28/07/2005

intervalo

"...cheguei à conclusão que tenho necessidade de fazer uma pequena pausa... uma leve paragem no caminho... apenas como quem pára numa estação de serviço de uma auto estrada para relaxar os membros e encher o peito de ar... uma espécie de lufada de ar fresco para o interior de mim mesmo... uma espécie de reflexão... não, não me vou candidatar à presidência; não é esse tipo de reflexão, é mais uma necessidade quase física de parar por uns tempos... pode ser um dia, uns dias, não sei ainda... mas preciso parar... fixei há tempos atrás um projecto meu para este ano que está a decorrer: iniciar o meu livro... e, hoje, tomei essa decisão, a de começar a elaborar o projecto, a dar-lhe a forma... vai ser uma tarefa árdua pois tratar-se-á de uma auto biografia e isso não é nada fácil de fazer... os "protagonistas" são reais e não inventados e isso é algo que não pode ser delineado levianamente... vou, pois, conceder a mim mesmo um pequeno intervalo para reflectir... no entanto, não vos abandonarei nem tão pouco abandonarei este meu pequeno livro de retalhos..."

27/07/2005

momentos

"...serei o teu relógio... dizia-te eu , há pouco... o relógio da tua alma e do teu próprio corpo... o relógio do teu sabor e do meu sentir... do meu riso... da minha voz... incendiando os teus desejos... serei o teu relógio... dizia-te eu, há pouco... o relógio da fruição sonora ecoando dentro de ti... não te fazendo esperar como os minutos desta hora deste relógio que há em mim... ecoando em ti... numa ânsia de libertação de desejos apaixonados... numa líbido mental em constante crescendo... serei o teu relógio... dizia-te eu, há pouco... o relógio das horas alucinadas e felizes dos encontros esperados e desesperados... duma espera na ânsia de que o relógio pare... e os nossos corpos se encontrem num momento eterno de paixão... dizia-te eu, há pouco..."

25/07/2005

renascer

___"...Porque é que eu hei-de negar?... Porque é que eu hei-de fugir?... Se acordo de um longo sono de inverno... Renasço e aprendo a ser e a olhar..."

23/07/2005

vivo


"...Prostitui-me no teu doce corpo
Sedento de beijos suaves

De prazer impuro
Sexo, sede, fome, amor duro
No âmago da carne
Num espírito de fogo ardente
Lento e rápido
Forte e demente
Explodindo tudo
Numa implosão desmedida…
Diz-me tu, oh musa divina
Se fique, se me quede,
Se me vá de partida
Diz-me tu, oh musa divina
Se agarre, se me abandone
Se vá vivo em tua vida…"

21/07/2005

origem

"...Veio de ti e do Universo inteiro esta força imensa que hoje brilha dentro de mim imparável e pura, doce, chama-lhe vontade, criatividade, harmonia... talvez, Amor..."

