26/06/2006

acenar

"... o tempo passa demasiadamente depressa... quando damos pelo facto, seja ele qual for, o tempo esvaiu-se e quase não o vimos passar... quando não o vemos passar porque ele foi usado em positiva vivência, é óptimo recordar esses momentos que não vimos passar porque o tempo estava a ser ganho por algo bom que recordaremos com prazer... porém o tempo voa e quando damos por ele, ele já passou e já são horas de dizer um novo adeus, um até breve, um até depois... fica o sabor de tudo o que se viveu... fica a saudade desses momentos... fica a ânsia de que eles voltem depressa mais uma vez... e quando o tempo de viver esses doces momentos acaba, fica em nós a presença do outro, o cheiro, o sabor, o tacto, o som e a imagem que fixamos com ternura para, no mínimo, a levarmos dentro de nós... até ao próximo encontro... no entretanto, fica o aceno, o olhar para trás, o dizer aquele adeus com a mão estendida e o rosto, apesar de tudo, sereno e com um sorriso nos lábios... o acenar até que a esquina surge e o passo continua calmo no percorrer daquela rua..."

23/06/2006

cascata sanjoanina


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"... para os Tripeiros uma Noite de S. João em grande e para todos os outros que não a gozarem, um bom fim de semana com muito sol e amor..."

19/06/2006

evoluir

“… ninguém se levanta estando em pé… só se levanta quem cai… da mesma forma é o nosso evoluir, é com constantes quedas e consequentes levantares que vamos crescendo… ninguém nasce ensinado e temos necessidade de aprender… aprendemos cometendo erros e rectificando-os ou eliminando-os… não os devemos manter cativos dentro de nós mas não os devemos desprezar… devemos olhar para eles como fazendo parte de nós mesmos, do nosso tipo de evolução… no amor, também crescemos ao cair e ao levantarmo-nos; também vamos aprendendo a amar com o desamor, com o riso e com a lágrima, com o sol e com a lua, com a chuva, com o vento e as estrelas… com a desilusão e mesmo com a ilusão… com o sorriso, o senso e o disparate… mas é dentro de cada um de nós que o amor cresce nas constantes quedas que damos… então, ele floresce por si mesmo se lhe dermos atenção e valor… aprender que amar não é somente estar bem, também é dor… ser feliz é apenas desejar sê-lo e senti-lo no mais pequeno detalhe de cada momento das nossas vidas… ser feliz é estar feliz, é querer ser feliz da mesma forma que para amar é preciso querer amar… ninguém ama se não quiser amar… é nesse querer, nesse desejo de o ser, nesse querer sentir que, passo a passo, queda a queda, vamos evoluindo… um dia chegaremos lá e esse lá é apenas o concretizar da nossa vontade e nada mais… sou feliz porque quero ser e amo porque quero amar…”

16/06/2006

dificuldade

“… Existe uma enorme dificuldade em se pronunciar a palavra “Amo-te”… na verdade, a qualquer um de nós, dizer à pessoa de quem gostamos que a amamos é um verdadeiro desafio… e, muitas vezes, engole-se em seco e não conseguimos dizer e ficamos com uma vontade enorme de bater em nós mesmos por não sermos capazes de fazer uma coisa tão simples como dizer uma palavra tão serena… no entanto, é o nosso subconsciente que tem “medo” de a pronunciar porque ela encerra uma enorme carga de sentimentos e de responsabilidade… há, no entanto, quem a use de tal forma simples que a torna tão usual e normal pela leviandade com que a pronuncia… quando se diz a alguém: “Amo-te”, não estamos a dizer: “Gosto de ti”… existe uma enorme diferença, eu diria mesmo um abismo entre as duas formas… gostar é demasiado fácil e muito egoísta, porque quem gosta de algo é porque esse algo a satisfaz… amar não é tirar satisfação do outro, amar é entrega, é dádiva, é querer que o outro tire de nós… quando souberes que és capaz de dar a vida por alguém, por exemplo, podes dizer com propriedade que amas esse alguém por quem estás disposto a dar a vida se preciso for… quando estiveres convicto que amar é dares-te e não obteres, então podes dizer ao outro: “Amo-te”… não pronuncies nunca a palavra que te compromete, que te “obriga” a um compromisso para com o outro, mesmo que seja por pouco tempo… amar é tão-somente e apenas uma entrega absoluta e total de alguém a outro alguém… se não estiveres certo de que estás pronto para essa entrega então mais vale não dizeres que amas porque, na verdade, não amas, apenas gostas… é, portanto, preferível abafar a palavra do que a dizer levianamente… daí que, ouvir alguém dizer-nos: “Amo-te” é ficar com a certeza de que somos “donos” de quem o afirma… é ficar com a certeza de que, na verdade, podemos “tirar” tudo dessa pessoa porque ficamos a saber que ela se nos dá inteira, de corpo, alma e coração… mais vale não dizer que amas alguém se para ti essa forma de amar não for sinónimo de dádiva… e não tenhas vergonha de não seres capaz de amar porque amar é um estado de alma e não um estado físico… para amares, precisas de te amar a ti primeiro… quando conseguires amar-te a ti mesmo, então saberás que estás apto a amar o outro…”

12/06/2006

vivo

"... localizar no tempo, no tempo passado até ao momento actual, qual foi ou qual é aquele que nos marcou ou nos marca, qual foi o melhor ou o pior momento, etc., é um exercício que nos leva a lembrar uns e a esquecer outros... por vezes, esses outros que esquecemos sejam ou tenham sido os mais importantes mas ficaram escondidos nos cantos escusos da nossa memória ou até mesmo sejam tão importantes que ficaram arquivados num ficheiro com acesso apenas com palavra chave, como que como uma password... talvez momentos bons sejam mais difíceis de lembrar e, como saudosistas e fatalistas que somos, nos lembremos apenas dos piores... sempre pensei nesse tema e há apenas uma conclusão a tirar: de nada nos serve viver do passado mesmo lembrando os bons momentos... o que interessa aqui e agora é o facto de estarmos vivos, de estarmos a viver o momento que usufruimos agora mesmo, sentir que este é que é o mais importante de todos porque é o único que nos diz concretamente que estamos vivos... sorrir à vida por esse tão simples facto: o de estar vivo!..."

09/06/2006

hortênsias


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"... por incrível que pareça, hoje chove aqui no meu quintal; umas pingas grossas de algumas nuvens carregadas mas que chuva de gotas tão saborosas... e há aquele cheiro tão belo da terra molhada... talvez adivinhem um bom fim de semana que é o que venho desejar a todos... sejam felizes e sorriam..."

05/06/2006

prolongar

"... e o amor não se esgota nos momentos em que os amantes se encontram... o amor perdura para além deles, dos momentos e dos próprios amantes... o amor fica em cada um como uma marca no tempo que vai para lá do tempo em que foi... o amor vai com cada um e reaje ao menor sinal de memória... reactiva-se a si próprio quando já lá não está, naquele momento em que se ama... eleva-se para além da sua meta e tenta chegar ao momento seguinte, momento esse que não se sabe se vai existir mas que se deseja e do qual se sabe apenas que será um novo momento... o amor não se esgota no momento em que os corpos se esgotam e descansam... o amor vai além desse esvair porque se não for nunca será amor... o amor não se esgota no peito de cada um porque continua na memória de ambos... o amor é isso, é saber que não foi só e apenas aquele momento... o amor prolonga-se a si próprio para além de si mesmo e daqueles que o vivem... o amor está para lá do próprio amor..."

