30/06/2005

perfeição sem pontuação


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Possuo o teu corpo apenas à flor da minha pele
Olhando teus olhos com a posse do meu sonho
Inspirando teu aroma de suave sabor a sal
Toco-te ao de leve apenas ouvindo teu sussurro
Não sinto a textura apesar de estares tão perto
Mas minha pele devagarinho e ao de leve te recebe
E teus olhos vibram na escuridão da minha ausência
Nada te peço a não ser que não me leves a mal
Que sinto desejos de ti e do teu corpo me orgulho
Mas já não sei se sinta o que não se percebe
Se a presença de ti em mim ou da tua aquiescência
Não sobeja o que não existe na mente demente
De um querer imenso de te ver e saber ser
Em ti presença autêntica essência deste querer
Palavras revoltas soltas debruadas a solidão
E em sentidos desejos deste tão amargo coração
Que a si mesmo se fere na espera do encontro
Para num abraço sentido que tarda em chegar
Poder saborear os aromas do teu próprio desejar

28/06/2005

credo

"...creio numa só vida, num só ser, numa só entidade... num todo composto pelas partes em que cada parte tem o todo... creio na memória do futuro nos génes do passado que carregamos neste presente... creio na vida para além da morte porque esta é apenas física e o eu não é físico mas sim não físico... creio na existência de uma consciência colectiva única, perfeita e completada em si mesma pelo conjunto de todas as outras... creio no amor como sentimento redentor que nos ajuda a enfrentar a dor de aqui estarmos... creio que mais não somos que o objecto de uma missão a cumprir com um objectivo concreto... creio na firmeza de carácter do ser humano se ele se conseguir sublimar em si mesmo e souber quem é e o que faz aqui... creio que a missão não é fácil porque se trata de uma caminhada na aprendizagem... creio que temos apenas um dever: o de caminharmos sempre em frente, sem olhar para trás, sem culpas nem arrependimentos... creio na paz que a serenidade me concede mesmo que a luta se trave continuamente... creio que nos resta apenas uma forma de o conseguirmos: amarmos quem quer que seja, o que quer que seja porque nada mais somos do que pequenas partículas de uma única Entidade: o Universo!..."

26/06/2005

sem palavras

"...quando não encontrámos as palavras, vamos à procura das imagens, de sons, de cheiros, de sabores, de texturas, de gestos, de muita outra coisa que os nossos sentidos nos dão, nos permitem saber coisas sobre as coisas... depois, queremos colocar em palavras escritas as coisas que as coisas nos "disseram" através dos nossos sensores físicos, mentais e quem sabe se não também espirituais... mas, nem sempre encontrámos as palavras certas... e ficámos, como se costuma dizer, de mãos a abanar, neste caso de dedos sem teclar... mas, a verdade é que estou a transmitir por palavras exactamente o que não consigo dizer, logo, estou a escrever e a colocar neste pedaço de espaço-tempo o que não sei descrever... faço-o sem saber como mas sinto prazer... o gosto de dizer que queria dizer e não sei como dizer o que quisera talvez escrever... fico, no mínimo, a saber que haveria sempre algo para ser dito mas que, não o tendo sido, o pedaço de espaço-tempo não ficou vazio; afinal de contas, algo foi escrito..."

25/06/2005

almoço de bloguistas


...foi olhando este casario do meu velho e amado Porto, à beira rio plantado que, hoje no Restaurante Tromba Rija no cais de Gaia, se realizou mais um almoço num encontro de amigos...

24/06/2005

Wird (destino)

...culturas...leituras...runas...existem 25...
...esta é a 25ª, a única Runa branca
...a que não possui nela qualquer figura...
...significa:
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"...que está em analogia com Oddin que é o pai e o deus dos deuses da mitologia germano-escandinava; esta Runa interpreta-se mais de um ponto de vista espiritual do que material. No entanto, concretamente, salienta a necessidade de aceitar o próprio destino, de abandonar-se ao mesmo, também de acreditar nele para poder exercer o seu livre arbítrio. Corresponde ao que todos os grandes místicos de todas as religiões do mundo designam como “renúncia”. Quando aparece num lance, dá o seguinte conselho: o de parar de querer intervir sistematicamente nos acontecimentos e nas circunstâncias na nossa vida; por outras palavras, recomenda que esperemos pelo melhor momento antes de agir e reagir oportunamente. Inquire também das grandes perguntas que todos fazemos: Quem sou?, Vou triunfar ou fracassar?, Que decisão devo tomar?, O que devo escolher?... Ela não responde a estas perguntas, mas incita-nos a reflectir mais serenamente, lembrando-nos que todas as respostas estão em nós..."