19/07/2005

amor de lobos

"...seriam cerca das 3 da madrugada quando na esquina da velha igreja daquela velha aldeia lá muito ao norte, quase a perder de vista a sua própria existência, se juntaram em silêncio 4 esbeltas mulheres de longos cabelos à solta, todas elas vestidas de branco... um branco alvo, como vestidas de noivas, sem véus nem grinaldas mas de branco... sentia-se um vento meio gélido naquele campo verde que se estendia para além das traseiras daquela velha igreja daquela velha aldeia... mas não se notou qualquer tremor de frio em nenhuma daquelas 4 esbeltas mulheres... a cor dos seus corpos roçava a cor do leite que, momentos antes haviam bebido dum mesmo canado... seus olhos negros, profundos, brilhavam quando os raios do luar daquela lua cheia lhes batiam nas faces em todo o seu fulgor... era uma lua grande, de prata, brilhando num brilho baço mas ao mesmo tempo ofuscante... deram-se as mãos umas às outras e continuaram o seu caminho... para trás ficava tão-somente um cheiro a flores... seus pés estavam nus e pareciam caminhar por sobre a erva daninha daquele campo verde... lá ao longe, um pouco mais para cima, divisava-se um morro e no cimo desse morro uma frondosa árvore, erguia os seus ramos numa espécie de posicionamento de espera e de aceitação... como que esperando por elas e pronta a abraçá-las... o silêncio era total e entre elas não se ouvia um único som... quem as visse de longe para cá daquela velha igreja daquela velha aldeia, pensaria que as 4 visões voavam ou pelo menos deslizavam... cada uma das que ficavam na ponta levava um cesto de verga coberto por pano branco de linho feito... e eis que chegaram aos pés da árvore... pousaram os 2 cestos de verga no chão e deram-se as mãos num círculo que abraçou o tronco da árvore frondosa e num misto de magia a árvore como que se baixou sobre elas como que as cobrindo num acto fálico enquanto as suas folhas roçavam os seus corpos... dos cestos, depois de terem desfeito o círculo, tiraram algo que não era visível aos olhos dos outros seres humanos e que não era possível descrever... entretanto, algures, num outro ponto daquela aldeia, deitado numa cama de doces sonhos, um homem alto, bem constituído fisicamente, com o corpo nu coberto de pelos negros, dormia e via-se que estava possuído por algum sonho de lascívio prazer, pois notava-se através da roupa da cama que o cobria que o seu sexo estava excitado e algumas gotas de suor lhe cobriam o peito forte... repentinamente, num passe de feitiço, esse "sonho" transportou-o para os pés daquela árvore frondosa onde se encontravam as 4 mulheres lindas vestidas de branco... ele olhou para ele mesmo e viu-se nu, tal como viera ao mundo e ao ver aquelas mulheres instintivamente levou as mãos numa tentativa de tapar o seu sexo erecto... a partir desse momento aquele homem entrou num espanto e seus olhos não queriam crer naquilo que estavam a ver... elas se começaram a despir e apenas tinham aquele vestido branco sobre as suas peles acetinadas cor de leite... e ele olhava... elas começaram a sorrir e os seus sorrisos eram como um convite ao sonho... daqueles cestos retiraram uns frascos que continham vários fluidos e começaram a untar os seus corpos... e ele olhava e começava a compreender o que via... elas o fizeram ver... uma se untava de mel, uma outra de untava de leite puro de ovelha uma outra de água salgada do mar e a outra de um creme que cheirava a jasmim... e ele não resistiu e o sexo se tornou novamente erecto e o seu corpo parou de tremer... aqueles corpos untados cintilavam quando os raios da lua cheia lhes batia na pele e elas continuaram com o ritual... todo o seu corpo foi untado incluindo os seios, o pescoço, as pernas,... apenas os cabelos soltos ficaram secos... então, elas se aproximaram daquele homem e se roçaram por ele de tal forma que o corpo dele ficou totalmente embebido daquela mistura de fluidos...apenas as mãos dele ficaram secas... e num acto quase que instintivo elas se deitaram no chão sobre os vestidos brancos que faziam de leito, o leito do Amor, o leito da procura do Amor, o leito da descoberta do Amor... e ele se misturou com elas e começou a possuí-las, uma a uma, e também numa mistura arbitrária de escolha... o seu corpo confundia-se agora com o corpo delas e já não existiam 4 mulheres ali... apenas existia uma única mulher onde ele se fundia numa escolha impossível... os ventres juntavam-se e os costados também... ele as tomou por detrás agarrando-se aos cabelos delas com as suas mãos possantes e puxava as cabeças delas num misto de prazer e dor, de agonia e êxtase, como se tudo se pudesse perder num só instante, numa avidez de gozo indescritível ... de repente ele sentiu os diversos odores que o cercavam e aos poucos foi deixando uma a uma até que ficou olhando aquela que cheirava a mar... e, nesse momento, algo de mágico se passou: um raio de luar atingiu-o e ele numa nova forma de sentir, viu lentamente o seu corpo transformar-se em lobo, um corpo coberto de pelo sedoso negro e brilhante ao mesmo tempo que a mulher que cheirava a mar se posicionava como fêmea do lobo... e ele a agarrou pelos cabelos puxando a sua cabeça para o seu peito e com firmeza a penetrou fundo num acto de posse total, num acto de prazer inimaginável onde a fusão foi possível tão-somente por magia... o seu corpo ofegou e o instinto animal veio ao de cima e, no mesmo momento em que lambia todo aquele mar, ele, num último uivo lancinante de prazer, espalhou sobre ela todo o fruto do seu Amor... então os corpos se misturaram e apenas se divisava um casal de lobos fazendo Amor... os seus corpos não conseguiam parar e num espasmo final ela se transformou em maresia, como que alva espuma misturada com o fluído dele... então, naquele silêncio de corpos se amando, um último uivo, não o dele mas o dela, se fez ouvir por aquela encosta abaixo, no preciso momento em que os primeiros raios de sol começavam ao longe, bem perto daquela velha igreja daquela velha aldeia, a despontar... nesse momento, o homem acordou de repente na sua cama e olhou e viu: uma mulher linda, vestida de branco, dormia profundamente ao seu lado..."