31/05/2006

Nuno

...Nuno, é o meu primogénito
...faz hoje 36 anos que me deu a alegria de passar a ser pai
...longa caminhada esta que nos levou por estradas tão diversas
...sendas percorridas com risos e lágrimas
...metas que não estão escolhidas mas que serão atingidas
...com esperança no peito e um sorriso na alma
...parabéns, meu filho
...um beijo grande

29/05/2006

par

"... Entro no espaço que ocupo dentro de mim mesmo e tento perceber o que me rodeia para além dele... mas ao entrar dentro de mim fico perdido num labirinto de quereres e de indecisões, uma espécie de querer e de não querer e sinto que esse espaço que ocupo me dilacera a alma ou o que quer que lhe chamem... assim, ao olhar para todo o restante espaço, aquele que me rodeia, eu sinto que mais não sou do que um simples elemento de um todo que somos e do qual faço parte... entendo-me, então, como um facto e não como um desejo, um acto e não um acaso, um ser e não um abstracto... e tudo à minha volta faz sentido porque todo o resto não é mais do que eu mesmo extravazado para além de mim abarcando tudo o que tu és, tudo o que sou, tudo o que somos... e sinto, dessa forma, que o amor que existe entre nós não é um factor isolado mas um acto perfeito do que somos num só ser fundidos no acto de amar... e deixo-me ficar aí; e deixo-me ficar dentro de mim sabendo-me em ti ou deixo-me ficar em ti sabendo-me em mim e nesse mistério tão simples fica o Par, finalidade última do Amor..."

26/05/2006

loving


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"... é a primeira rosa vermelha que coloco no meu blogue... ofereço-a à minha doce rosa doce e para todos vós vai o meu voto de um bom fim de semana..."

22/05/2006

noticiar

"... passeio pelas ruas da minha cidade... um cheiro intenso a vida, um odor repleto de vivências, aquilo a que chamo de experiências, de seres contidos em si mesmos e de seres virados para o para lá de si... pessoas que passam e pessoas que estão... vivem e não sabem que vivem porque apenas são... mas olho e vejo ao meu redor essa vida que não se vê e que não sai nos noticiários dos jornais televisivos nem nas parangonas dos tablóides... cheiro o perfume da urina nas esquinas e o sabor do odor do peixe frito nas varandas... o exalado pólen que vem das faias e das margaridas... o zunir das abelhas... vejo aquela mãe naquela varanda de peito de fora a amamentar o seu filho... vejo aquele miúdo traquina descendo a rampa no seu triciclo... os trilhos do eléctrico apanham um tacão desprevenido... e o senhor João da Camisaria Moderna, à porta, a todos que passam, dirige o seu cumprimentar sorridente... e ali vai a varina de cabaz à cabeça apregoando o carapau e a sardinha... no café do senhor José, o Soares está sentado a tomar a sua meia de leite com uma meia torrada e ao lado a senhora Miquelina assoa o nariz ao avental enquanto espera pela filha que foi ao hospital com o neto que havia rachado a cabeça a jogar a bola ali para os lados dos Guindáis... a vida percorre-me as veias como eu percorro a vida pela minha cidade... o Austin do senhor Carvalho acabou de passar e o fumo do escape aquece o chão que piso... a minha cidade tem vida e ninguém dá notícias dela... a vida não é notícia; esta apropria-se da morte que lhe dá valor e a desgraça vende; a guerra faz subir as audiências e o terror instala-se e provoca frenesim e a adrenalina sobe na pesquisa de mais um caso escabroso para contar... a minha cidade não tem notícias para dar... a minha cidade está viva e não vem nos jornais nem aparece nas televisões... e a minha cidade não tem nome nem vem no mapa dos homens; está apenas no meu coração..."

19/05/2006

tela


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"... apenas um olhar por todo o tempo que passa, a lembrar os momentos sentidos, nos toques, nos olhares e um desejar a todos de um feliz fim de semana..."

15/05/2006

momentos

"... esses momentos existem... mesmo que sejam mui pequenos ou até mesmo, por vezes, efémeros, eles existem... e nós passamos por eles ou, se quiserem, eles passam pelas nossas vidas... mas, prefiro pensar que somos nós que os vivemos duma forma intensa, ou não, mas somos nós que os sentimos... depois, bem, depois fica o sabor de os termos vivenciado, de os termos saboreado e sabermos que jamais sairão da nossa vida porque foram nossos... ao terem sido nossos passaram a fazer parte de nós e vamos recordar esses momentos para todo o sempre... são momentos bons os que gosto de guardar dentro de mim; tento esquecer os momentos maus e sentir que apenas os bons foram reais... felizmente, tenho imensos momentos desses, desses momentos doces que ficam na minha memória e dentro do meu coração e ainda a vibrarem no meu corpo..."

12/05/2006

mel


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"... não resisti a postar mais uma foto de mais uma das minhas rosas... que este botão de cetim vos leve o meu desejo de um bom fim de semana..."

07/05/2006

materna

"... durante 3 dias o teu corpo se contraiu com as dores de parto e a criança que trazias no ventre não queria sair... durante 3 dias o teu corpo se contorceu de dores e eu, impávido e sereno, dentro da tua bolsa amniótica, alheado do mundo que te rodeava, aguardava talvez que o meu mundo não explodisse e a minha vida fosse ali, onde estava... ao terceiro dia de dor, no dia 8 de Dezembro, fui obrigado a sair de dentro de ti... tiraram-me à força e eu pude ver a luz do dia e tu pudeste descansar... nasci no dia da Imaculada Conceição, a concepção por natureza, o dia em que se celebrava o dia das mães... ainda hoje, para ti e para mim, 60 anos passados, esse é o teu dia, o dia em que, pela única vez foste mãe... o meu nascimento forçado provocou a tua impossibilidade de gerar mais filhos e jamais pude ter irmãos... trataste de mim, sempre... hoje, sou eu que trato de ti... porque mereces e porque ainda és a minha mãe..."

05/05/2006

99 super

...Em primeiro lugar quero agradecer os amáveis comentários face à situação doentia deste meu portátil de trazer por casa...
...depois, informar que, felizmente e após aturada investigação técnica, não foi detectada qualquer anomalia grave no estado de saúde deste paciente pois o mal estava apenas num dos seus apêndices que teve de ser substituido (sem anestesia, coitado...), pelo que lhe foi conferida a respectiva alta...
...por outro lado, também me posso dar por satisfeito (e contrariando ali o presságio da amiga Pamina) já que o custo da intervenção foi muito leve... nestes termos, apraz-me sentir o prazer de estar, de novo, no meio de vós...
...e, para postar algo que fosse além da boa nova, lembrei-me da tão saudosa frase (30 anos atrás tantas vezes dita - os mais novos não sabem isso) que se dizia no posto de abastecimento de combustível:- Ponha 99 super se faz favor!... e no fim entregava-se aquela nota azulada de 100 escudos (o escudo a mais era a gorjeta) ao funcionário!... E lá se ficava mais ou menos com 14 litros de gasolina para o fim de semana, pelo preço de um café nos tempos actuais!...
...isto vem a propósito da notícia que (mais uma vez) ouvi no telejornal sobre o constante aumento do preço da gasolina... hoje, para se meterem esses mesmos 14 litros, seria necessário inventar uma nova frase:- Ponha 3.990 se faz favor!...
...e por falar em fim de semana, eis que um novo se aproxima; por isso e desde já, o meu voto de bom descanso mesmo pensando que jamais será possível pedir que me metam 5o cêntimos de gasolina no depósito!...