22/06/2005

carpinus betulus

Dizem que todos os seres são "regidos" por uma árvore; a minha é a Carpa (carpinus betulus); e diz que sou assim:
"...o nativo da Carpa é encantador!... Adora agradar e está quase sempre dependente do seu aspecto e dos olhares dos outros. Sociável, até mesmo mundano, nunca recusa uma ocasião para se destacar... Porém tem muito apego à compostura. Imaginativo, de um espírito crítico agudo e um gosto pronunciado pela polémica. Não discuta com ele, já que, mesmo que esteja no seu direito e tenha razão, acabará com a sensação de não a ter. É realista, organizado e metódico! De natureza profundamente generosa e entregue, não hesitará em defender as causas dos outros, sobretudo se estas servirem a sua!... No amor, curiosamente, é muito distante e quase nunca exprime os seus sentimentos. Diz-se curiosamente e deve-se sublinhar já que precisa de exteriorizar as suas energias, que é sociável e que nunca recusa uma oportunidade para se destacar. Então porquê a reserva? Porque, para ele, o amor é um assunto sério e grave. A partir do momento que se sinta prestes a perder as suas armas, repõe-se imediatamente, tendo em conta os prós e os contras, para, finalmente, resignar-se a fazer o que lhe dita o dever; e o seu dever consiste em perder a razão para a dar a outrém!..."

20/06/2005

pedir

"...o mais difícil é permanecer e mudar ao mesmo tempo… ser e aceitar não ser… penso que sim… o mais difícil é mudar permanecendo o mesmo e aceitar ser aquilo que não se é… ou outra alusão idêntica… penso que cheguei a um ponto da minha vida em que tenho de deixar de ser aquilo que sou, mudando definitivamente... penso que cheguei a um ponto da minha vida em que tenho de pedir “coisas” à vida, não tendo o medo ancestral de obter um não como resposta... penso que cheguei a um ponto da minha vida em que tenho de ser e aceitar não ser, num permanecer mudando… espero conseguir..."

18/06/2005

palavra

"...era apenas uma palavra aquela que ouvi de tua boca; não tinha som, não tinha letras nem soava bem nem mal mas ouvir era bom... que estranha sensação se tem em ouvir o que não é dito nem houvera sido prescrito para ser ouvido como algo suave ou como um grito... era apenas uma palavra aquela que ouvi de tua boca; lenta, pausada, correndo forte contra a corrente; base de tudo, suporte de nada e ao mesmo tempo no topo do mundo e apontando o meu norte... era apenas uma palavra aquela que ouvi de tua boca; forte, doce, grave, lenta, poderosa, suave... não tinha letras nem formava sentido, apenas era e não tinha fugido... ficara... ali, no meu ouvido... guardei-a na alma e fechei-a no meu coração... era apenas uma palavra dita com emoção... era apenas uma palavra sem sabor mas soava a prece como uma oração... foi uma palavra só, perdida, dita de uma vez sem atropelos, nem pressas nem deglutida como palavra ouvida... era apenas uma palavra sentida... não tinha som, não tinha letras... era apenas razão!..."