18/07/2005

centro


...este era o "sol" no centro da mesa durante o jantar do passado Sábado; porém, foram as pessoas que lá estiveram, as tais pessoas bonitas (como eu lhes costumo chamar) que iluminaram o encontro e deram ao mesmo aquilo a que já nos começámos a habituar, o sentido da pura e simples amizade que vai para além deste tremendo mundo virtual...

17/07/2005

descanso

... aproveitei o belo jantar de ontem em Carnaxide para ficar este Domingo na capital... foi um óptimo Domingo (e, sinceramente, não tenho nada mais para acrescentar ao que acabei de dizer... mainada!...)...

16/07/2005

jantar de bloguistas


...já ía a meio, este delicioso prato de carne de porco assado com castanhas, quando me lembrei de o fixar antes de entrar nas minhas entranhas... foi mais um encontro óptimo de óptimos amigos e amigas... foi mais um convívio de 41 pessoas, reunidas no Restaurante O Alfredo, em Carnaxide... uma deliciosa organização do Fernando do Fraternidades... mais um abraço daqui de mim para ele e para todos os demais... venha o próximo que já apetece...

14/07/2005

sentido

"...brincando com o tempo, esse tempo sem tempo nem idade, apenas com uma imensa vontade de viver e sentir que o amor ainda é, na realidade, a única razão de existir!... E... esse outro lado que tanta falta nos faz, esse mesmo, o do amor (o único lado que dá sentido), está à nossa volta, no que nos rodeia...na vida que nos envolve e também um pouco no que está dentro de nós..."

12/07/2005

adágio

Oh lógica da beleza...
Oh verdade infinita
Criança cristalina
Soluçando nos meus ouvidos
Como soluços doces e divinos....
Oh bela e pura melodia
Que por entre a fragrância do ritmo
Te revejo no infinito
Do meu ser interior
De sonhos perdidos
Em sonhos de amor...
Oh lógica bendita
De som belo e de cor azul...

Tão bonita!...

10/07/2005

tempos

…tempos que passam por nós ou nós que passamos pelo tempo
…tempos em que não se aprende e tempos em que se aprende
…tempos em que não se cresce e tempos em que crescemos
…tempos que se quer esquecer e tempos que não esquecem
...tempos que se procuram e tempos que tardam em chegar
...tempos que se auguram e tempos que desejamos segurar
...tempos que se olham com fé e tempos que com fé se agarram
...tempos que se esperam sejam tempos para não mais esperar

08/07/2005

rigidez

“... sou como quem não existe na realidade, como o sonho de um caminhante intranquilo... assumo a rigidez da estrada lisa, a força da ausência de obstáculos... os escolhos bem arrumados no chão da apetecida erva húmida... um caminho fresco no deserto escaldante, um instante deslocado no tempo, numa estrada que mantém impressa cada passo dado sem nunca ter tentado impor-lhes uma paragem mais permanente... estrada onde se pernoita protegido da tempestade, estrada aqui e ali asfaltada pela dor de alguns passos ausentes… mas… transportando sempre a intranquilidade que me enche de torpor e de cansaço…”
.
(autoria desconhecida)