02/05/2006

cibernauta

"...as coisas acontecem quando menos se espera; no passado Sábado, uma brusca queda de tensão na energia deu cabo do meu portátil (deu cabo, espero bem que não pois ele ainda se encontra na unidade de cuidados intensivos de uma firma de especialistas; espero por notícias positivas quanto ao seu rápido restabelecimento)... enquanto isso, não resisti às saudades e cá vim eu a um ciber café dar às teclas para vos "ouler" e deixar-vos este recado... ainda que por razões alheias à minha vontade, peço-vos desculpa pela minha ausência forçada... espero que seja rápida a solução... até lá o meu abraço e o meu beijo a todos vós..."

25/04/2006

20/04/2006

carta a meu pai

"...faz hoje 20 anos que partiste... Estás noutro local, um local para onde foste, um local de sossego, de paz, não é ?... Tenho saudades tuas, pai !... Lembras-te do dia em que nos disseste até breve ?... Lembras-te dos dias em que sempre estiveste a nosso lado, lembras-te de tudo de bom que se passou antes de ires, lembras-te de tudo de mau que se passou antes de ires ?... Recordas o dia em que eu nasci, recordas o dia em que passaste ao estatuto de pai ?... Sei perfeitamente que te recordas e que só por isso te valeu a pena viver; sei que viveste em função dos teus, daqueles que faziam parte da tua própria vida, daqueles que eram a razão da tua existência!... Sei muito bem o quanto sofreste por mim e por todos os teus; sei perfeitamente o quanto lutaste para que nada me faltasse, para que tudo estivesse sempre bem... Lembras-te do dia em que te faltou algo para que eu não sentisse essa falta ?... Lembras-te do dia em que não comeste para que eu tivesse comida ?... Lembras-te do dia em que poupaste nos cigarritos para que eu tivesse dinheiro para o meu tabaco ?... Lembras-te do dia em que tiveste de pedir a um amigo para teres dinheiro para mim ?... Lembras-te do dia, de todos os dias da tua vida em que passaste mal para que em todos os dias da minha vida eu passasse bem ?... Lembras-te ?... Sei que te lembras e sei que sabes que tenho saudades tuas... um beijo para ti, pai!..."

16/04/2006

a todo o momento

"... queria dizer-te, doce rosa doce, palavras que nunca dantes tivessem sido ditas, ou quanto mais não fosse, escritas... queria dizer-te tudo o que queria poder dizer, gritar, falar, dizer ou escrever palavras e torná-las vivas... queria poder mas, por não saber ou não conseguir, deixo-te aqui no meu sorrir, o desejo de te dar um beijo com ternura e todo o carinho... queria poder tocar em ti e deixar, no todo que tu és, este sabor a tanto amar..."
(photo from: Corbis. Inc)

13/04/2006

vida


"... em vez do sofrimento e da morte, celebrem a alegria da vida; são estes os meus votos de uma Páscoa Feliz para todos vós..."

10/04/2006

moldura

"... na verdade, esta moldura é a minha prisão... de tão perfeitos traços me retrataste que me sinto afogada neles como se eles fossem a minha própria alma, o cerne do amor que nos inundava enquanto a vida me era dada para viver... lembras-te, meu amor, de todas aquelas cartas que te escrevi enquanto presa dentro de outras grades, linhas estreitas que me afastavam de ti ou que te afastaram de mim... nunca soube o porquê e essa dúvida, que ainda hoje, aqui de cima mantenho, será a minha companhia na eternidade... é ela também que me concede a possibilidade de te ver aí olhando-me aqui nesta parede nua, dentro de mim mesma vazia e tão prenhe de linhas com que me vestiste naquela manhã na cozinha no banco sentada, rindo-me da tua certeza... meu amor, a paz que me preenche não retira a dor que mantive e que comigo trouxe; a paz que me preenche é uma paz por amor a ti mas a dor essa jamais sairá de mim; é um pouco como eu nestes riscos presente na tua mente quando daí em baixo me olhas... resta-me a doçura da lágrima que vejo cair da tua face nesse chão carcomido pelo tempo que não nos foi concedido... dor de mim em teu peito também ele dorido..."

07/04/2006

colorir a vida


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"...para todos, um bom fim de semana com as cores que o meu quintal e a natureza me brindam sempre, todos os dias..."

03/04/2006

quadro

"...olhavas-me de baixo e eu sentia-me como presa naquele quadro dependurado naquela parede nua... havias-me pintado, traço a traço, ruga a ruga com aquele lápis de cera preta com que fazias os teus gatafunhos... olhavas-me de baixo e eu sentia-me perdida no meio do teu olhar que não sabia ler, que não sabia entender... havias-me traçado a pele enrugada à volta dos olhos, nas faces, as próprias linhas do franzir habitual da minha testa... como me houveras pintado tão bem... ainda recordo aquela manhã em que sentada no banco da cozinha me havias pedido para posar para ti... ri-me como se pudesses fazer tal coisa... e, depois destes anos todos passados, em que regresso apenas em memória, olho-te de cima e vejo-te a olhar para mim daí de baixo, em pé nesse chão de tábuas rabugentas e bafiosas... olhas-me com um olhar parado, sem fulgor, apagado, mas olhas-me e recordas-me... só não consigo entender se me olhas por respeito se por amor... e a dúvida mantém-me presa dentro desta moldura..."

27/03/2006

agir

"...quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre... algo que nos mude a vida para melhor, algo que nos faça deixar de sofrer, algo que nos tire a lágrima que teima em correr, algo que nos permita sorrir para sempre e não mais ser dor... quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre... algo que nos modifique a forma de ser, de podermos ser melhores ou até mesmo de podermos ajudar os outros... algo que tire o sofrimento no mundo, algo que permita a paz entre as pessoas... quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre... um milagre para nós!... Estamos sempre a pedir um milagre na nossa vida; estamos sempre a pedir um milagre que nos tire a dúvida, a dor, a fome, o desânimo, a doença e tantas outras coisas que nos atormentam... tantas e tantas vezes e o milagre não vem e amaldiçoamos a prece por ela não ser ouvida... talvez fosse melhor não pedir um milagre... talvez fosse melhor sermos nós próprios o próprio milagre: mudarmos a nossa maneira de sentir o que somos e passar a sentirmos o que queremos ser; talvez nos baste sentir o que queremos e alegrarmo-nos com o que temos, com o que nos é dado usufruir... talvez nos baste sentir o que queremos ser e sermos o próprio milagre... quantas e quantas vezes, ou talvez não, pedimos um milagre e esquecemo-nos de o "fazer", de o "elaborar", de o "conquistar"... de sermos nós a agir..."

20/03/2006

aceitar

"... um dia (não sei quando) disseram-me que entre o possível e o impossível se encontra a vontade do Homem... ao longo da vida, todos os momentos que eu vivi, foram momentos impossíveis de viver (porque a própria vida é um milagre e eu não acredito em milagres mas em causas que provocam consequências) mas como foram vividos, logo a impossibilidade tornou-se possível... ao longo da vida verifiquei que tudo o que me era dado vivenciar não havia sido "criado" por mim mas apenas estava ali e eu o vivia, eu o sentia, eu fazia parte desse momento... ao longo da vida eu fui verificando que tudo é complicado e ao fim e ao cabo tão simples pela simples razão que somente a simplicidade é autêntica, ou seja, olhar à nossa volta e sentir que tudo o que nos cerca é natural, normal, vida em si mesma, sem ornamentos nem floreados... não somos nós que estamos a enfeitar a vida porque as flores já existem... não somos nós que estamos a perfumar os ambientes porque os odores já circulam à nossa volta... não somos nós que descodificamos os códigos, os códigos já não são enigmas, os enigmas já não são complicados porque tudo é tão simples de entender, tudo é tão simples de vivenciar... nada é impossível, portanto, tudo é viável, basta aceitar..."