16/06/2005

fica

"...queres partir, é?... não vás ainda... espera aí... ouve-me um pouco: A solidão é um estado de espírito e não um estado físico... nunca estamos sós: temo-nos a nós mesmos como companhia... nada mais fácil do que falarmos com o nosso próprio eu... experimenta apenas um pouco... verás o resultado... depois, o mundo não está no exterior... o mundo somos nós mesmos, nós "criámos" o Universo que quisermos... estar só pode ser o meu Universo preferido desde que essa seja a minha escolha... sair dele... como acto final... deixando-nos cair no chão do silêncio... não, não é opção... de que te vai servir se não saberás o porquê?... é preciso escolher a vida para passarmos a vida a fazer perguntas e esperar pelas respostas; não querendo esperar pelas respostas, então, vamos à procura delas...as respostas estão em nós mesmos... achas que sabes o que é a solidão?... achas?... estás convencido que estás só?... pensas que sabes tudo já sobre a solidão?... estás muito enganado... estive, estou e estarei sempre só mas apenas quando quero; e até sabe bem... mas, quando não quero, escolho não estar só... e parto... parto à procura de respostas... acredita que há sempre uma resposta... há sempre uma porta... há sempre uma janela... há sempre um sítio dentro de nós para abrir e sair para fora da solidão que criámos... nasce... sai do útero onde ainda te encontras... faz o "parto" de ti mesmo e ao saíres da "vagina" que te contém na solidão, grita, esperneia, vive, abre os olhos e sente a vida a pulsar dentro de ti e dentro dos outros... nascer é bom... viver é melhor... morrer?... ainda não... um dia morreremos porque essa é a resposta final, a última, a derradeira... porquê a apressar?... Deixa-a para último lugar... agora... é aqui... é aqui que deves estar... fica, fica mais um pouco... vais ver que não custa..."

14/06/2005

conceito

"...Amar ou não amar?... Sim e não... Tudo depende do conceito que fazemos do que é "amar"... Se entendermos que o amor, o verdadeiro amor (e aqui poderemos perguntar o que é um verdadeiro amor que não será a mesma coisa que um amor verdadeiro...) é amar sem posse, ou seja, amar pelo acto de amar e não pelo acto de querer ou possuir ou ainda querer possuir, ou seja, "eu amo simplesmente porque quero amar e desta forma me sinto realizado e feliz", nunca perderemos nada porque nada temos, nada possuímos... amámos apenas... se sentir posse do alvo amado eu posso-o perder porque o julgava meu... no momento em que decido amar por amar eu deixo de possuir, deixo de ter o que quer que seja, e, mesmo que "perca" eu não perco... apenas continuarei a amar mesmo que o alvo do meu incondicional amor já não exista ou já não esteja presente... Que forma mais sublime de amor não será aquela em que apenas desejamos que o outro seja feliz, mesmo que não connosco?... Se a pessoa que amo se sente feliz longe de mim, que acto mais sublime de amor não será continuar a amar essa pessoa? Não será amor verdadeiro aquele que apenas ama?... Mesmo no conceito de que somos um todo (conceito que partilho) amar será apenas um acto egoísta na medida em que me estou a amar a mim mesmo face ao entendimento de que não somos partes... Daí que amar deverá ser um acto individual e único, ou seja, não o entender como um acto de partilha (estilo, eu te amo se tu também me amares...) mas sim um acto de dádiva... Eu me dou a alguém incondicionalmente, eu amo alguém independentemente de esse alguém me amar em reciprocidade... Gostar de alguém será apenas e unicamente obter algo desse alguém, ou seja, eu "retiro" algo desse alguém, logo gosto "disso"... Amar é "dar" algo a alguém sem esperar nada em troca... Por isso, nunca perderei se nada tiver..."

13/06/2005

infinito



...homenagear 2 Homens (diferentes) que partiram hoje...
...um, que de palavras belas nos encheu como estas variadas cores...
...outro, que de integridade nos encheu o peito de vermelho puro...
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(images from www.galaxies)

