sair com força, com ânimo, com desejo de ser quem sou e não quem quero parecer ser... O problema com que me debato é saber o que sou ou mesmo até quem sou... Serei eu próprio o silêncio?..."

04/07/2005

alegrias

"...às vezes são coisas tão pequenas, tão sem importância, tão vagas mas que nos dão uma idéia do que é o sentirmo-nos bem por sabermos o bem que o outro ao nosso lado sente... às vezes é apenas uma sonora gargalhada que nos contagia e que nos faz gargalhar também... outras vezes é ver o outro saltar e sentir que também nos apetece saltar... outras vezes ainda é o tom de voz que nos indica o estado de alma do outro de onde ela provém... são pequenas coisas, tão pequenas coisas mas que nos fazem felizes... hoje fiquei muito feliz porque ouvi a felicidade na voz de outro alguém que me contava algo que lhe era bom, lhe era agradável... e assim, fiquei, mais uma vez, a saber que afinal a felicidade dos outros pode ser (ou é mesmo) a nossa própria felicidade... sentirmo-nos bem por sabermos que alguém está feliz... lá está, aqui, o tal outro lado do amor..."

02/07/2005

usufruir

"...não sabem o que é bom desfrutar do silêncio que o odor das rosas me traz; o cheiro que o chilrear dos pardais me envolve; a luminosidade da manhã de prata nas frestas desta porta a sul virada numa perfeita conjugação com o Todo... olhar o azul claro e brilhante que nos cobre e sentir que aqui, cá em baixo, nos vamos debatendo numa quezília constante quando afinal de contas basta olhar ali o meu gato estirado ao sol (e quando não está sol e faz chuva ou vento, basta olhá-lo enroscado sobre si mesmo aquecendo-se com o seu próprio calor)... sentir que na ponta dos meus dedos estão estas palavras que vos escrevo com carinho sabendo que alguém as irá ler... ver que o meu mundo que está lá fora também está aqui dentro ao vosso lado sem vos ver nem ouvir, tendo apenas a consciência que estais aí... saber que basta querer estar para se estar bem mesmo que não se esteja bem; basta sorrir (tantas vezes nos esquecemos que quando chorámos e as lágrimas nos escorrem pela face, os lábios podem entreabrir-se num terno sorriso)... se todos sorrissem um pouco, uma vez por dia... se todos se dessem as mãos, mesmo virtuais, uma vez por dia... se todos dissessem àquele ou àquela que está ao lado "amo-te" nem que fosse uma vez por dia... se todos escolhessem o amor uma vez por dia... se, se... todos iriam sentir, uma vez por dia, a felicidade que há dentro de cada um de nós... um bom fim-de-semana para todos vós..."

01/07/2005

relíquia


...quem se lembra?... A juventude de hoje fala em "bombar"... Eu ainda me lembro de "dar à bomba" naquelas maquinetas primitivas de aquecer a sopa ao lado do fogão de lenha da minha avó... uma relíquia que faz parte da decoração do Restaurante Tromba Rija onde estivemos no passado Sábado...