13/03/2006

oceanário de lisboa


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"...quase 8 anos depois da sua inauguração, ontem finalmente, visionei um dos mais belos espectáculos que nos é dado ver com olhos de criança..."

06/03/2006

toque

"... deito a cabeça no teu regaço... olho-te a face serena... e teus lábios sorriem... tuas mãos se envolvem nos meus cabelos e a massagem leva-me ao sonho... fecho os olhos e deixo-me vogar no teu corpo... dentro de ti... à tua volta... mesmo sem te tocar te sinto... tuas mãos tocam o meu ser como se nos meus lábios estivesse todo eu, como se a minha boca fosse todo o meu corpo... teus dedos leves e suaves me transportam, nesse toque, para lá de mim mesmo e me deixo ficar por momentos apenas nesse espaço, nesse limbo, nesse suave sentir de seda e com sede de um beijo... é esse beijo que acontece a seguir... é esse toque que me faz emergir de mim para imergir-me em ti... apenas um leve sabor a pétala duma qualquer flor... apenas um leve sabor e tudo o que nos rodeia a seguir é tão-somente o amor..."

24/02/2006

carnaval


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"...no Carnaval toda a gente brinca e ninguém leva a mal; por isso, aproveitem o tempo das máscaras; vistam-se com as vossas melhores cores e aproveitem para se fazerem passar por pavões enquanto se pode porque o tempo vai mau para os pardais..."

20/02/2006

doce rosa


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"...votos de uma boa semana para todos; como não podia deixar de ser, um pouco de rosa para embelezar o habitual fundo azul..."

14/02/2006

intervalo

"... bendito o intervalo de tempo e de espaço que nos separa de quando em quando... bendito o hiato entre o último abraço e o próximo, entre o último beijo e o que em breve trocaremos... bendito o intervalo que domina os nossos corpos quando eles se envolvem de novo numa dança de amor e ternura, na dança em que se revelam de novo um ao outro numa suave entrega e num delirante jogo de prazer... bendito o intervalo que nos faz doer e ao mesmo tempo saber que nos amamos em cada momento e milímetro do nosso ser... bendito o espaço que de longe se faz perto na espera do espaço que nos aproximará em breve e que, serenos na loucura da entrega, nos fará explodir na doçura desse nosso tão relaxante sorrir... nesse abraço que sabemos será apenas nosso ou nesse beijo que sabemos existir aqui bem dentro do nosso coração, beijo que nos permite suportar esta longa e ao mesmo tempo breve separação... bendito o intervalo que nos faz amar cada vez mais..."

10/02/2006

ponta


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"...com estas novas tecnologias de ponta, venho desejar-vos um bom fim de semana; e não se esqueçam da velhinha esferográfica com a qual dantes se escreviam estas coisas..."

08/02/2006

seduzir

"...talvez seja essa tua força, invisível aos olhos humanos, que me seduz... talvez sejam apenas os teus olhos ou até mesmo, como já o tenho dito muitas vezes, a tua boca... talvez seja essa tua fragilidade ou essa tua doçura... talvez a tua ingenuidade ou até mesmo a tua garra... talvez a tua voz ou mesmo até o teu silêncio... talvez o teu tudo ou o teu nada... talvez seja essa tua pose de fazer face à luta ou a tua lágrima sentida... talvez a tua revolta ou até mesmo a tua cedência... talvez apenas o teu toque, o teu cheiro ou o teu beijo... talvez apenas o seres apenas tu e eu ser apenas eu... mas que me seduzes de verdade, não o posso negar..."

06/02/2006

sermos

"...nem sempre as acções completam as palavras ou vice-versa... por vezes, ficam-se por si mesmas e são suficientes; outras vezes, não... por vezes, pensamos ter dito tudo o que havia para dizer mas depois agimos de outra forma e lembramo-nos que ficou algo por fazer ou até mesmo somente por dizer... e, nessas alturas, perguntamos a nós mesmos onde falhámos ou por que razão falhámos e surge a culpa, o sentimento de culpa por termos falhado, por não termos dito ou por não termos estado... acontece na vida, a todo o momento, sem darmos por isso; atarefados que estamos com nós mesmos, esquecemo-nos que podemos, sem querer, ferir os outros... então, ferimos os outros não por voluntariedade mas sim por leviandade... e, muitas vezes, quase sempre, bastava estarmos atentos... esquecemo-nos de olhar, de ouvir, de sentir e só nos preocupamos com o nosso ser e estar... é preciso, pois, vivenciar em comunhão e estarmos atentos a tudo o que nos rodeia; agir dando uma mão ou uma palavra; agir escutando e dando um sorriso; dizer o que queremos e dizer o que temos para dar... ser e estar em conjunto com nós mesmos e com todos num só ser e estar...e para isso só há uma forma para lá chegarmos: amar..."

03/02/2006

purificar


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"...os raios solares infiltram-se por todos os lados, por todos os poros, por todos os cantos... que eles também vos iluminem o fim de semana que se aproxima, com paz, muita luz e harmonia..."

30/01/2006

hiato

"...trago comigo a seda do teu cabelo, a maciez do teu beijo, a doçura do teu toque, o brilho do teu olhar, a atenção do teu escutar... trago comigo, na minha pele, na minha alma, no meu coração, a tua essência aqui brotada em mim durante os momentos da fruição dos seres que se tomam serenos mesmo num simples abraço... é apenas um hiato de tempo este espaço que nos separa... de resto, tudo está aí como tudo está aqui... um saber de um sabor a sentidos vividos em amor..."

27/01/2006

oferta


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"...não sei o nome delas nem sequer o que possam ser... são apenas flores do meu quintal... pétalas diversas que enfeitam a terra que me envolve neste canto onde vivo... resolvi oferecer a sua beleza à minha doce rosa doce, mulher que amo e desejar a todos vós um bom fim de semana..."

24/01/2006

malaguetas


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"...se alguém souber porque raio de razão é que me apeteceu postar aqui uma foto das malaguetas que o meu quintal produz, fará o favor de me dizer... sinceramente, eu não sei... foi assim tal qual um impulso... amor à primeira vista... talvez pelas cores... não sei... talvez pela sua textura ou, melhor ainda, pelo seu sabor... é que eu uso a malagueta em quase tudo... qualquer dia até na sopa eu vou usar malaguetas!... Vá-se lá agora saber o porquê!?..."

23/01/2006

divididos

"...o meu blog não é um blog político mas isso não faz de mim um apolítico... no meu blog raramente faço uso das palavras para me resignar ou indignar com as coisas que afectam ou não o País, o Governo, os Políticos, etc, etc... foco, por vezes, um ou outro acto eleitoral (como foi o caso do meu post anterior, por exemplo), um ou outro evento mais até como um exercício de escrita do que propriamente como um artigo de opinião; já fui Director de 2 jornais regionais e sei muito bem do que estou a falar... tive as minhas "lutas" antes do 25 de Abril e depois o enlevo de ver crescer o bem mais precioso do Homem: a Liberdade... ao longo dos últimos 30 anos, as "coisas" foram-se moldando ao sabor dos novos tempos e hoje fala-se da globalização, ou seja, mais ou menos, da união... ontem, fomos a votos e o resultado básico que eu retiro é matematicamente simples: 50,6 % direita versus 49,4% esquerda... uma divisão a meio, um olhar ingénuo sobre o que ontem aconteceu... é pena, tenho pena... uma nota final: não vi mantos de nevoeiro junto a Belém... um bom início de uma nova semana... um abraço..."