06/07/2005

silêncio

"...Há um silêncio absoluto aqui até mesmo dentro de mim... Estou só, acompanhado apenas da minha solidão; por isso, não estou sozinho; estou acompanhado, logo não estou só... Estranho...
O silêncio penetra dentro de mim sem pedir licença; também não sou capaz de lhe impedir a entrada; ele é tão livre quanto eu e eu, possuidor dessa liberdade, deixo-o entrar e sinto que a excitação que ele me provoca é sinal de prazer... Um prazer proveniente da paz que ele, o silêncio, alberga... Com ele, vem apenas o som da deslocação do ar quando ele chega sem avisar... É que, de repente, só (estando só) o sinto quando ouço o silêncio da sua chegada... Senta-se aqui ao meu lado e vejo perfeitamente que ele me olha de soslaio; mas não lhe ligo importância; quem se julga ele? Alguém de muito especial? Devo-lhe alguma deferência?... Não... Não lhe franqueio sempre a entrada? Então, que mais ele quer? Que lhe dirija a palavra? Não! Mil vezes não! Se o deixo penetrar-me é porque assim o desejo e o quero, em silêncio, em paz, ouvindo-o sem o ouvir; sabendo apenas que ele está aqui... A solidão, por seu lado, essa não se importa muito pela presença dele; já está habituada... Olha-o com desdém como se ele, o calado silêncio, fosse ninguém... Sabe muito bem que ele não me faz mossa; sabe perfeitamente que ela, a solidão, é que é a minha amante preferida, hoje cinzenta (pode ser) mas amanhã, quem sabe, se colorida... É apenas a paz que me traz sereno e me faz sentir o seu frio ameno; é que o silêncio tem temperatura, ora é doce e quente, ora azedo e frio; mas já reparei imensas vezes que quando é azedo se sente um frio ameno; não enregela nem me estremece o corpo; amorna-me a alma e deixo-me ficar na mordomia da sua presença... É tudo apenas um estado de solidão a sós com o silêncio que me faz companhia... Por isso, não esfria... Deixa-me estar como quero... E ele se queda também e fica... Não incomoda... Sabe que a qualquer momento que eu queira, o mando embora; sabe que um grito forte pode, num ápice, cortar o ar que ele deslocou ao chegar... Ele sabe isso e por isso não se preocupa comigo... Mantém apenas um vago olhar... Como quem não sabe se parta ou se deve ficar... Depende apenas e só do meu grito; se este, o grito, do meu peito sair com força, com ânimo, com desejo de ser quem sou e não quem quero parecer ser... O problema com que me debato é saber o que sou ou mesmo até quem sou... Serei eu próprio o silêncio?..."

04/07/2005

alegrias

"...às vezes são coisas tão pequenas, tão sem importância, tão vagas mas que nos dão uma idéia do que é o sentirmo-nos bem por sabermos o bem que o outro ao nosso lado sente... às vezes é apenas uma sonora gargalhada que nos contagia e que nos faz gargalhar também... outras vezes é ver o outro saltar e sentir que também nos apetece saltar... outras vezes ainda é o tom de voz que nos indica o estado de alma do outro de onde ela provém... são pequenas coisas, tão pequenas coisas mas que nos fazem felizes... hoje fiquei muito feliz porque ouvi a felicidade na voz de outro alguém que me contava algo que lhe era bom, lhe era agradável... e assim, fiquei, mais uma vez, a saber que afinal a felicidade dos outros pode ser (ou é mesmo) a nossa própria felicidade... sentirmo-nos bem por sabermos que alguém está feliz... lá está, aqui, o tal outro lado do amor..."

02/07/2005

usufruir

"...não sabem o que é bom desfrutar do silêncio que o odor das rosas me traz; o cheiro que o chilrear dos pardais me envolve; a luminosidade da manhã de prata nas frestas desta porta a sul virada numa perfeita conjugação com o Todo... olhar o azul claro e brilhante que nos cobre e sentir que aqui, cá em baixo, nos vamos debatendo numa quezília constante quando afinal de contas basta olhar ali o meu gato estirado ao sol (e quando não está sol e faz chuva ou vento, basta olhá-lo enroscado sobre si mesmo aquecendo-se com o seu próprio calor)... sentir que na ponta dos meus dedos estão estas palavras que vos escrevo com carinho sabendo que alguém as irá ler... ver que o meu mundo que está lá fora também está aqui dentro ao vosso lado sem vos ver nem ouvir, tendo apenas a consciência que estais aí... saber que basta querer estar para se estar bem mesmo que não se esteja bem; basta sorrir (tantas vezes nos esquecemos que quando chorámos e as lágrimas nos escorrem pela face, os lábios podem entreabrir-se num terno sorriso)... se todos sorrissem um pouco, uma vez por dia... se todos se dessem as mãos, mesmo virtuais, uma vez por dia... se todos dissessem àquele ou àquela que está ao lado "amo-te" nem que fosse uma vez por dia... se todos escolhessem o amor uma vez por dia... se, se... todos iriam sentir, uma vez por dia, a felicidade que há dentro de cada um de nós... um bom fim-de-semana para todos vós..."

01/07/2005

relíquia


...quem se lembra?... A juventude de hoje fala em "bombar"... Eu ainda me lembro de "dar à bomba" naquelas maquinetas primitivas de aquecer a sopa ao lado do fogão de lenha da minha avó... uma relíquia que faz parte da decoração do Restaurante Tromba Rija onde estivemos no passado Sábado...