12/06/2005

juntos

"...olho à minha volta e vejo um espaço todo branco (todo, é uma forma de expressão, claro...); paredes brancas, tecto branco... é um espaço (aquele a que chamo de meu canto...) com mais ou menos 7 por 4 metros; tem 4 secretárias brancas, sofás, cadeiras brancas, umas estantes e uns armários quase tudo branco, pastas de arquivo, telefones, livros, cds, papéis, um pc velho de 98 e este portátil onde escrevo e todo aquele material miúdo daquilo que, outrora, foi um escritório... quando teclo aqui e vos escrevo ou escrevo para minha pessoal satisfação, sinto-me rodeado de gente (para além dos já famosos pardais...) que sois todos vós, uns que conheço e portanto olho-vos na cara e outros que não conheço e imagino corpos e faces... por vezes, nos dias de sol o cão e o gato, ambos pretos, deambulam por estas bandas ainda que não goste que entrem aqui... mas no meio desta solidão há algo que me parece maravilhoso sentir... é a vossa presença!... como se isto não fosse este espaço que descrevi mas sim uma sala enorme onde estamos todos juntos a berrar uns com os outros, uns rindo-se, outros chorando, outros ainda brincando como crianças mimadas, outros fazendo disparates e escrevendo coisas feias nas paredes da sala, outros ainda chamando a atenção como educadoras de infância em colégios infantis... sinto tudo isso e de tudo me tento alhear enquanto escrevo... depois páro para ler o que escrevi e aí ouço os vossos comentários antecipadamente e penso, este vai responder assim, aquela vai responder assado, aqueloutro nada vai dizer, etc. etc.... esta sala branca está pejada de gente bonita... vós estais aqui comigo... obrigado!..."

10/06/2005

another day

"...olho para o exterior da minha vida e vejo o interior do nada que me cerca em pequenos pedaços de tudo... vejo frases subversivas tentando versejar nas letras que dançam à minha volta e não me permitem agrupá-las em grupos que façam sentido... encontram-se por todo o lado, à minha volta... olho para o dia que vai lá fora (porque dentro de mim, o dia não é o mesmo) e vejo o cinzento da luz dum arco-íris desbotado, esfarrapado, descolorido, desmantelado... vejo somente os sons que mudos me abanam o corpo num movimento quieto de sonolência, como se o sonho ainda aqui estivesse... mas não, o sonho já debandou, já partiu e apenas me deixou aqui, olhando o lugar que ele ocupou dentro de mim, a sonhar... foram estas as letras que eu consegui agrupar para fazer frases para aqui hoje colocar esta mensagem... tão lúcida de insatisfação, tão satisfeita de desnecessária, mas criada para todos por via do nada..."

08/06/2005

ausentes

"...não, não estavas lá quando mais precisei de ti... estavas ausente mesmo com a tua presença... ansiavas a libertação e para ela abriste os braços como último lampejo de solidão acompanhada... sim, mas apenas encontraste o nada... não, não estavas lá quando mais precisei de ti e o momento em que mais precisei de ti foi aquele em que já não te senti, aquele em que vi que já lá não estavas... foi apenas aí que reparei em ti quando já não estavas presente para te tocar... e a culpa não foi da tua fuga nem da minha quietude, a culpa foi da nossa cruel atitude em nos vermos sem nos olharmos, em nos sentirmos sem nos tocarmos em amar sem nos amarmos... por isso, quando mais precisei de ti tu não estavas lá, mesmo olhando para mim acenando um adeus desenhado no fim..."