20/01/2006

reflectir


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"...estamos num novo fim de semana e com necessidade de reflexão; que todos saibam limpar bem as suas lentes para exercerem correctamente o seu dever de voto no próximo Domingo e que, através desse voto se consigam vislumbrar, nos nossos bolsos mais alguns euritos... (ai, valha-me o Nosso Senhor dos Aflitos)... de qualquer das formas, um bom fim de semana para todos..."

16/01/2006

180

...rosas para ti, doce rosa doce... sem escolha de cor ou de aroma... rosas apenas... 180, uma por cada dia em que a tua existência me faz sorrir e avançar no caminho que tento gritar ao mundo, que tento gritar a todos os que me ouvem e mesmo aos que não me querem ouvir... rosas para ti num manto de pétalas em que mergulho e me sinto feliz...

09/01/2006

ouvir

"...se me quiseres dizer, diz; não guardes o que tens para me dizer... já sei que o que vais dizer é apenas o que me queres dizer; por isso, porque razão guardares dentro de ti o que me queres dizer?... isso, faz um esforço, não custa, vais ver... abre os lábios e pronuncia as palavras que queres que eu ouça... são difíceis de silabar?... Vais ver que não. Tenta. Vá lá, tenta mais uma vez. Isso, devagar... com suavidade, ternura... isso, com carinho, em silêncio talvez... Vês como não custou?... Não, não te preocupes: eu ouvi-as!..."

06/01/2006

desejo

"...desejaria ter o poder absoluto... desejaria ter o poder para resolver tudo... desejaria ser o tudo do nada ou mesmo o nada do tudo... desejaria ser e estar, poder estender um dedo e, tal qual um Midas, transformar o que quer que fosse no que quisera que viesse a ser... desejaria poder estender a mão e, tal qual um Mandrake, fazer todas as magias deste mundo... desejaria muito, mesmo, imenso... mas não posso, apenas penso... assim sendo, envio-te um beijinho simples, sentido e o desejo mais forte e mais pleno que o meu coração pode emitir: o desejo de te olhar e ver-te sempre a sorrir..."

02/01/2006

agradecer

"...2005 foi um bom ano para mim... ele me trouxe, felizmente, apenas acontecimentos bons... novos saberes e novos sabores (como costumo dizer...) com cores distintas e alegres... a dor, creio, não pousou nos meus beirais ainda que, por vezes, os tenha sobrevoado... a lágrima não rolou face abaixo ainda que, por vezes, tenha espreitado o declive da pálpebra... o desalento não acampou no meu terreno ainda que, por vezes, tenha trazido os apetrechos... foi um ano que, no seu balanço global, me trouxe novas e deliciosas vivências... foi um ano que plantou no meu jardim um rosa, uma flor de jasmim, cheiro a cravo e canela, tecido em suave marfim... foi um ano que me provocou o sorriso, que me deu o brilho de novo nos olhos, que me fez levantar do tormento anterior... um ano que me trouxe, em pleno, o amor..."

29/12/2005

feliz ano novo

2 0 0 6
"...é com um pouco de antecipação por razões de logística que vos venho desejar uma entrada perfeita no novo ano que aí vem... que ele vos traga tudo o que desejardes mas que, e em primeiro lugar, o amor inunde os vossos corações... um abraço sentido e de gratidão por tudo o que me deram neste ano que agora acaba..."

19/12/2005

natividade


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"...torna-se apenas num desejo breve mas sentido... num sentir de dentro para fora, de mim para todos vós... é um querer que a paz vos envolva, que a luz vos ilumine e que a harmonia se instale nos vossos corações... não um natal de rabanadas ou de outros doces, mas um natal de renascimento em cada um de nós do ideal do Amor, em nome dele e que ninguém se esqueça que, apesar de tudo, amar é e será sempre o único caminho!..."

16/12/2005

hoje

"...hoje é apenas mais um dia como tantos outros... hoje é apenas mais uma sexta-feira de tantas e tantas outras que passaram e ainda irão passar... hoje é apenas mais um dia nas nossas vidas... hoje é apenas, hoje!... Nada há a dizer sobre ele a não ser que hoje é o momento que estamos a viver porque ontem já não existe e o amanhã não sabemos se virá... cada um de nós refere o seu próprio "hoje" das formas mais diversas e por motivos diferentes; uns, amanhã recordarão o hoje com um sorriso, outros infelizmente talvez com uma lágrima... mas isso será apenas amanhã e o que está em causa hoje é o dia de hoje... e, hoje, sinto-me vivo e vou tentar cada vez mais viver cada momento mais intensamente para que possa ter em todos os "hojes" o meu sorriso aberto e a alma alegre por saber o quanto te amo!..."

15/12/2005

beatriz


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...e porque hoje, a minha neta, faz 9 anitos, como não podia deixar de ser, lhe deixo aqui um beijo enorme e uma das minhas preferidas rosas, a dourada, porque dourados são os seus cabelos...

13/12/2005

poetar

"...eu queria compor um poema para ti... queria dedicar-te amor, a mais bela poesia que exprimisse a nostalgia das horas longe de ti... queria dizer-te quão triste é o ciúme que persiste e em minh´alma penetra... oh se eu fosse poeta!... Eu queria cantar o suavíssimo calor do teu olhar e depois rimar com o nosso amor... oh se eu fosse poeta!... Em estrofes dir-te-ia que és o sonho, és a magia que meu coração desperta... e cantaria no final um grande amor sem igual que em sonhos flutua... e com ternura e com paixão dar-te-ía o meu coração amando-te com todo o ardor, pois tu és somente o meu poetizar de amor!..."

12/12/2005

90 anos, bonita idade


...faz hoje, a mulher que no passado dia 8, há 60 anos atrás, me deu à luz, me trouxe a este mundo e tratou de mim... actualmente, sou eu que trato dela... devo-lhe isso... e um beijo grande de parabéns pela idade que completas hoje...

09/12/2005

agradecer

...a todas as pessoas que, de qualquer forma, ou por mail, ou por mensagem, ou por telefone ou aqui, nestes amáveis comentários, tiveram a gentileza de me desejar os parabéns pela passagem do meu aniversário... a todos eles o meu obrigado não só pelo acto em si mas também, e sobretudo, pela afirmação de amizade que ele deixa transparecer...
...queria, porém, aproveitar este post para referir que hoje, dia 9, há um ano atrás, nascia um blog "apadrinhado" por mim, o
Tijolices da nossa querida Mitsou que por ter sido ao longo deste ano que passou uma presença constante de alegria, optimismo e ternura, não só pelas suas palavras como também pelas suas músicas e as suas "gatices", me permite afirmar que preencheu um espaço importante nas nossas vidas e que, por isso, lhe deixo aqui o meu beijinho de muita ternura e carinho pela data que assim comemora...
...um bem haja a todos pela vossa presença e pela vossa amizade...

08/12/2005

aniversário


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“…durante o meu percurso até aqui, onde nos últimos anos tive a vossa amável presença, aprendi algumas coisas; uma delas foi, sem dúvida, que amar é o caminho… se morresse hoje e me fosse dada a possibilidade de pronunciar umas últimas palavras, diria que tinha valido a pena amar!...”

05/12/2005

reconhecimento

"...foi numa daquelas ocasiões em que, inserido no grupo que servia as tais refeições aos sem-abrigo, a conheci... conheci-a em dramáticas circunstâncias... estávamos a preparar uma das nossas rondas colocando as coisas dentro da carrinha quando um chiar de travões nos alertou para o inevitável... o estrondo ecoou por entre as árvores daquela rua e um guichar forte se seguiu... era uma cadela rafeira mas de grande porte, pêlo liso amarelo beje e o seu corpo veio ter com o grupo... depressa se arranjou um cobertor para a embrulhar e rapidamente retirámos as coisas de dentro da carrinha e a depusemos lá... levámo-la estilo ambulância em direcção a uma clínica veterinária ali perto da zona onde estavamos... fui eu mais um casal amigo que deu o nome da nossa instituição como responsável pelo animal... e assim a deixámos lá ficar... os dias passaram e senti necessidade de fazer uma visita à cadela internada... lembro-me que as Médicas Veterinárias me perguntaram o que eu pretendia e eu apenas disse que queria visitar uma doente mas nem sabia quem era nem onde estava... disseram-me para entrar e procurar... no meio imenso de diversas gaiolas cheias de doentes, uma cabeça grande de olhos brilhantes se levantou e me fixou... era ela... aproximei-me e falei com ela... a sua cauda abanou e quando lhe estendi a mão ela me lambeu, lambeu como se precisasse do sabor a sal da minha mão para sobreviver; mas não era esse o caso: estava apenas a agradecer; eu soube-o ali que ela estava apenas a agradecer a única visita que tivera... hoje, não sei a propósito de quê, lembrei-me dela... para terminar informo que passados mais uns dias ela teve alta e a instituição adoptou-a... mas, naquele momento senti que os animais sabem agradecer sem dizerem uma única palavra..."

03/12/2005

noites

"...dou por mim, às vezes, a lamentar a minha situação numa espécie de resignada forma de aceitar o que tenho de enfrentar; outras vezes, quase entro em desespero por me sentir incapaz de resolver o problema; ainda noutras ocasiões, sorrio e enfrento... existem lágrimas por vezes porque apenas o amor me traz o sorriso... então, há sempre alguém que me segreda que há sempre outrém que está em piores circunstâncias... eu sei que isso não me alegra mas faz diminuir a tensão... então, recordo aqueles anos em que andei a acompanhar aqueles grupos de assistência aos sem-abrigo... recordo e sinto o frio que eles sentiam... recordo e vejo o sorriso deles ao receber a sopa quente, o pão, o leite, o cobertor e tantas e tantas outras coisas que lhes dávamos entre a meia noite e as 3 das madrugada aos fins de semana... recordo e vejo-os deitados nos vãos de escada, debaixo das arcadas, embrulhados em caixas de cartão, com a cara tapada para que o bafo da respiração os ajudasse a aquecer... recordo e vejo-os sós, de olhos brilhando nos meus olhos, e eu apenas estendia a mão para entregar o que podia entregar... a raiva instalava-se dentro de mim por não poder gritar ao mundo aquele sofrimento... a dor deles passava para mim por eu não poder fazer mais nada... ali ou aqui bem perto no meu Porto, nas ruas, nas praças, nos recantos, nos jardins... na verdade, o meu problema actual não é nada se comparado com aquele sofrimento... dei um pouco de mim naqueles tempos, naquelas noites em que descobri o meu Porto que desconhecia... amei a dor tentando minimizar a dor deles... naquelas noites aprendi que também era possível amar, sofrendo... naquelas noites aprendi o que não sabia ser possível aprender... hoje, num dia frio e chuvoso, lembrei-me deles e aprendi que afinal o meu problema é de somenos importância..."

01/12/2005

o nome do meu amor

"...desce-me pela garganta o sabor do seu nome... entra-me pelos olhos a visão do seu nome e todos os meus sentidos percebem o seu nome... é como algo físico em si mesmo elaborado e expresso em sabores diversos... são sentidos como formas de ternas ocorrências nos momentos em que o seu nome é pronunciado... não é só o ouvir que me delicia, é também toda a sua forma e todo o seu significado... nada tem de extraordinário... é tão simples, tão normal e tão suave... de tudo o que ele é formado, é apenas uma única coisa mais: é o nome do meu amor!..."

28/11/2005

abraço

"...o abraço é entre as mesmas pessoas, com os mesmos gestos, com os mesmos braços, com os mesmos corpos, entrelaçados num beijo onde o desejo impera e a ternura penetra os sentidos... o abraço é forte, vivenciado e vivido... mas sempre igual ainda que na diferença do da chegada e do da partida..."

25/11/2005

advir

"...é, talvez, nos momentos que julgamos mortos que lançamos a semente da nossa imortalidade..."

21/11/2005

obrigado

"...por todas as demonstrações de amor, amizade e carinho que me foram dispensadas no post anterior... obrigado pela vossa presença... obrigado por existirem, por estarem aí, desse lado, do lado de lá de mim, daquele lado que gostaria fosse não uma outra sala mas apenas um espelho, onde todos nos revíssemos de igual para igual, num clima de luz, de paz e de harmonia... é esse (e será sempre) o meu voto, aquele em que continuo a dizer para não esquecerem que "Amar é o caminho"..."

19/11/2005

2 anos


...completa hoje o segundo aniversário este espaço de lobices... pretendeu sempre ser um espaço de palavras sentidas pelo meu coração, aberto para todos vós e com todos vós cá dentro... um espaço de palavras e imagens vividas por mim e de mim para vós... agradeço a vossa presença e escrevo aqui hoje que apenas vos desejo a felicidade que me cerca, em que vivo e que com todos partilho... e, não se esqueçam, que amar é o caminho...

14/11/2005

palavra

O meu post da passada sexta-feira, terminava assim:
"...é isso que sinto, é isso que vivo neste meu tempo de agora, neste meu momento de estar na vida... amo e sou amado..."
...hoje, apetece-me apenas escrever meia dúzia de palavras; nada de especial; simples e sem floreados, sem rimas ou outro tipo de sombreados; aquelas formas que dão às palavras o sentido que queremos mas que, ao mesmo tempo, as embelezamos com serenos verbos ou calmos adjectivos... não, hoje quero apenas escrever palavras sobre sabores e saberes afectivos... aqueles que se vivem quando se ama e se é amado... nem é bem a palavra que procuro, talvez até nem exista, mas tenho-a aqui comigo e, para além dela, tenho o saber absoluto de que quem amo e por quem sou amado, também a conhece... basta-me então essa palavra, basta-me então, talvez e até, apenas a sua sonoridade... uma palavra simples e ao mesmo tempo enorme... hoje, apetece-me apenas dizer: "Tanto"

11/11/2005

amar

"...um pequeno mote me foi dado: «...o amor no outono da vida, vive-se como se fosse uma primavera florida...»... nada mais verdadeiro, mais sentido e tão claro... amar é tão simples; é sentir apenas o presente da dádiva que podemos fazer da nossa entrega de nós mesmos a nós próprios e aos outros... amar é ser e estar aqui e lá, onde quer que esteja quem se ama... é ter, dentro do coração a magia do saber tão límpido de que amar é pura emoção e que com ela podemos transformar não só o que somos mas também o que nos rodeia... é isso que sinto, é isso que vivo neste meu tempo de agora, neste meu momento de estar na vida... amo e sou amado..."