06/06/2005

hardcore

"...hoje não te toco; hoje não te beijo nem te abraço. Hoje estou quieto à tua disposição; apenas corpo solto sem amarras nem vontade. Hoje não te toco; hoje só tu tens esse poder, o de me fazer ficar quieto inteiramente entregue à tua fantasia, à tua gula de prazer. O duche quente provocou em mim uma modorra e uma vontade enorme de nada fazer, nem de me mover; de corpo nu e ainda húmido, deitei-me na cama de barriga para baixo com os braços ao longo do corpo e com a cabeça olhando para a esquerda. Fiquei assim largos momentos até te sentir entrar no quarto. Pelo espelho da cómoda via-te de corpo inteiro olhando para mim; sorrias e com muita lentidão começaste a tirar a toalha de banho que te cingia o corpo. Ficaste nua nessa tua pele de cor acetinada linda que tanto me fascina. Não vias que te via. Aproximaste-te da cama e de joelhos te posicionaste junto do meu corpo. Não me movi. Nada dissemos. Passaste tua perna esquerda por cima de mim e te sentaste sobre as minhas nádegas de tal forma que senti o teu sexo junto do meu rabo. Já não te conseguia ver pelo espelho. Somente te sentia, quente e fresca com algumas gotas de água morna caindo sobre as minhas costas. Tuas mãos pousaram sobre os meus ombros e teu tronco se aproximou das minhas costas de forma a sentir o pousar lento dos teus seios. Senti teus mamilos endurecerem lentamente pelo contacto e fricção que começaste a fazer; ao mesmo tempo, a tua língua tocava ao de leve a minha orelha esquerda provocando-me um arrepio de prazer. Ficaste assim longos momentos, usufruindo apenas o contacto do meu corpo inerte. Depois, senti tuas mãos mexerem-se por baixo do meu peito e apertarem forte os meus mamilos; desceram lenta mas inexoravelmente para baixo de encontro ao meu sexo; encontraste-o inteiro e duro e o acariciaste da forma que quiseste. Teus seios continuavam a roçar as minhas costas e a tua pélvis insinuava-se cada vez com mais força nas minhas nádegas. Levantaste-te o suficiente para que me fizesses voltar de barriga para cima; olhei-te e adorei teu corpo altivo sobre mim; na mesma posição em que estiveras, subias agora para que o teu sexo se sentasse literalmente na minha boca; não me movia mas não consegui resistir e a minha língua moveu-se dentro dele em movimentos doces; senti-me apenas a respirar pelo nariz em respiração compassada mas aumentando de intensidade por virtude do prazer que me invadia. Ainda sentada dessa forma conseguiste num movimento gracioso inverter a posição de forma que fizeste uma inversão perfeita; estavas agora com a tua vagina na minha boca e com a tua boca brincando com o meu sexo. Conseguimos estar dessa forma o tempo suficiente para enlouquecermos. Naquele quarto nada mais se ouvia do que o arfar compassado das nossas respirações. Comecei a sentir o agridoce gosto do teu mar escorrer pela minha garganta. Já não estava a conseguir aguentar muito mais tempo e parece que adivinhaste esse momento; viraste de novo a posição de forma a ficares virada para mim e sentada sobre a minha púbis introduziste o meu sexo na tua vagina; senti a profundidade da mesma ser invadida vezes sem conta em movimento rítmicos. A intensidade aumentava segundo a segundo e num momento mágico sentimos que aquele seria o momento da fusão. Foi aí que deixaste cair teu peito sobre o meu peito e abraçados então num abraço louco de amor profundo, senti teus lábios quentes junto dos meus e teu sexo vibrar em palpitações ao mesmo tempo que o meu orgasmo te invadia as entranhas. Um som rouco proveniente das nossas respirações confundiu-se com os gemidos de prazer que deixaste então sair da tua alma; aquele momento não tem comparação com qualquer outro momento; é um momento único.
Hoje não te toco; hoje não me movo. Hoje sou apenas corpo, loucamente louco..."

04/06/2005

acordar

"...acordo e sinto o vazio ao meu lado... olho bem e vejo apenas um espaço por onde alongo os braços e as pernas... diviso um local que deveria estar preenchido para eu preencher e ser recebido... há apenas o olhar para as paredes que me cercam e a luz que entra pelas janelas do meu quarto... à noite, quando me deito, faço-o às escuras para não notar a falha mas já não o consigo evitar ao acordar... penso no tempo que passou para passar o tempo... penso no tempo que não passa para chegar outro tempo em que possa pensar que valeu a pena esperar tanto tempo... ser a folha num amar do vento... força tão estranha que acalento..."

02/06/2005

acontecer

"...nada acontece por mero acaso... o caos não existe (apesar de exitir ordem no caos)... há uma ordem, uma meta, o que lhe queiram chamar... tem de haver... não poderia ser de outra forma... não teria lógica ser de outra forma... não somos donos do que quer que seja, porque seríamos donos do nosso próprio caminho?... Ele é-nos ditado e nós, obedientes seres (átomos minúsculos de um Universo infinito e eterno - o que será ser infinito e eterno?...) criados ou incriados (porque raio de razão me devo eu preocupar com isso?...), nada mais fazemos do que seguir o instinto... aptidão total e absoluta do ser vivo: instinto de sobrevivência!... Vivemos para prosseguir o que já está em nós mesmos limitado: o tempo de viver!... O tempo de sermos... Então, permita-se que tudo o que acontece, aconteça!... Simplesmente, com vénia e aceitação... talvez, com amor e um pouco de paixão..."