08/11/2005

encontro

"... o tempo demasiadamente lento... as horas e os dias demoram eternidades... sente-se a pressa e as saudades... é preciso que as horas voem... é preciso que a manhã do dia seguinte surja rápida com a certeza de mais um dia que passou... é menos um dia na contagem voraz de quem sente desejo de um novo encontro para sentir a tal paz... a serenidade do abraço que nada tem de sereno mas de forte, de pura ternura e ao mesmo tempo de paixão... rege-se então a dádiva da presença... gostosa... imensa... e os corpos se abraçam num rodopiar sem fim, num beijo prolongado, doce, com sabor a jasmim... e a ternura e o amor não termina ali... prolonga-se na alma do sentir que se ama... perde-se então a noção do tempo que se ganhou na espera... é um momento mágico aquele em que enlaçados, deixamos de ser o que somos para passarmos a ser o beijo de um tão doce e eterno desejo..."

06/11/2005

sonoridades

"...amo-te demais..."...também te adoro tanto...": Palavras que são as que queremos que sejam... palavras que não soam em vão e que tanto gostamos de dizer e de ouvir... palavras que ecoam ao longe de um certo porvir ou quem sabe, de um querer determinado e preciso... palavras que fogem ao nosso controle... palavras que surgem breves e por serem doces se tornam eternas... palavras que quero sejam gritadas, corridas, serpenteadas, luzidas e mesmo assim, palavras sentidas... palavras que nos vão dentro da alma e não palavras ocas, desprovidas de teor... quero que as tuas palavras e as palavras minhas, sejam palavras paridas de dentro de nós gritando o amor!...

04/11/2005

sorrir

"...é um cair leve de neve... é um sopro quente de brisa... é um suspiro de uma alma pura e serena... é algo de belo e perene... é um ardor mascarado de asas finas e plumas de seda nua... descendo de quem e de manso desce sobre alguém... traz nele a beleza do infinito... a alegria estampada no rosto, se lhe deres um sorriso..."

02/11/2005

amor

"...o amor pode ser muito pequenino mas é como a gota de um rio que corre para o mar e em cada gota, desse rio que corre para o mar, há a respiração fortíssima do oceano..."

31/10/2005

desenho

"...desenhei meu corpo nas águas profundas do rio que em mim corre e nele me percorri em tons de azul, cor do céu que nunca morre... desenhei minha alma nas ondas do poderoso mar que fora de mim se move e nele a desenhei em tons de branco nobre, leves, mas sóbrios... desenhei meu corpo em minha alma e a mistura se fundiu em tons vermelhos de puro sangue... e minha alma, pária de si própria, desenhou no meu corpo a felicidade de se saber comigo e não mais solitária... desenhei, por fim, no mais profundo de mim, um campo de flores, de todas as cores, exalando todos os perfumes, completamente preenchidas com todas as vossas dores..."
.
(escrito em 1960)

28/10/2005

luminosidade


"...do meu sul me chega, através da vidraça da minha porta, neste meu canto sentado a escrever estas palavras, a luz imperfeita de um sol que teima furar o enevoado céu... quis apenas registar o momento..."

26/10/2005

words

"... houve um momento durante o qual as palavras lidas não me faziam sentido... era como se eu estivesse a ler algo que nunca tivesse lido mas ao mesmo tempo conhecesse em absoluto o seu teor e, daí, a estranheza de as ver ali... aos poucos, elas começaram a ter vida ao descobrir que mais não eram do que palavras que descreviam o meu próprio eu... reparei então que me desconhecia; se não as estava a entender é porque não me conhecia... sensação dura a de me ver ali estampado e dizer que de tão cego que estava não me estava a ver... sem aquelas palavras, possivelmente morreria sem me descobrir... hoje, exulto de alegria por me saber ali, nelas retratado e aqui, nelas vivo... obrigado..."

21/10/2005

cristiana

...Cristiana veio a seguir ao Nuno (meu primogénito)
...faz hoje 34 anos que me deu a alegria de ser pai mais uma vez
...longa caminhada esta que nos levou por estradas tão diversas
...sendas percorridas com risos e lágrimas
...metas que não estão escolhidas mas que serão atingidas
...com esperança no peito e um sorriso na alma
...parabéns filhota!
...um beijo muito grande

20/10/2005

momento

"...Há coisas que se devem guardar... Fixá-las bem dentro de nós e guardá-las para todo o sempre... São momentos que não mais vamos esquecer... Ontem, tive um desses momentos e quero-o guardar bem dentro do meu coração... São daqueles momentos que só nós mesmos podemos aquilatar da sua força, do seu tamanho, da sua grandeza, do seu poder, do valor que têm e do bem que nos fazem... Esse momento é meu... Está aqui guardado bem dentro do meu coração... Feliz..."

19/10/2005

perdoem


"...eu sei que uso e abuso das minhas rosas... mas hoje, mais uma vez, não resisti a esta beleza de um amarelo interior para um branco exterior... faltou-lhe apenas uma réstea de sol... mas tem todo o meu amor..."

16/10/2005

antever

“… o teu corpo de doce rosa doce, deitado no leito, de pura seda acetinada feito, exalava o perfume perfeito… deixava antever, sem te tocar nem sentir, o esbelto prazer de olhar para ele e bastar sorrir… mais não seria necessário se a força do desejo se quedasse por ali… mas a languidez da libido perfurava todo o sentido em te possuir… aproximei-me de ti sem te olhar e sem que me visses… era apenas um desejo que bastava que sorrisses para que eu parasse e não prosseguisse… mas os teus lábios carnudos abriram-se em pétalas desnudos e me sorriram num convite perfeito… o ardor estava ali, a teus pés e meu corpo teceu o desejado amor de tudo o que depois aconteceu… volteámos a alma, os sentidos, a voz rouca, o arfar da pele, o toque no teu mar e o saboroso doce a mel… perfurei tuas entranhas em doces movimentos com forças tamanhas que te fizeram sugar teus próprios gemidos… a doçura perdura dentro de nós e antevê-se nos nossos olhos o desejo de, novamente, a sós, voltarmos a ser um só corpo e um só desejo num derradeiro lampejo de profunda paz… o deleite do amor que ele nos traz…”

15/10/2005

sentimento

...penso que não será abuso postar, mais uma vez, uma das minhas rosas brancas, quando quero apenas dizer que estou:
.

...FELIZ...

14/10/2005

guilherme


...e porque hoje o meu neto mais novo faz 4 anitos, aqui fica um beijo muito grande (como o sorriso dele) deste avô babado...

12/10/2005

enlevo

"...Toco-te com o meu olhar... Beijo-te leve com os meus dedos... E sinto teu doce palpitar... Num corpo cheio de medos... Olho-te com minhas mãos... E teço perfumes no ar... Onde ouves meus sussurros... Dizendo que te quero amar... Em teu rio que vem desse mar... Em tua Lua que me leva o luar... Nesse Sol que de tanto queimar... Me aquece a alma deste chorar... Perdido na sombra do querer... Acordar e olhar e te ver... Queda e bela a sorrir... Em borboletas que volteiam... Teus ombros de seda a cobrirem... Meus braços que te amparam... Tua face rosa doce que me ilumina... Este querer intenso deste sonho... Que ouço breve e depressa termina... Mas que duma esperança serena... Num eterno desejo em mim domina..."

10/10/2005

07/10/2005

sorriso

"...que o sorriso renasça das cinzas frias da vossa tristeza... que o sorriso vos aqueça... que o sorriso vos amacie... que o sorriso não feneça... que o sorriso na vossa face vos propicie a leveza da alegria de se ser e estar tal como somos... que o sorriso receba as lágrimas que vossos olhos brotam... que o sorriso se alargue a novos horizontes da vossa memória... que o sorriso seja límpido, cristalino, suave, doce... que o sorriso vos limpe a mágoa... que o sorriso sirva para vos sentirdes vivos... que o sorriso, por fim, faça outro alguém sorrir também..."

06/10/2005

ausente


"...sinto-me ausente de mim na presença constante do outro eu que me habita... sei que, quando quer, ainda hesita mas persiste na dual sensação de me conquistar ou repudiar... não sei como lhe ripostar, se com força ou se me deixe levar... deixar-me levar nos seus sonhos e perder as minhas realidades ou, pelo contrário, aperar-me na realidade e deixá-lo a ele sonhar sozinho... estranho caminho este de se ser uma presença e estar ausente dela ou será que sou uma ausência presente em mim mesmo?... Vou tentar descobrir e se nada encontrar, então vou-me rir de mim mesmo, rir às gargalhadas das presenças alheadas ou das ausências que me são apresentadas... tanto faz... qualquer delas me traz a quietude inquieta da minha própria ausência presente..."

05/10/2005

merecimento


"...Ama-se mesmo quem não nos ama e nos quer deixar... É na paciência, na persistência que se mede o amor... Amar é escolher amar... Depende de quem ama e não de quem é amado... Depende do esforço e disponibilidade de quem ama... Ninguém merece ser amado, porque ninguém pode deixar de merecer ser amado..."

04/10/2005

amarar


"... lanço-me inteiro no teu ventre dolente quente suave e virginoso... não me sinto lesado nem pecaminoso... leve e dourado nas tuas calmas águas ora lentas ora frementes... sinto-me vogar de mansinho na tua ternura, no teu carinho, no teu ser perene de quem à noite, sozinho, no seu recanto, vê fogo extinto, cinza fria... sou areia espraiada em teu manto... leva-me o sonho, ora belo ora medonho, num sentir que ainda amo esse teu ondular tão lindo e tão calmo..."

03/10/2005

amante

Basta ficar em pé, deitada,
Desperta, adormecida, de qualquer jeito,
Para recebe-lo.
Ele chega de qualquer parte, do horizonte,
Da noite, da semente das estrelas.
Vestido de vento,
Suas brisas esvoaçam...
Dos lábios emanam chamas perfumadas
E me beija na testa e me marca
Com gravação de candura
Se está na Grécia, ao redor de Safo,
Ao ouvir meu chamado, dali ausenta-se
Suas mãos desabam sobre o meu corpo
Orquídea de carícias em espiral.
E me afaga por dentro.
Alcança cada princípio da raiz dos meus cabelos,
Desliza até a guia dos meus pelos,
Imanta-me e o sangue arrepiado vai e vem.
Tudo gira mas o tino não se desvia.
Nada se obstrui.
A fronte desvela sua aurora.
Ele está na órbita da minha cabeça,
Sua sombra pousa luz nos meus ouvidos,
No nariz, nos olhos; amadurece minhas faces;
Passa pelos dentes esmaltando o sorriso;
Esquenta a língua;
Fere o diapasão da voz;
Faz esticar a pele dos tambores;
Até o limite da atmosfera, confere a afinação dos pássaros;
A acústica das águas;
Repassa o som das conchas;
O silêncio das folhas orvalhadas,
As notas baixas do altivo bambu;
O soprano da haste do capim;
Os sons da chuva caindo por sobre a madeira verde.
Influi na intensidade das vagas na minha aura,
Na rebentação das praias,
Nas pororocas, na piracema;
No tempo propício ao acasalamento dos insetos;
E no cio das gatas no telhado,
Das cadelas cortejadas por matilha rabugenta;
Ajuda na distribuição do pólen para a fecundação das flores;
Despeja seu hálito na masturbação das virgens
E gradua a paixão das noviças, futuras esposas de Cristo.
Suave envolvimento ele permite ocorrer em minha nuca,
Por trás dos lóbulos das orelhas

Massageia meus tímpanos com seus beijos;
Suas aragens incendiadas roçam meu queixo;
Esticam-se até os lábios e esquece ali um beijo;
E desaba pesando como espuma,
Demolindo átomo por átomo...os ombros;
O torso; ateia fogo nos elétrons dos meus mamilos;
Golpeia as costas com a marreta de suas pétalas;
Jasmins, lírios, cravos, rosas e musgos rebentam pelos flancos.
Anticólica desenfernizo a barriga;
Põe lenha na cadeira do meu plexo solar;
Meu coração arfa, contrações da rede pulmonar;
Implosão nas costelas;
A espinha de cobra da coluna vertebral reveste-se de peçonha;
Insinuo sob a pele o rastro de um silvo;
Arremesso a bifurcação da língua como tênue fita de linfa;
Apoia a cabeça da esfinge na maciez pinicante da púbis
Quais cisnes enamorados, entrelaçam-se tesão e pênis
Dentro, cascata e vulcão, iceberg e vapor;
Humores do pântano, galvanização do prepúcio;
Por trás da aurora, súbito mal de parkinson

Concentra-se em minha nádega;
Glândulas fora dos eixos, planetas desalinhados,
Estou completamente a espera;
Adjetivos nas coxas, conectivos dispersos pela vulva;
Uma aliteração apressa o desabrochar do clitóris.
Encavala-se nos meus ombros;
E mexe, e suspira e mexe;
A fenda quente, punhal em mim...
Abre-se mais descendo pelas costas;
Num impulso deixo-me penetrar.
Desde minha coroa;
Como regresso ao útero.
A membrana circular avança pela testa;
Toldo os olhos, cedo um pouco devido ao plano
Inclinado do nariz;
Retorno da onda para ganhar impulso;
O avanço atinge a manhã envolvendo o pescoço.
A partir desse ponto serpente engolindo a presa;
O ato é mais doloroso, inspiração em histeria;
Dificuldade para se encaixar nas omoplatas;
E de graça me rendo pela santa experiência;
Porque já me reveste como casca e luz;
Fonte profunda, termas de súlfur, gás, pureza:
Adianta-se casulo retardando a borboleta.
Já está quase no umbigo.
Mastigação impossível da ausência de gengivas;
Só tecido e húmus;
Ruminação vagarosa da flor carnívora;
Efervescência da pélvis;
E o silêncio amplifica um concerto;
Engole a parte glútea.
Tritura as coxas; desloca as rótulas;
Eteriza fêmur e raízes venais, poros;
Macera canelas, amacia calos e calcanhares...
Para vencer o limite dos pés;
Inteiro me comprime e me espreme;
E jardins escapam pelo hiato das respirações;
O sol enlouquece desejando enforcar a noite;
Ele mexe o tempo, embaralha as estrelas;
Realizamo-nos selo mútuo;
Jamais me libertarei, e ele, por sua vez;
Está fadado a me possuir até que eu morra;
Quando enfim este meu amante me fará imortal;
A que ora engendro e adoro, servo fiel
De quem também sou cativa, senhora sua;
Com quem eu gozo e depois me abraço
Até brotarem glebas de fungos e lodo entre nós;
A luz envelhecida pousa em cada conjunção;
Abandonando a sombra de diamante em cada imagem;
E contas de cristal nos termos de comparação;
Este homem que para falar seu nome;
Preciso perfumar a boca e lustrar as botas da garganta;
Este homem para quem me guardo...
Este homem para quem me entrego...
Este homem, por quem sempre esperei....

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(from: M. V. Virgino)